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Você se permite ficar à toa?

Você se permite ficar à toa?

Nowmastê

Por Thainá Cunha*

Já parou pra pensar na necessidade de ocupação que nós temos? Na dificuldade que é ficar à toa e simplesmente ser? Se você também se sente incomodado com isso, toca aqui. Você não é o único. Caso contrário, pode ser que você ainda não tenha ficado à toa por tempo suficiente para sentir a inquietação dentro do peito. O trecho de um texto do Muniz Sodré, que estava lendo outro dia, sintetizou bem o que acontece:

Thaína Cunha
Deve ser coisa do ser humano mesmo, né? Quando estiver numa sala de espera ou fila qualquer, olhe ao redor que a verdade estará lá: a maioria das pessoas vai tentar se ocupar de alguma forma. Com o celular, a televisão, conversando com os outros ou pensando no que fazer pro jantar. Se você já ficou desempregado por um tempo, se tornou mãe ou simplesmente deu um tempo do trabalho, já deve ter ouvido aquelas perguntas clássicas, como: mas quando você volta a trabalhar? Não está cansado de ficar à toa? Como se isso te definisse como pessoa.

Esse deve ser um dos motivos pelos quais inventamos tanta coisa para ocupar a mente. Quando me desafiei a ficar uma semana sem internet, me senti perdida por um momento. Parecia que faltava algo e que eu tinha que colocar qualquer coisa no lugar do espaço que ficou. Por que é tão difícil se permitir ficar à toa?

Uma das minhas hipóteses é por que a desocupação nos coloca em confronto com nós mesmos. Nos sentimos desconfortáveis em nossa própria companhia. Somos ansiosos demais para assistir o tempo passar. Acreditamos profundamente que estar ocupado nos faz alguém nesse mundo e, por isso, ligamos a nossa identidade à profissões, posições sociais, estudos e etc.

Enquanto evitarmos o ócio e nossas próprias questões internas, criando diversos artifícios para não olhar para dentro, o desconforto persistirá. E vai por mim: esse desconforto quer nos mostrar questões essenciais de nós mesmos e do mundo a nossa volta.

Que tal se permitir ficar à toa por um tempo e sentir o que o seu corpo quer lhe dizer? Apenas se ouvir, se observar, se perceber? Em tempos de estresse e ansiedade, esse pode ser um desafio (e um remédio) e tanto para nós.

Thainá Cunha*Meu nome é Thainá Cunha, moro em Ouro Preto, Minas Gerais e sou formada em Jornalismo. Acredito que gente inspirada, motivada e conectada consigo mesma tem um potencial incrível nas mãos. Trazer esse potencial à tona de forma leve e transformadora é a minha missão. E é através de conteúdo, produtos de informação e consultoria que inspiro as pessoas. No meu site, o Varal de Estrelas, você encontra matérias, entrevistas, opinião, dicas e ideias de autoconhecimento, estilo de vida e transformação pessoal.

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