Yoga para todos, mesmo.

Por Cristiana Dias Baptista*

Outro dia fiz um #repost no Instagram do Nowmastê da foto de uma mulher gorda em uma postura de Yoga com a frase “Como ter um corpo de Yoga: Tenha um corpo. Vá pra Yoga”. O sucesso foi tremendo (para os nossos padrões, obviamente!): 1830 curtidas e 41 comentários.

Dias depois, conversando com o pessoal da Ekomat, falávamos justamente sobre a necessidade de se mudar o estereótipo daquela “Yoga de Instagram para corpos magros e flexíveis em praias e pôr do sol” e – entre uma e outra pauta sobre ideias e projetos bacanas a esse respeito -, veio a tona o nome da Vanessa Joda, nova embaixadora da marca e professora de Yoga a frente do @yogaparatodossp.

Alguns whatsapp e mais uns dias, lá estava eu na casa/estúdio da Vanessa em Santa Cecília, São Paulo, para uma longa, gostosa e instrutiva conversa.

Assim como a maioria de nós praticantes de Yoga, Vanessa não nasceu numa invertida. Também como a maioria de nós, principalmente nós mulheres, ela cresceu obcecada em entrar na forma da magreza replicada por aí, mesmo que isso dependesse de remédios e dietas que colocassem em risco o seu bom senso e a sua saúde.  Até aí nada de novo, né?

O que distingue a Vanessa da maioria de nós é que ela não precisou emagrecer para entrar na forma. O caminho para a sua realização como uma mulher de formas redondas e saudáveis começou, há 6 anos, quando um amigo “gay e negro” a convenceu a entrar em uma aula de Yoga. Vanessa ressalta as características do amigo como que para lembrar a ironia de ter sido apresentada à Yoga por alguém que, como ela, estaria “fora dos padrões”.

“A yoga pra mim é libertação, equilíbrio, auto cuidado é muito amor ❤”

A transformação que se seguiu de lá para cá não foi apenas emocional e de aceitação estética. Ela incluiu um novo trabalho, o de professora de Yoga, e um novo propósito, o de levar a Yoga até as pessoas que não tem oportunidade ou que acreditam que a Yoga não é para elas, incluindo nesse grupo, não apenas os gordinhos, mas também quem não tem o recurso financeiro ou social para frequentar aulas e também aquelas pessoas que ainda vivem marginalizadas, como as pessoas transgênero.

Para se ter uma ideia da dimensão desse propósito, no mês passado ela começou a dar aulas de Yoga em uma penitenciária feminina. Vanessa também está diretamente envolvida no @yoganaruasp, uma inciativa carioca que chegou a São Paulo, há poucos meses, e que está levando Yoga aos moradores de rua da região da Praça da Sé (ajudas são sempre bem-vindas e o projeto está atrás de parcerias para fornecer um lanche após a prática); e no @poplus, feira plus size que acontece regularmente na Avenida Paulista e que organiza aulas de Yoga gratuita.

 

Além disso, no seu espaço, na Santa Cecília, ela oferece aos sábados aulas para mães que não podem pagar e que também não têm com quem deixar seus filhos. É lá também que, além das aulas diárias, ela se reúne com um grupo de profissionais de yoga e de outras áreas para juntos co-criarem a AnarcoYoga, uma Yoga com embasamento teórico e político anarquista, e exercícios que ajudem inclusive na transição de gênero.

Yoga para todos parece loucura ou utopia? Quem sabe. Mas o fato é que Yoga, muito mais do que uma rotina de exercícios físicos, é uma filosofia de vida que fala de união entre corpo e mente, entre o indivíduo e o todo. Mais do que uma prática física ela é também uma prática social e moral, que pode e deve, sim, ser vivida por todos. Mesmo.

*Cristiana é economista e jornalista, trabalha como planejadora financeira pessoal e é sócia do Nowmastê. Nas horas vagas seu maior prazer é viajar e contar histórias.

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