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Van Mantuani – professora de Yoga

Van Mantuani – professora de Yoga

Nowmastê

A Van Mantuani é profesora de Yoga Vajra – uma forma de yoga associada ao budismo tibetano – e colaboradora do Nowmastê. A seguir um breve bate-papo para você conhecer um pouco mais sobre quem nos inspira.

Como o Yoga entrou na sua vida?

Assim que engravidei surgiu uma certeza de que o Yoga era a atividade mais propícia para o corpo – que se modifica a cada dia e a mente que flutuava em emoções e desafios novos. Procurei um local para começar a praticar, não conseguia acertar horário e a Yoga só foi possível quando o filho Gabriel nasceu. Assim que cheguei em casa com o bebê, a única coisa que sabia era que teria que permanecer, ao menos, três meses dedicando-me ao aleitamento. Então, entre uma mamada e outra, havia um espaço de tempo considerável e, foi aí que encontrei um vídeo do Lama Padma Samten, ensinando Como Começar a Meditar. Um vídeo curtinho, de 24 minutos, que enfim me fez entender a simplicidade de sentar em silêncio. Experimentei meditar, enquanto o bebê dormia. Percebi todo o turbilhão de emoções e expectativas do “ser mãe, mulher” se acalmar.

Daí por diante, assisti todos os vídeos de retiros de meditação oferecidos por esse professor generoso que disponibiliza tudo, pelo Youtube. Era tão coerente e familiar quanto irresistível.  Na época, morava em Barueri, próximo ao templo Zu Lai (monastério budista chinês), que foi o local onde  comecei a praticar Hatha Yoga (a parte física do Yoga), estudar o Darma e praticar meditação todos os dias. Até finalmente me mudar para o CEBB Caminho do Meio (aldeia de estudos budista, no Rio Grande do Sul), onde pude me dedicar exclusivamente à essa escola e tradição que tenho mais conexão.

Experimentei meditar, enquanto o bebê dormia. Percebi todo o turbilhão de emoções e expectativas do “ser mãe, mulher” se acalmar.

Foi amor à primeira vista?

Sim. Com certeza. Além de amar a execução precisa e os resultados imediatos que a prática dos asanas e pranayamas oferecem, o amor por todos os seres floresce de forma espontânea com a prática de Yoga.  

E a decisão de se tornar professora?

Huuummmm… não foi bem uma decisão. A história foi assim: Meu professor de yoga permitia que eu praticasse com meu bebê de 6 meses na sala. Eram poucas pessoas e a sala ampla, mas depois de um ano de aulas diárias ele mudou-se para o Nordeste do Brasil e, então, para manter a continuidade da minha prática pessoal, precisava de um propósito e um compromisso. Resolvi oferecer aulas introdutórias de yoga e meditação no condomínio onde morava. Uma semana depois uma vizinha me indicou para a prefeitura de Barueri que me contratou como professora de Yoga, portanto tive que fazer a formação. E essa foi a melhor “decisão” que tomei em minha vida. A maior alegria de uma ex-enfermeira é oferecer um remédio que além de curar muitas doenças do corpo físico, equilibra a energia sutil prevenindo inúmeras doenças e sofrimentos psíquicos. Yoga é puro amor.

Yoga é puro amor.

Por que o Yoga Vajra?

Por que Yoga Vajra é como ferramenta que, após experienciar as práticas que equilibram os cinco lung´s (energia vital dos cinco elementos) segundo a cultura tibetana e perceber como é possível viver de forma mais harmoniosa, direcionando a energia e ir além dos impulsos. Vi que, através do Hatha Yoga aliado a essas práticas contemplativas sutis de como a energia se move e como em cada experiência da vida cotidiana podemos perceber o excesso ou deficiência delas, surgiu essa forma de prática (Yoga Vajra), onde ofereço uma singela síntese dos inúmeros saberes dos mestres da tradição tibetana (Lama Padma Samten e Tenzin Wangyal Rimpoche) com material didático, sugestões de práticas e a experiência de realizar aulas de yoga temáticas onde, em cada aula reconhecemos e re-equilibramos o lung de um elemento. Por fim, o praticante cultiva maior estabilidade, reconhecendo as emoções assim que eles surgem e tem maior autonomia para decidir se segue o impulso ou não. Tipo: se come a barra de chocolate inteira ou não :).

Vajra significa um campo vasto e profundo de possibilidades. É também um objeto usado em cerimonias budistas tibetana, que tem como significado a natureza da mente em equilíbrio, mesmo em meio a prazeres ou angustias. Yoga Vajra nasceu de forma natural à partir dessas práticas de focar a energia dos cinco elementos, que é apenas um preparatório. Uma etapa de pacificação onde equilibrados CORPO, ENERGIA E MENTE para poder, enfim, alcançar a liberação completa do sofrimento, das emoções perturbadoras e do autocentramento.

O praticante cultiva maior estabilidade, reconhecendo as emoções assim que eles surgem e tem maior autonomia para decidir se segue o impulso ou não.

Qual a principal mudança que o Yoga te trouxe?

Leve pacificação dos apegos e aversões que me prendiam em um ciclo de insatisfação, já que tudo é impermanente. Não quero dizer que estou completamente liberada das emoções, apenas, em algumas situações consigo observá-las e não reagir ou mantenho a alegria independente de condições externas. Graças a prática e contemplação dos textos que contém as experiências realizadas por tantos yogues, à mais de 8.000 anos. Yoga é uma sabedoria prática transmitida de mestre para aluno.            

Como mais o Yoga está presente na sua vida, além das práticas de asanas?

Essa é uma ótima pergunta, mesmo. O Yoga está presente em todas as experiências. Uso para perceber a alteração de energia na vida cotidiana. Por exemplo, quando bate aquela preguicinha de lavar louça. Posso simplesmente deixar para lavar depois ou assumir uma postura interna de firmeza e estabilidade, lembrando do lung´s (energia vital) do elemento terra, assim como experimentamos quando entramos na postura (asana) da montanha (Tadasana). Outro exemplo é em uma situação onde me sinto desconfortável na presença de alguém ou em um ambiente específico. Posso sair do lugar, me afastar da pessoa ou lembrar do lung do elemento água, que sentimos as qualidades de relaxamento, fluidez e suave persistência, nesse momento, percebo se existe alguma área do corpo rígida e solto. O relaxamento e acolhimento da situação, ocorrem de forma natural. Existem diversos exemplos de como uso a prática de Yoga Vajra para agir no mundo de forma – um tantinho – mais lúcida para criar menos problemas e gerar mais benefícios.

Quando isso acontece a alegria brota de forma espontânea. Com a prática, podemos ter autonomia no movimento da energia. Isso é, a minha felicidade e equilíbrio não depende de fatores externos – que são transitórios – mas, aciono as qualidades dos lung’s dos elementos em meio aos movimentos da mente, emoções e sensações que perturbam. Reconheço esse aspecto de liberdade natural.

A intenção é reconhecer e equilibrar a energia vital.

O que não pode faltar na sua aula?

1 – Coração aberto. Sim. É muito importante ter o coração pronto para expandir. É desse lugar que surge a alegria e saúde.

2 – Motivação correta. Lembramos dessa cultura milenar do yoga e o modo como todo esse conhecimento chegou até nós à partir de mentes compassivas com a motivação de trazer benefício aos seres. Nos colocamos nessa posição de: através dessa prática física, que eu possa ter autonomia de energia e acessar esse lugar livre para trazer benefício a todos ao meu redor. 

3 – Compromisso alegre. Isso mesmo. É preciso compromisso e firme determinação para iniciar a prática de yoga que é uma prática pessoal e diária. Mas sem grande seriedade, como alguém que precisa fazer algo para chegar em algum lugar. É preciso leveza de aceitar a evolução dentro do seu biotipo. Lembrando que a intenção não é ser contratada para um circo, onde o foco é colocar o pé na cabeça, rs. A intenção é reconhecer e equilibrar a energia vital.

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