Transformando a Consciência do Planeta

©Catherine Wilkins, 2007, tradução Monika von Koss*

Correntemente, a consciência coletiva é muito codependente. Ou seja, é construída em torno de uma hierarquia de dominação-controle, em que a luta constante ou o esforço consiste em controlar outros ou ser controlado.

Mais especificamente, isto se manifesta no triângulo de papéis em que caímos nos relacionamentos, sejam eles no trabalho, em nossos relacionamentos íntimos ou de amizade ou, mais comumente, com nossas famílias. Os três papéis que formam este triângulo são o do salvador, do opressor e da vítima.

Resumidamente, o opressor toma a energia da vítima, de uma forma ou de outra, então o salvador a retira do opressor e o dá de volta à vítima. Compreender este ciclo de codependência é essencial, se quisermos entender que o salvador é parte do problema tanto quanto o opressor. Muitas vezes ficamos confusos no começo, porque parece que o salvador está auxiliando a vítima, mas quando examinamos a situação mais de perto, começamos a nos dar conta que o salvador está constantemente fortalecendo a vítima para que o opressor a rebaixe uma vez mais. Um salvador não ensina à vítima como NÃO se tornar uma vítima (esta é a verdadeira ajuda), mas simplesmente a deixa mais confortável em sua condição de vítima. A luta constante da consciência codependente consiste em (a vítima) evitar a responsabilidade, manipulando alguém outro para ser responsável por ela, isto é, tomar as decisões por ela; por outro lado, a luta entre o salvador e o opressor é sobre quem detém o controle da vítima. Isto nos leva à regra de ouro da codependência: se você não quiser ser codependente, nunca tome decisões por alguém outro e nunca permita que outro tome decisões por você.

Isto, claro, não quer dizer que você não possa se aconselhar. Mas lembre-se, a beleza do conselho é que você NÃO precisa segui-lo. Isto tem que permanecer SUA escolha. Quando consideramos nossas estruturas sociais, começamos a perceber como todas elas têm sido construídas ao longo de linhas de codependência. Nosso sistema legal não trata de ensinar à vítima como se tornar mais forte, mas trata de decidir quem é o opressor. Nosso sistema médico moderno está focado no médico assumir responsabilidade pela sua saúde. Nosso sistema educacional se esforça para tornar os professores mais e mais responsáveis pelo aprendizado e às vezes até pela inteligência de seus alunos. Muitos dos nossos sistemas de bem estar social tratam de redistribuir o controle de crianças ‘em perigo’, em vez de focar nas causas que criam o perigo na situação, tal como auxiliar na educação parental. E a lista continua.

Todos nós fomos assiduamente condicionados por nossa educação a sermos codependentes. Enquanto a codependência é um estágio normal do desenvolvimento, ela se torna problemática quando permanecemos neste estágio e não crescemos para além dele. Pense nas crianças cujos pais exercem tanto controle sobre suas vidas, que elas nunca crescem para além deste controle e permanecem incapazes de tomar decisões para si mesmas, mesmo em seus anos de maturidade. Assim é nossa consciência coletiva e nossa sociedade atualmente.

flock of migrating canada geese birds

Está na hora de crescer, crescer para além da codependência e desenvolver uma sociedade mais interdependente.

Para que isto aconteça, a energia da consciência coletiva precisa se transformar em uma que não é mais codependente, mas interdependente. Precisamos que a própria consciência coletiva se transforme. Apesar disto contar com o auxílio evidente de todas estas almas corajosas que têm a coragem de viver a partir de sua própria integridade, de viver na plenitude de sua autenticidade e se tornarem interdependentes, começando a se mover em direção à independência, algo mais é necessário.

Alcançar a interdependência requer uma escolha consciente, bem como muitas habilidades de vida. Não é algo que qualquer um de nós atinja simplesmente ‘indo com o fluxo’. Ir com o fluxo é um estado passivo, que requer nossa cooperação com a vida e nossa permissão e aceitação do que está acontecendo conosco e com o mundo, para continuar sem interrupção. Apesar disto às vezes poder ser benéfico, apenas é benéfico quando o fluxo está indo na direção que nós precisamos, para realizar nosso propósito de vida.

Quando o fluxo da vida não está indo na direção que requeremos, então precisamos fazer algo. Caso contrário, estamos nos permitindo tornar vítimas do fluxo da vida, permitindo que a vida faça as escolhas por nós. O que significa que ainda estamos sendo codependentes. Certamente que a cooperação é um elemento poderoso da interdependência, mas não é a cooperação a qualquer preço. É a cooperação que nos beneficia e auxilia a alcançar nossa intenção, direta ou indiretamente. Para que funcione, significa que primeiro temos que fazer nossas escolhas quanto ao que são nossas intenções.

Há algo que todos nós viemos fazer aqui, quer lembremos disto conscientemente ou não. E o que quer que seja, é algo que apenas nós, em todo o mundo, podemos fazer. É um trabalho que precisa de nossa específica energia e perspectiva e experiência e ponto de vista para ser feito. É um trabalho que apenas nós podemos fazer, de modo que se não o fizermos, ele não será feito. E assim, o futuro do Universo será diferente do que poderia ser. Portanto, não é exagero dizer que o futuro do Universo depende de nós.

Contudo, não podemos alcançar o que viemos fazer, sem primeiro escolher fazê-lo. Muitas vezes, o que viemos fazer era, claramente, algo que ainda não estava sendo feito. É por isto que requer nossa intenção e foco conscientes. Requer que coloquemos a energia necessária para produzir ressonância em torno de nós, a fim de realizar o que queremos. Isto não é algo a que o fluxo sempre se dirige – se o fizesse, então talvez não precisaríamos realizar aquilo que viemos fazer. Mas nós precisamos. Ao sustentar nossas intenções, fazer escolhas por nós mesmos e trabalhar em direção a elas, mesmo quando surgem os desafios, nos distanciamos de nossas próprias codependências. E, incidentalmente, ajudamos a transformar a consciência coletiva. Pois somos um membro deste coletivo.

Este texto foi selecionado e traduzido e publicado por Monika von Koss e puclicado aqui.

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