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Vai ficar aí parado? Uma reflexão sobre Mindfulness

Vai ficar aí parado? Uma reflexão sobre Mindfulness

Nowmastê

Por Juliana Bizare*

Pode-se dizer que Mindfulness é simplesmente parar e ver!!! Já que estamos constantemente fazendo alguma coisa e nos movendo de um lugar a outro, nosso padrão energético nos carrega de uma experiência a outra, de um pensamento ao outro sem muitas vezes nem nos darmos conta de como chegamos em algum lugar. Então nossa primeira prática é aprender a parar.

Para poder ver mais claramente precisamos primeiro parar e acalmar nossa mente – parar nosso padrão energético, parar nosso esquecimento, e parar nosso constante correr atrás de uma coisa e outra.

Portanto sugiro que desde já, enquanto lê esse artigo, que você se acomode e esteja presente no seu corpo, sentindo ele de alguma maneira. Confie que sua mente vai absorver o conteúdo dessas palavras e deixe que sua atenção repouse no seu corpo.

Todos sabemos que existem várias abordagens de meditação, e uma variedade enorme de tradições religiosas e filosóficas por trás dessas abordagens. Umas que enfatizam observar a respiração, enquanto outras se utilizam de visualizações e afirmações positivas. Algumas tradições enfatizam mantras, enquanto outras abominam o uso de mantras. Embora mindfulness tenha suas raízes no Budismo, ela é universal e não pertence a nenhuma tradição específica. É acima de tudo uma maneira de viver com mais foco e presença. Podemos praticar mindfulness enquanto sentados, em pé, deitados, caminhando e enquanto nos envolvemos nas tarefas do dia-a-dia.

Então talvez você esteja se perguntando o que é mindfulness exatamente? Em sânskrito a palavra para Mindfulness é Smriti, que literalmente quer dizer “lembrar”. Quando nos lembramos, nós prestamos atenção ao que está acontecendo no momento. Aprendemos enxergar a realidade como ela é, e não como gostaríamos que ela fosse.

Por isso é dito que atenção não é uma técnica, ou algo que precisamos alcançar. Já temos a capacidade de mindfulness e praticamos isso constantemente de uma maneira ou outra. No entanto nossa atenção pode ser “correta” ou “incorreta”. Correta quando estamos prestando total atenção, uma atenção simples e crua ao momento presente. Incorreta quando estamos atentos a alguma coisa que nos tirou do estar totalmente presentes no aqui e agora.

Mindfulness é observar as coisas como elas são, sem escolher, sem comparar ou julgar, sem avaliar, sem acrescentar nossas projeções ou expectativas ao que está acontecendo. Simples certo? Entretanto simples não quer dizer fácil. É necessário cultivar e praticar essa qualidade de presença que existe em cada um de nós. Uma imagem bastante ulitilizada para descrever essa qualidade da mente é imaginar nossa consciência ser como o céu. Todos os pensamentos, sentimentos e sensações – na verdade todas nossas experiências, físicas e psicológicas – são como nuvens passando pelo céu. Nós temos a tendência de nos identificar com as nuvens de pensamento, projeção, avidez e aversão e ignorar o céu. Nossa prática da atenção plena é cultivar essa mente de céu grande e permitir que todos os fenômenos passem por nossa consciência, sem sermos varridos ou presos em nada disso. É desenvolver essa qualidade da mente que inclui tudo, que é alerta e espaçosa.

Mindfulness é basicamente uma maneira particular de prestar atenção. É uma maneira de olhar para si mesmo profundamente no espírito de auto reflexão e auto conhecimento. É viver a vida como se cada momento importasse e nos oferecesse algo com o qual podemos trabalhar, mesmo que seja um momento de dor, tristeza, raiva, desespero ou medo. Esse trabalho envolve além da prática disciplinada da atenção momento a momento, você encarar e se “apossar” de cada momento da sua experiência, boa, ruim, feia ou bela. E fazer tudo isso com muita compaixão e uma amorosidade generosa para consigo mesmo e outros.

Jack Kornfield, professor Budista e mestre de meditação que vive na California, diz que “meditação é uma prática que pode nos ensinar entrar cada momento das nossas vidas com sabedoria, leveza e senso de humor. É a arte de nos abrir, a arte da entrega; e não de acúmulo e luta”.

*Instrutora de Yoga e Meditacão Mindfulness, praticante do Dharma, terapeuta-cuidadora do corpo e do Ser, viajante e cidadã do mundo, amiga, aprendiz de Ser Humano que ama brincar e dançar!

https://www.julianabizare.com/

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