Transformar a si mesmo

Por Marcia Nascente*

Nos 4 posts anteriores sobre cultura de paz abordei questões sobre o conhecimento de si, a sensibilidade para cooperação, a melhoria das interações no presente e o sentido de pertencimento.

Marcia Nascente

Transformar a si mesmo

As relações são carregadas de conflitos, inerentes ao perfil subjetivo que envolve o comportamento humano recheado de aspectos culturais, morais e sociais.

Transformar os padrões de interação e promover as mudanças construtivas dependem desses aspectos entrelaçados que se tocam, se ampliam, com muitos efeitos colaterais.

Nos exemplos mais cotidianos, na família, comunidade, no trabalho, há situações ligadas aos costumes, formação, diferentes pontos de vista que, somados à condição social geram o atrito.

Pode ser muito tênue a maneira de se observar os fatores envolvidos e o que faz parte, o que pode e o que não pode, o manejo existente no sentido da não violência.

As divergências precisam muitas vezes de interferência de terceiros que mediam a situação para restabelecer o equilíbrio entre a causa e a tensão que gera o conflito.

Prevenir o confronto, normalmente relacional, pode ter um suporte ferramental que evita desdobramentos, que prossigam e virem um processo, vinculado a leis e autoridade externa.

Ferramentais

Os ferramentais de círculo de diálogo, mediação de conflitos, comunicação não violenta e justiça restaurativa, por exemplo, se baseiam neste compromisso da não violência.

Círculo de Diálogos

. O círculo traz a experiência, o coração, a voz da vivência, coisas que aconteceram, a intuição e pode ser adotado nos processos de diálogo como um dispositivo capaz de levar ao entendimento mais humanizado.

. Usado tanto em escolas, organizações, sessões judiciais, comunidade e família possibilita a conversa, em que a voz é contemplada, cada um olha para si e para o outro na mesma distância, pelo bastão da fala, com empatia..

Mediação de Conflitos

. Cada vez mais aplicada no universo da justiça, saúde, política, segurança, a mediação de conflitos pode ser tanto uma forma de resolução ou de transformação. A mediação de uma terceira pessoa, neutra e habilidosa, facilitará o diálogo numa situação de limite, sem que nenhum dos lados se sinta prejudicado.

.  Resolução: a resolução se baseia na forma como é praticada diretamente no sintoma, no centro do conteúdo aparente que gerou o problema em si e a crise que se resolve por meio de um acordo.

. Transformação: a transformação considera ambos, o conteúdo imediato e o contexto relacional (padrões de comunicação, identidade e questões de poder) para a mudança construtiva a médio e longo prazos.

Comunicação Não Violenta (CNV)

. Deixar um espaço aberto para a escuta, a empatia e a compaixão na Comunicação Não Violenta (CNV) até enxergar o que envolve o ato de violência, sem julgamento de valor.

. Atua na forma e reinterpretação da maneira de agir, na intenção do que estamos fazendo e na maneira de estarmos presentes na relação a partir de como nos vemos pelo olhar do outro.

. Os pilares da CNV são as necessidades humanas universais e a conexão que envolve o intrapessoal, o interpessoal, o coletivo e o sistêmico.

. O conflito sinaliza que algo não está bem e quando aparecer, o importante é praticar o senso de humanidade, o olhar de paz positiva, o altruísmo num movimento contínuo, percebendo o poder da escuta empática e a expressão autêntica.

Justiça restaurativa

. Os processos gerados por conflitos que podem passar pelo processo de mediação, em que todos serão impactados de forma direta, uma vez que na justiça serão aplicadas leis e que nem sempre vão conseguir dar conta das demandas culturais e relacionais.

. Na justiça, o sentido de restauração e de inclusão, o passo seguinte no caminho da harmonização e a reflexão sobre a convivência relacional não violenta, que apontam para o poder da conciliação de acordos, que começa na mente das pessoas.

. A família e escola deveriam ser tomadas como base estrutural para crianças e adolescentes, mesmo assim altos índices de atos violentos acontecem em casa e na escola e como fica a situação dos menores.

Qualquer pessoa pode fazer a sua parte, na sua própria área escolher um dos ferramentais ou mesmo atender as demandas de cura e terapia que possam melhorar as relações de convivência que não podemos deixar de enxergar e não há como se rotular.

Site e livros:

www.palasathena.org.br

 O princípio da não violência – Jean Marie Muller

 O cálice e a espada – Riane Eisler

 Transformação De Conflitos , série da reflexão à ação, W. Dietrich

 Processos circulares – Kay Pranis

 Diálogo – David Brown

Marcia Nascente

*Marcia Nascente
Sou formada em Jornalismo, cursei MBA em Marketing, além de cursos de extensão em Comunicação, Gestão de Marcas, Branding Cultura e Curadoria de projetos.

Após trabalhar 18 anos em empresas, abri minha assessoria há 4 anos – Nascente Branding & Comunicação – com foco em revitalização de marcas e comportamentos e como facilitadora em workshops em temas correlatos.

Integrar o curso de Cultura de Paz e Dinâmicas de Convivência há 8 meses foi um divisor de águas para mim, após ter realizado desde 2013 estudos em filosofia, o que é a consciência e bases biológicas da ética, todos na Palas Athena.

Acredito que o meu despertar para os temas transdisciplinares que norteiam a cultura de paz ocorreu há muito mais tempo, desde jovem, ao gostar de humanas, artes, fazer teatro, morar fora e, principalmente, vivenciar as relações no cotidiano.

Tive movimentos de querer experimentar algo mais holístico, participei de alguns retiros no sítio Mandala e de grupos de estudo, na prática da yoga, da espiritualidade e nas terapias para o autoconhecimento.

Por conta disso, abordarei o tema a convite do Portal Nowmastê para refletir por que cultura de paz significa ação em busca do bem comum.

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2 Comentários

  1. Delícia de texto Márcia

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