Viajar sozinha? Sim!

Por Ana Paula Fantin*

Esse post vai para você que pensa em viajar sozinha(o), mas não teve coragem ainda. Existem inúmeros motivos para fazer isso e você só vai descobrir a alegria dessa experiência, partindo.

Eu já havia viajado sozinha para alguns lugares do Brasil, talvez isso tenha sido um treino, quem sabe um desapego inicial para me motivar finalmente a partir sozinha para a Itália. Mas você pode começar por onde quiser, desde que vá.

Três semanas em um país totalmente desconhecido em que eu mal sabia falar e/ou interpretar o idioma, costumes diferentes, uma reputação de pessoas com pavio curto, enfim, os obstáculos na minha cabeça eram inúmeros e eu ficaria até amanhã aqui escrevendo. Mas depois que você volta, você percebe que os motivos felizes eram muito maiores do que os motivos preocupantes. E mais uma vez eu repito: você não vai descobrir isso lendo somente esse post, você vai descobrir partindo.

Há muitos anos eu queria conhecer a Itália, muitos anos mesmo. Eu vinha pensando nisso por volta de 10 anos, 10 preciosos anos na minha vida.

Um dia meu coração me falou que eu não poderia mais esperar, comecei a pesquisar os preços de passagens aéreas e, no momento certo, com uma promoção feliz, fechei.

Confesso que logo após fechar eu senti sensações boas e estranhas, do tipo: O que eu fiz? Sozinha na Itália? Mas nem inglês eu falo direito. Que legal, uhuu, Itália!! Não, peraí!

Pensei em desistir? Sim.

Às vezes eu me pegava conversando com Deus sobre os inúmeros receios que eu tinha.

A sociedade ainda induz você a ter receios quanto a isso, principalmente se você for mulher: – Mas você vai sozinha? – Nossa, que entediante, você vai passar grande parte sem ter com quem

conversar. – Melhor não, hein? É perigoso. – Por que você não espera um namorado ou uma outra companhia?

Mas eu fui! O primeiro passo eu já havia dado.

No dia da minha partida eu sentia uma ansiedade surreal. Quando vi, estava no aeroporto, ainda me questionando, mas só indo.

Cheguei em um país que me acolheu de braços abertos e sorrisos inesperados dessa mesma gente que tinha fama de “pavio curto”. Mas ok, encontrei alguns deles sim pelo caminho, afinal, eles estão em toda parte. Natural, não? Se fosse para ficar conformada com uma cultura só, eu ficava no Brasil, em casa.

Viajei por cinco cidades diferentes: Florença, Treviso, Veneza, Roma e Pisa. Uma sequência de surpresas boas e ruins: Desde perreios em hostels, ser parada por um policial dentro do ônibus, pois ele detectou que eu não registrei o bilhete eletrônico direito e me deu um sermão assustador, me perder em alguns lugares estranhos à noite, encontrar gente mal encarada pelo caminho, ter dor de barriga no meio do desconhecido e longe do hotel, pegar dois ônibus para o interior de uma cidadezinha no meio do nada porque, simplesmente, eu queria conhecer a cidade natal do meu avô. Até grandes emoções de ver com os meus próprios olhos a Fontana Di Trevi pela primeira vez, sentir o corpo inteiro arrepiar ao me deparar com o Coliseu e ficar espantada ao perceber que todas as fotos que eu vi dele na internet são totalmente diferentes do que ver ao vivo.

Quando eu comecei a perceber tudo que eu estava realmente vivendo, o medo deu lugar para a emoção e a alegria. Traçar rota de viagem, para mim, é uma das sensações mais gostosas da vida. E se perder durante essa rota traçada, então, eu descobri que é mais ainda.

Ao iniciar a viagem, ainda no aeroporto de Guarulhos, no Brasil, eu li uma frase de um anúncio sobre a segurança das bagagens que dizia: “Desculpe mas a sua rotina foi extraviada.” Genial! Aquilo me deu um enorme entusiasmo para entrar de cabeça no que eu estava vivendo ali.

Rotina é tudo que não temos em viagens. O novo nos surpreende a cada momento e não há carinho maior para a alma do que levá-la para passear.

Hoje, um mês após o meu retorno ao Brasil eu só posso dizer que não sou mais aquela pessoa que partiu. O que meus olhos viram mudou a forma como eu enxergo o mundo. Mudou a forma como eu enxergo a mim mesma, após me desafiar tanto por aí.

Então, o meu conselho é que se a sua dúvida persistir, vá com medo mesmo, mas não deixe de ir. Coloca o receio no bolso e segue o seu coração. A sensação de encarar a vida e o mundo, sozinho por aí, é inigualável.

 

*Sou viajante, escritora, praticante de yoga, amante da natureza, reikiana iniciada e apaixonada por tudo que envolva desenvolvimento pessoal e espiritualidade.

Uma vida baseada em uma frase: Conhece-te a ti mesmo.

“Parti em busca de um refúgio espiritual através de retiros, cursos, livros, terapias e meditação. No fim das contas, surpreendentemente, eu descobri que existia um refúgio no divino que habita dentro de mim.”

Instagram: fantinanapaula

E-mail: [email protected]

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