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Você já conversou com sua sombra?

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Uma história sobre dragões e guardiões

Por Thianne Martins*

 Sombra e luz são simplesmente aspectos da totalidade.

No caminho de autoconhecimento, há vários momentos em que teremos, necessariamente, que olhar de frente para nossas sombras. Alguns deles, acontecem sem que percebamos conscientemente; outras vezes, pode ser mesmo uma escolha — pisar no abismo, apesar do medo.

Mas, o que é a sombra? Por que ela existe? Não seria melhor se vivêssemos todo o tempo somente na luz?

Não sei dizer. Só sei que sinto algumas desconfianças, quando vejo imagens de monstros e demônios, Dart Vader e afins, representando “o lado negro da força”.

Na tradição do Eneagrama, há duas histórias lendárias, vindas das influências cristãs, que levam a pensar sobre a sombra de uma forma bastante interessante.

Trata-se das histórias de São Jorge e Santa Marta, que vou contar aqui da forma como entendi e ater-me ao essencial para compreendermos o raciocínio sobre as sombras. De antemão, peço desculpas se algum detalhe escapar. O mais importante é a simbologia que acompanha estas lendas.

      São Jorge, matando o dragão e Santa Marta, com seu dragão guardião a seus pés.

São Jorge é bastante conhecido em nossa cultura, bem como sua história. Um homem forte, um guerreiro, que se depara com um enorme dragão (a sombra), um monstro perigoso e assustador, capaz de lançar chamas e destruição por todos os lados.
São Jorge, ao ser surpreendido pelo dragão com toda a sua força, toma uma decisão: matar! Seria impossível, uma temeridade conviver com essa sombra.

Ele veste-se de sua armadura, pega uma grande lança, sobe em seu cavalo e enfrenta o dragão com coragem, matando-o.
São Jorge acredita que a sombra foi exterminada. Que agora só a luz estará presente. Porém, após algum tempo, o dragão ressurge, revive e, novamente, ataca São Jorge com toda a sua força.

São Jorge, por sua vez, veste novamente a armadura e mata o dragão, que renasce das cinzas infinitamente, fazendo com que o guerreiro esteja sempre alerta a um novo ataque e pronto para a guerra. A sombra não morre.

Há uma outra história, agora de Santa Marta, menos conhecida em nossa cultura, que traz um ponto de vista bastante diferente na lida com a sombra.

Santa Marta, uma mulher bastante delicada, em um dado momento, depara-se com sua sombra, com um dragão que tenta atacá-la. Frágil, sem a força necessária para matar o monstro, sem armadura ou lança, Santa Marta precisa tomar uma atitude para reaver sua paz.

Na impossibilidade de matar o dragão, Santa Marta passa a observa-lo e percebe que talvez seja possível domestica-lo. Domesticar sua sombra.

Santa Marta encara sua sombra com verdade, atenta a seus movimentos, a seus padrões e talvez procurando encontrar algo de positivo, útil, importante naquela sombra.

Santa Marta doma o seu dragão, tornando-o seu guarda-costas. Como um cão de guarda, nas imagens de Santa Marta, o dragão aparece aos seus pés, muitas vezes até com uma corrente, uma coleira. O dragão segue com ela, protegendo-a.

Carregamos conosco nossa sombra e nossa luz. Negar as sombras, esconde-las, tentar mata-las é como matar um aspecto da nossa inteireza, do que nos torna humanos.

O Eneagrama, no Ocidente utiliza-se da dualidade pecado-virtude para explicar as características de cada um dos 9 perfis ou eneatipos. Ira e Serenidade, Orgulho e Humildade, Engano e Verdade, Inveja e Equanimidade, Avareza e Objetividade, Medo e Coragem, Gula e Temperança, Luxúria e Inocência, Preguiça e Ação.

Nós transitamos entre sombra e luz até compreendermos um terceiro ponto, que integra estes dois opostos. O ponto onde não há certo e errado, o ponto em que tomamos contato com nossa essência, aprendendo a utilizar nossas características iluminadas e sombrias a favor de nossa saúde, criatividade, trabalho, relações.

A sombra é uma ferramenta, assim como a luz. Quer um exemplo: você pode usar um momento de raiva para xingar alguém no trânsito, ser agressivo, violento ou para resolver um problema, criar algo, arrumar a casa… Uma energia visceral como a da raiva, quando direcionada, pode ser extremamente criativa e resolutiva… Tudo depende de como usamos.

Em cada sombra reside algo que nos protege, que nos ensina sobre nossos próprios limites, sobre atitudes inconscientes que estão prejudicando nossa saúde física e emocional, nossas relações, nossa vida.

Perceba que quanto mais você acessa seus pontos positivos, mais você coloca luz sobre suas sombras e elas aparecem mais! A sensibilidade fica maior. Mas observando a sombra com um certo carinho, com verdade, acolhendo e assumindo com vulnerabilidade, como algo que é simplesmente parte da sua vida e de cada um de nós, é possível integra-la.
Integrar sombra e luz é estar vivo por inteiro!
……

 

*Terapeuta, coach sistêmica, especialista em Eneagrama e Psicologia Transpessoal. Tem como missão de vida cuidar de pessoas, para que realizem as transformações que desejam em suas vidas e relações e tornem-se líderes de si mesmos, vivendo com inteireza e plenitude,

Atende individualmente e ministra cursos de Eneagrama para grupos e equipes de empresas.

Seu trabalho é cuidar de pessoas, através do coaching sistêmico, terapias, grupos de meditação, práticas e cursos de Eneagrama e da cuidadoria, uma organização de educação experiencial, voltada a transformar os ambientes através das relações!

É sócia da cuidadoria, empresa que desenvolve pessoas e equipes e líderes para relações mais harmônicas, criativas, produtivas, com propósito e bem-estar.

Estudou Psicologia Transpessoal na Associação Luso Brasileira de Transpessoal, Master Coach, Mentor e Counselor, Eneagrama e suas aplicações com indivíduos, grupos e organizações, Futuro e Novas Economias, Empreendedorismo Criativo, entre outras ferramentas. Estuda Arteterapia e terapia com mandalas.

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