Yoga e performance

Por Bruno Jones* via Yoga Bhumi

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Este artigo foi inspirado em algo que ouvi de um outro praticante de Yoga, que me criticou ao comparar os riscos de lesão que posso ter na prática do triathlon para poder justificar as lesões que aquele praticante tinha na sua rotina de āsanas.

Muitos praticantes e professores confundem esporte com Yoga. Enquanto um tem como objetivo o bem-estar, saúde e performance. O outro tem como resultado o bem-estar geral, mas, acima de tudo, o seu objetivo não é dor e tampouco performance, e sim o autoconhecimento.

Do meu ponto de vista – embora o objetivo do Yoga não seja trazer um aumento na performance de um indivíduo em relação às suas tarefas e trabalhos, podemos nos beneficiar bastante de algumas técnicas específicas, contidas no grande corpo de conhecimento do Yoga.

Neste caso, deixando de lado a maior parte de seu conteúdo de reflexão e também espiritual, focamos em uma parte bastante especifica, que é: qual proveito posso tirar de tudo aquilo que se refere à parte física do Yoga para me ajudar nas coisas que preciso fazer no dia-a-dia?

Pense na sua profissão ou no seu hobby. Como o Yoga se encaixa em tudo isto? Relembrando que estamos apenas falando sobre algumas técnicas especificas.

Um atleta, normalmente, já sobrecarrega demais o próprio corpo com exaustivos treinos. Portanto a prática de Yoga não deve ser proposta para exigir ainda mais. Ela deve sim ajudar na sua recuperação.

Vou citar aqui, apenas três técnicas que já são bastante evidentes pra qualquer praticante de Yoga e que também podem ser aplicadas a atletas, mesmo que estes, não sejam praticantes regulares de Yoga.

1) Em primeiro lugar, podemos falar das posturas físicas, os chamados de ásanas. Mas não vamos falar sobre aquelas posturas complicadas vistas em vídeos ou revistas, vamos falar do “feijão com arroz”.

Uma prática física de Yoga trabalha algumas valências específicas do corpo: força, flexibilidade, estabilidade. As posturas sugeridas, normalmente são executadas com algum tempo de permanência (isometria). Isso permite que o indivíduo possa ajustar o corpo na postura, dentro das suas possibilidades. Sempre priorizando o alinhamento do corpo, de forma que sua musculatura seja trabalhada de forma intensa, porém, não violenta. E, ao mesmo tempo, trazendo conforto e segurança para as articulações. Criando um equilíbrio nesta equação: força, flexibilidade e equilíbrio.

Estes trabalhos isométricos e de equilíbrio promovem com grande eficiência a estabilização de articulações demasiadamente usadas na corrida, por exemplo. Uma postura em pé pode trazer uma grande conscientização de toda a musculatura e articulações de membros inferiores, ensinando o atleta a proteger pontos mais frágeis do seu corpo e até mesmo a fortalecê-los.

Por um outro lado o trabalho de flexibilidade e alongamento, quase sempre deixado de lado pela maioria dos atletas, auxilia no relaxamento do corpo, na dissolução de pontos de tensão que possuem grande potencial de se tornar lesões mais sérias.

2) Toda esta parte física da prática nos conduz a um outro ponto interessante que é a forma de respirar. A respiração é uma ação tão automática, que nunca paramos para reparar que ela está acontecendo e, ainda, como está acontecendo.

O hábito de respirar mal – de forma curta e superficial – nos atrapalha bastante. Não temos fôlego para suportar uma atividade que demande grande oxigenação do corpo. E isso se revela na nossa dificuldade em conquistarmos maior resistência. Seja para provas longas ou até mesmo para sprints mais curtos. A frequência cardíaca fica bastante elevada, e ali, o atleta “quebra”.

Portanto, explorar as formas de respirar, deveria ser um exercício tão importante quanto a própria corrida. Dominar o movimento tanto do diafragma quanto do abdome e entender aonde a respiração começa e termina pode ser de grande ajuda.

3) E por ultimo, mas não menos importante, vamos falar sobre a mente, sobre o emocional e a capacidade de transformar uma mente – que tende a te sabotar em uma prova -, em uma mente capaz de permanecer focada.

E isso envolve as duas técnicas faladas anteriormente. Pense nisto como um exercício: você está se preparando para a sua corrida, você tem um objetivo e quer realizá-lo. Naquele momento você estabelece um compromisso consigo mesmo de que nada é mais importante do que a sua corrida. Portanto, deixe da lado outros compromissos como trabalho, família, contas e etc. Agora é hora de correr!

Quando o teu foco está no presente, no caso, na corrida, certamente a sua atenção já está nos movimentos em que o seu corpo fará. Lembre-se das posturas que você fez na aula. Lembre-se que a cada dia o seu corpo se apresenta de uma forma diferente; e se você quer o melhor dele (performance e segurança), deve adaptar a corrida ao que é possível naquele dia. Principalmente se for um treino. Para que forçar?

A sua atenção também deve estar na respiração de forma que o corpo suporte o esforço com a devida oxigenação. E também para que não surjam aquelas dores desconfortáveis no abdome, devido à uma respiração inadequada.

Sem grandes esforços já houve a transformação da mente de um estado normalmente distraído para um estado de foco no objetivo.

Com estas três técnicas, muitas coisas podem ser transformadas na sua corrida.

E lembre-se, o Yoga não está focado no corpo, mas pode ajudá-lo. No Yoga não há qualquer tipo de atitude exigente em relação a si mesmo, o que pode ser bem diferente da nossa atitude durante uma prova, já que o esporte pode ter este caráter. Unir um pouco dos dois talvez seja uma receita que te leve mais longe. Seja nos resultados que você busca ou numa vida atlética longeva.

Fica aqui o convite para a sua experiência. Boas práticas e boas corridas!

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