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Viver é saltar do abismo

Viver é saltar do abismo

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Por Matheus Miranda, do blog SER e SÓ

“Com ou sem medo.

Você já pensou em fazer uma loucura algum dia? Fazer alguma coisa que te desse muito medo e que o risco de dar merda fosse grande? Então, outro dia pulei de bungee jump!

Olha, se você já é um apaixonado por esse esporte, não me entenda mal. O risco de dar merda nem sempre é real, afinal só saltei por ter total confiança nos profissionais que me instruíram. Mas a nossa cabeça é muito maluca e é sobre isso que quero conversar.

Comparo todas as sensações de saltar às que temos na vida diante de situações de decisão. No fatídico dia fui a um parque com duas amigas para um passeio inocente, sem propósito algum a não ser de jogar conversa fora, rir de coisas bobas e esquecer que no outro dia era segunda-feira. Até aí tudo bem, realmente fizemos isso e estava tudo seguindo conforme o script que eu tinha feito na minha cabeça antes de sair de casa. Até o momento que uma das amigas de caso já pensado e declarado resolve pular de bungee jump, afinal estávamos num parque de aventuras.

Por minha vez, vendo a animação dela pensei comigo, “por que não?”. E é aí que começam as semelhanças com a vida. Há sempre aqueles momentos em que do nada as coisas mudam de lugar, os pensamentos se agitam e uma decisão vem aparentemente do nada. É bem mais fácil manter tudo como está, como planejamos, mas sempre tem uma vozinha ecoando na cabeça e nos desafiando a fazer algo novo.

Há sempre aqueles momentos em que do nada as coisas mudam de lugar, os pensamentos se agitam e uma decisão vem aparentemente do nada. É bem mais fácil manter tudo como está, como planejamos, mas sempre tem uma vozinha ecoando na cabeça e nos desafiando a fazer algo novo.

Eu geralmente demoro para tomar uma decisão. Contudo, por teimosia ou orgulho, depois de tomada jamais volto atrás. E foi assim que segui até a plataforma do salto… tremo só de lembrar! O lugar é incrivelmente alto e ali a vida já vai nos dando motivos para desistir. O turbilhão de emoções que passam pelo nosso corpo quando expostos a um “perigo” é incrível. Lembrei de quantas vezes eu já desisti de coisas que queria muito por evitar sentir-me assim, mas como a decisão já estava tomada, desistir JAMAIS!

Então, é chegada a hora do salto. Antes do pulo o corpo tenta a qualquer custo fazer você desistir. O medo do que pode (preste atenção nisso) acontecer é tão grande que você amaldiçoa todos os deuses por não se permitir ser “fraco”. Você se torna dois, um te dizendo “vai” e o outro “você vai morrer”. Quando o salto é liberado o mundo para.

Quando eu falo para, é para mesmo! Tua mente entra em desespero que já não pensa mais. Nesse momento, saltar é só um gesto mecânico.

” 1… 2… 3…

A sensação de cair é bem conhecida. É como naqueles sonhos que você imagina estar caindo e acorda. A diferença é que você não acorda, você cai mesmo. Eu dei as mãos ao medo e saltamos do abismo, literalmente. Por alguns momentos estive à mercê do destino, das cordas, do vento, da física, de Deus… Estive suspenso no ar, a 70 metros do chão, depois de ter provado para meu corpo o que sou capaz de fazer o que meu coração tiver vontade. O resultado dessa entrega é o melhor que a vida poderia oferecer. E naquele momento o resultado foi a vida como ela é: eu, o sol, o vento, e o vazio.

Na vida é assim. Nossa mente tenta a qualquer custo manter aquilo que é conhecida para ela, não importa se é bem ou mal, construtivo ou destrutivo, é só conhecido. Temos um poder imenso além desse medo paralisante, temos uma capacidade infinita. Só quem salta de bungee jump, com medo ou sem, sabe da sensação que é estar no ar. Só quem na vida supera o medo, sabe a sensação de que é ser e fazer o que quer.

O grande segredo para saber se a decisão que se pretende tomar, se salta para a vida ou não, é ouvir o coração. Nele as respostas sempre estarão lá claras e certeiras.

Permita-se SER e SÓ.

*Matheus Miranda é um vagalume que se propôs a ser ele mesmo, mesmo sabendo que a busca por si mesmo é sempre algo constante e mutável. Apaixonado pela escrita é membro idealizador do blog SER E SÓ, o qual surgiu da vontade de viver em um mundo mais leve, divertido e com amor!

Veja o comentário
  • Olá Matheus! Feliz por saber que você foi em frente no desafio. Que deu as mãos com o medo e fez o seu pulo para o “abismo”. Tive uma experiência semelhante há muitos anos atrás quando pulei de uma altura de 80 mts a velocidade 100 km com mais dois colegas. Foi uma experiência inesquecível. Os três com medo! Nos apoiamos e enfrentamos esta aventura. Uma marca e um convite para aproveitarmos as oportunidades que a vida nos oferece. Grande abraço!

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