Turbulências, trovoadas, escuridão, rochas, tudo isso você pode encontrar no caminho da meditação

Paula Zogbi

Quase sempre que me deparo com o termo meditar, seja em depoimentos ou leituras, encontro caminhos serenos, de plenitude, mansidão, como se o templo da paz e da luz estivesse logo ali, a apenas um passo. Basta sentar, respirar e em instantes entramos em contato com aquele Ser perfeito, iluminado, pleno, repleto de amor-próprio e amor incondicional por tudo e por todos.

Esta não tem sido a minha trilha. Bem que gostaria! A meditação, algumas vezes, tem me levado a um caminho tortuoso, lotado de pedras, farpas, formigueiros, raios e trovões. Claro, nem todo dia é igual. Nem todo dia é nublado, assim como nem todo dia é verão e sol e um barquinho a deslizar. Mas, desde que me propus a mergulhar profundamente em mim mesma por meio da meditação, resolvi deixar o controle-remoto sem pilhas. Ao menos nesses momentos.

escuridao

Me proponho a fazer a entrega, digamos, necessária. E confesso ter visto coisas em mim que me surpreendem um tanto. Faço um esforço danado para não julgá-las, o que não é fácil, porque isso já é um vício. Vou mentir se disser que sou uma pessoa livre de julgamentos. Bem que gostaria! E é justamente sobre essas rochas estagnadas, trovoadas, escuridões que encontro pelo meio do caminho aquilo que gostaria de compartilhar com você.

O quanto ainda é preciso de fato assumir que sim, julgo, sim, tenho preconceitos, sim, tenho padrões muito sedimentados, sim, tenho muita dificuldade em fazer mudanças internas e externas para poder, finalmente, ter forças e coragem genuínas para ir retirando pedrinha por pedrinha com amorosidade, sem rancor. Entendê-las e acolhê-las, todas, como capítulos de uma linda história de vida que me trouxeram até aqui.

pedra

Meditar para mim tem sido me entregar para o inesperado. Quando vou me sentar, respiro fundo para acolher e observar o que se apresentar, sejam pontinhos escuros ou pontinhos de luz.

Se ao final de meia-hora eu tiver passado por uma grande turbulência, que bom, esse era o meu momento, a minha verdade, que bom que pude enxergá-las, senti-las vibrando em todo meu corpo, mente, sem mentir para mim.

turbulencia

O que não posso é sentar e me enganar na expectativa de que ao final de cada meditação sempre emergirá um Ser que enxergou um caminho liso, pronto, fácil, repleto de luz e paz.

Tenho dito uma frase para mim que talvez faça ressonância para você:

“Acolha a sua verdade, seja ela qual for”.

 Até a próxima.

Namastê

Paula Zogbi

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