Um libelo à liberdade do meu corpo

Por Lara Lobo*

[Reflexões acerca da relação com o meu corpo, depois de assistir ao documentário australiano Embrace]

O documentário “Embrace”, produzido pela ativista australiana Taryn Brumfitt, fez-me rir, chorar e pensar – com ainda mais profundidade – acerca de como eu (e a maioria de nós, mulheres) me relaciono com meu corpo.

Desde muito pequena, aprendi a odiá-lo. Nunca estive dentro dos padrões. Sempre fui mais gorda do que a média; sempre fui vista como a menina que é “tão linda de rosto, mas tão gordinha”. Desde muito cedo, escutei -inclusive de profissionais da saúde- que teria de fazer dieta para o resto da minha vida. Já não havia saída: a batalha com o meu corpo havia sido declarada.

E eu acreditei que teria mesmo de lutar contra ele, que sempre foi tão forte, tão firme, tão estável e me permitiu fazer tudo o que sonhei. Ele, que me transportou para todos os lugares que desejei conhecer e explorar, que me proporcionou tantos momentos felizes e de prazer, ele, que nadou, fez ginástica olímpica, patinou, fez dança, jogou vôlei, futebol, pedalou e aprendeu difíceis posturas de yoga. A despeito de tudo isso, não fui grata. Reclamei dele todos os dias da minha vida e desejei habitar outro corpo: um corpo magro, esbelto, atlético, sem estrias nem celulites. Um corpo que não fosse o meu.

E essa luta me massacrou psicologicamente, fez-me me sentir inferior, menos capaz e menos bela. Essa luta me tirou tanta energia e me gerou tantas frustrações.

Essa batalha foi, por muitas vezes, quase declarada perdida.

Durante a maior parte da minha vida, a culpa em comer o que sentia vontade (mesmo que em porções moderadas) me tirou o sono. Atualmente, comer hoje qualquer coisa que faça a diferença na balança amanhã ainda me deixa, de certa forma, angustiada. Sim, eu acreditei que sempre precisaria fazer dieta e controlar tudo o que comesse. E essa crença se instalou em meu corpo: se eu comer um pouco a mais ou um pouco diferente do que costumeiramente está no meu plano alimentar, a balança sobe de 1 a 3 quilos em poucos dias. A crença se tornou realidade em minha vida. Minha obsessão em não engordar me fez estar sempre à espreita dos quilos a mais que pudessem chegar.

Por muitos anos, eu não tive paz.

Hoje, como muitas mulheres com mais de 30 anos, mais madura e mais autoconsciente, declaro o fim da batalha. A trégua finalmente chegou. Não haverá mais guerra, nem dietas, nem culpa, nem obsessão. Declaro que amarei meu corpo exatamente como ele é: forte, lindo, estável, determinado e imperfeito.

Declaro que continuarei cuidando com amor e atenção da qualidade dos alimentos que o nutrem, dos movimentos que o energizam, dos carinhos e mimos de que necessita e do merecido descanso que lhe convém.

Declaro que os padrões serão os meus, aqueles possíveis para mim, e não os ditados pela mídia e pela indústria cosmética.

Declaro mais autocuidado, mais amor e muito mais compreensão.

Declaro abolida a necessidade de alcançar a perfeição. Ele já é perfeito, com todas as suas imperfeições.

Declaro liberdade. Dele e minha.

Que todas as mulheres possam se unir a esta declaração.

Com verdade e amor.

Sejamos todas verdadeiramente livres (dentro de nossos corpos).

*Lara Lobo, diplomata, escritora, professora de Yoga, fotógrafa amadora e estudiosa do desenvolvimento pessoal.

Já morou nos Estados Unidos, em Gana (na África) e atualmente vive e trabalha no Peru.

Facebook: A Busca do Equilíbrio
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Instagram: @abuscadoequilibrio

Um Comentário

  1. Olá Lara! Me identifiquei muito com a sua mensagem e me uno neste grito de liberdade! Ser mais grata ao corpo! Gratidão!

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