Sobre relacionamentos: o espaço aproxima

Por Ana Paula Fantin*

Em anos de distorcimento eu achava que o relacionamento ideal era aquele em que eu e o meu parceiro éramos um só. Desde os mesmos gostos e ideias até o sufocar de querer praticamente viver a vida da pessoa.

Com o tempo eu fui vivenciando situações em que essa proximidade não me parecia mais tão benéfica, talvez pelo fato de que eu tenha percebido que, proporcionalmente, à medida em que eu exigia essas coisas de um ser humano, eu estava projetando nele coisas que faltavam em mim.

Essa história de que primeiro a gente tem de ser feliz sozinho é realmente verdadeira. Porque quanto mais completos estivermos, menos a outra pessoa vai precisar pertencer a nós, nos completar, ou fazer um papel de supridora de carências.

E isso só é possível quando ambos possuem espaço.

Espaço de ir e vir, espaço de pensar, espaço de ser, espaço de existir e, mesmo amando muito uma pessoa, poder fazer escolhas pelo seu próprio bem, em primeiro lugar.

Crescemos baseados em muitos contos de fadas que contribuíram diretamente para essa nossa distorção em relação a estar com alguém. A sonhada alma gêmea, ou o príncipe que vem para nos salvar. É claro que isso tudo é muito bonito e pode até fazer certo sentido, mas desde que se tenha a clareza e a maturidade suficientes para distinguir o real do irreal.

Ter espaço numa relação é o momento em que eu delimito em mim até onde o outro está saudável para habitar e vice-versa. É o momento também em que eu deixo o outro tão livre para ser quem ele é, que percebo que quando ele decide vir até mim e ficar ao meu lado é espontâneo, é divino, é de um lugar de luz. E cá entre nós, não há sensação mais gostosa e pura do que essa: perceber-se tão agradável e amado para que o outro queira ficar.

É claro que falando de seres reais e feitos de carne e osso como nós, é bem complicado conseguir viver 100% do tempo essa liberdade sem projeções, até mesmo porque, a graça de se estar com alguém, é o compartilhar real de vida, a identificação consciente. Porém, eu também creio que quando duas pessoas curadas em seu masculino e feminino se juntam, uma transcendência maravilhosa pode acontecer. E uma união a partir desse prisma, opera milagres no propósito de vida de cada um.

O espaço aproxima. O espaço existe para que o ser que habita em mim queira habitar o mundo do ser que é você, mas sem possuir.

Namastê!

*Sou viajante, escritora, praticante de yoga, amante da natureza, reikiana iniciada e apaixonada por tudo que envolva desenvolvimento pessoal e espiritualidade.

Uma vida baseada em uma frase: Conhece-te a ti mesmo.

“Parti em busca de um refúgio espiritual através de retiros, cursos, livros, terapias e meditação. No fim das contas, surpreendentemente, eu descobri que existia um refúgio no divino que habita dentro de mim.”

Instagram: fantinanapaula

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