Yoga na Maré – ONG leva Yoga aos moradores do complexo da Maré

Conheça a história do Yoga na Maré e da Ana Olivia, a portuguesa que em 2012 mudou-se para o Rio de Janeiro para realizar o sonho de menina de montar uma ONG para, através do bem-estar físico e mental, transformar vidas.

Nasci em Portugal, me formei em Direito em Coimbra, mas nunca exerci. Durante toda a faculdade trabalhei com moradores de rua numa ONG, de forma voluntária e, assim que terminei a licenciatura (2004), fui um ano para a Alemanha trabalhar numa ONG com jovens imigrantes de uma região periférica de Stuttgart. Da Alemanha fui para Espanha, onde estudei Criminologia e fiz vários cursos relacionados com prevenção de delinquência e intervenção social. Trabalhei com moradores de rua e com imigrantes, nas periferias de Sevilla e Madrid.

O que trouxe ao Brasil, mais precisamente, ao Rio de Janeiro?

Em 2010, estando a viver em Madrid, vim ao Rio de Janeiro pela primeira vez, pois estava fazendo um mochilão pela América Latina. Apaixonei-me pela cidade, embora tenha permanecido apenas cinco dias e todos eles com chuva, não podendo visitar nenhum dos “cartões postais” da cidade. Na altura, visitei um projeto social na Rocinha e aí mesmo, debaixo de chuva, senti que queria voltar ao Rio para viver e trabalhar em favelas. Voltando a Madrid, comecei a pesquisar na internet projetos, ONGs e movimentos sociais que trabalhassem nas favelas.

Surgiu então a oportunidade de vir para o Rio como voluntária de uma ONG espanhola, para implementar uma experiência piloto de ensino de espanhol em favelas, e não pensei duas vezes. Vim com uma mochila por três meses, mas na esperança de conseguir encontrar trabalho e permanecer no Rio. Vivi esses três meses na favela de Parada de Lucas, trabalhei e aprendi muito, pois nunca tinha dado aulas, nunca tinha vivido na favela e não conhecia ninguém aqui no Rio de Janeiro. Foi uma experiência intensa e enriquecedora. Durante esses três meses, tive também a oportunidade de procurar trabalho, pois o meu desejo era conseguir ficar aqui. Visitei várias ONGs, bati à porta de muitas pessoas e, quando finalizei o meu trabalho em Parada de Lucas, consegui emprego como pesquisadora social numa ONG de direitos humanos.

E como o Yoga entrou na sua vida?

Estando mais estabelecida no Rio, comecei a praticar yoga e rapidamente percebi os benefícios e as transformações, o que me levou a sentir que queria aprender mais para poder levar o yoga para onde ele não é tão acessível. Entretanto já estava conciliando o meu trabalho como pesquisadora com o de professora de espanhol numa ONG da Maré, e senti que queria ser professora de yoga para levar o yoga especificamente para a Maré.

Basicamente, eu quis ser professora de yoga para isso. Encontrei no yoga a ferramenta perfeita para poder fazer aquilo que eu mais gosto, que é trabalhar com pessoas em situação de vulnerabilidade social, ajudar e contribuir de alguma forma para a sua transformação pessoal e de vida. Desde jovem que sonhava criar uma ONG, mas não sabia como o faria. O Yoga não fazia parte da minha vida até chegar ao Rio, apesar de em Madrid já desejar praticar, mas não o fazia porque as mensalidades eram demasiado caras. Lia sobre o tema e sabia que um dia iria praticar, mas nunca imaginei sequer ser professora.

Neste momento o Yoga na Maré está fazendo um financiamento coletivo para deixar o Nubes - primeiro espaço oficial da ONG - nos trinques para as aulas de Yoga e demais atendimentos. Participe com qualquer doação aqui. Este financiamento coletivo termina no dia 15 de junho de 2019.

E o projeto no complexo da Maré?

Tendo já alguma articulação na Maré, comecei a dar aulas gratuitas de yoga a 20 pessoas e rapidamente essas pessoas foram-se multiplicando. Neste momento, tenho mais de 100 pessoas inscritas e cerca de 80 frequentando regularmente as aulas semanais. Dou aulas a quatro turmas, em diferentes favelas do complexo da Maré, que conta com 140 mil habitantes.

E como a ONG Yoga na Maré é ou pretende se tornar sustentável?

Há dois anos fiz uma viagem pela Índia e me formei como terapeuta de Yoga Massagem Ayurvédica, tendo começado logo a atender as alunas (a um valor social), pois não conseguia dar conta de fazer massagem gratuita a todo o mundo. No ano passado, consegui formalizar o Yoga na Maré, tendo realizado aquele sonho de jovem de um dia ter uma ONG.

Neste momento não conto ainda com financiamento, então todo o meu trabalho – que é intenso e exaustivo – é realizado de forma voluntária. Para pagar as minhas contas, tenho que conciliar com aulas particulares e atendimentos com a yoga massagem ayurvédica na zona sul. Continuo, também, me aprofundando cada vez mais nos estudos, atualmente me formando como terapeuta Ayurvédica.

Atualmente conto com a parceria de uma ONG e de uma Clínica da Família, que me cedem os espaços para as aulas. Mas o meu sonho é conseguir ter um financiamento recorrente para poder me dedicar exclusivamente ao Yoga na Maré, bem como ter uma sede própria para as nossas atividades com várias aulas de yoga, consultas de Ayurveda, atendimentos de massagem e outras terapias alternativas de saúde. Espero também levar um curso de formação de yoga para fazer com que as alunas e os alunos interessados possam se tornar os professores do Yoga na Maré, ampliando assim a nossa grade horária.

Você já está dando os primeiros passos para o espaço próprio, como as pessoas podem ajudar?

No dia 12 de abril – quando completei 7 anos da minha chegada ao Rio de Janeiro – assumi o aluguel de um pequeno apartamento na Maré, que será a primeira sede do Yoga na Maré. Será, na verdade, o NUBES – Núcleo de Bem-Estar e Saúde – do Yoga na Maré, onde teremos a nossa biblioteca com cerca de 100 livros já catalogados (sobre yoga, meditação, Ayurveda, alimentação…), uma sala de convivência com cozinha americana, onde faremos oficinas de alimentação saudável, e dois quartos para os atendimentos com massagem. O prédio conta também com uma laje comunitária que também poderemos usar para realizar aulas, oficinas e palestras.

Agora, para dar conta deste investimento inicial para a abertura do espaço e para pagar os gastos com o aluguel e manutenção mensais irei realizar uma campanha de financiamento coletivo e também uma chamada para angariação de apoiadores/ doadores mensais através do nosso site.

As pessoas já podem ser apoiadoras e doarem mensalmente (ou esporadicamente) para o Yoga na Maré, mas não conto ainda com muitos. Mas com algo mais concreto, como este espaço físico, acredito que as pessoas ficarão mais motivadas a ajudar e a apoiar financeiramente!

Neste momento o Yoga na Maré está fazendo um financiamento coletivo para deixar o Nubes - primeiro espaço oficial da ONG - nos trinques para as aulas de Yoga e demais atendimentos. Participe com qualquer doação aqui. Este financiamento coletivo termina no dia 15 de junho de 2019.

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