Sobre o Yoga e a relação professor-aluno

Por Mark Whitwell*

Professores respeitam alunos. Através de sua própria prática o professor desenvolve a atitude de cuidar de seus alunos com tolerância e de forma não-reativa; com paciência, cuidado e amizade em todas as situações.

Não existe a necessidade do professor ajustar ou tocar de qualquer forma seus alunos, com a exceção de um toque muito leve e eventual para orientar uma direção. Professores não interferem no processo físico ou energético dos alunos. A assistência física nega ao aluno sua própria intimidade com a respiração, os bandhas e a sua energia.

Alunos devem ser cuidadosamente instruídos nos princípios da prática com palavras e, se necessário, com gestos e demonstrações moderadas.

O professor deve cuidar para que qualquer demonstração de asana ou pranayama feita não crie idealismos ou padrões no aluno, pois isso o distrai do seu processo individual e pessoal do Yoga.

A relação professor-aluno é igual, negociável e sem hierarquia. Aceitar socialmente que um professor exerce autoridade sobre seus alunos está sendo rebatido como uma questão problemática de uma “hierarquia velada” no Yoga. Essa hierarquia velada faz com que o aluno se sinta inadequado e faz com que ele procure ideias exteriores, em vez de simplesmente se entregar a sua própria e hereditária perfeição. O professor deve se responsabilizar em remover a ideia de hierarquia que o aluno traz para a sala de aula como resultado de um condicionamento cultural. O professor entende que a relação professor-aluno é sempre IGUAL. O professor compartilha a sua experiência do Yoga cuidadosamente adaptada as necessidade individuais. Ensinar deve ser pautado pela amizade. Não necessariamente uma amizade pessoal, mas uma amizade de vida. O método de ensinar é sempre respeitoso, igualitário e cuidadoso.

Além disso, professores conhecem os princípios do Yoga que o tornam YOGA, e não simplesmente ginástica e alongamento.

Eles são:

  • O movimento do corpo é o movimento do ar. Ele está conscientemente vinculado ao movimento da respiração, e assim: corpo, respiração e mente movimentam-se como se fossem um.
  • A respiração abraça o movimento. Ela começa um pouquinho antes e termina um pouquinho depois do movimento. 

A inspiração vem de cima como receptividade, a expiração vem de baixo como força. Na inspiração, a atividade principal é a expansão dos pulmões, da caixa torácica, se expandindo na frente e atrás com a movimentação do diafragma para baixo, e o abdômen secundariamente em seu ritmo próprio. A expiração vem de baixo como força. Sua principal atividade vem do abdômen movendo-se para dentro, elevando o diafragma e o peito se aconchegando no movimento.

Todos os asanas – Flexões, retroflexões, torções, movimentos laterais e invertidas – seguem essa forma de respirar. O asana cria bandha (aquela inteligente cooperação de grupos de músculos nas extremidades da respiração). Os bandhas se aproximam durante a respiração, e gentil e naturalmente se engajam no kumbhaka (pausa) após a inspiração e a expiração.

Asana, pranayama, meditação e vida são processos que não exigem esforço. O asana permite o pranayama e o pranayama permite a meditação. A meditação (clareza da mente e conexão com a vida) acontece naturalmente como resultado dos asanas, pranayamas e de uma conexão íntima com todas as condições comuns. Sem estas, a tentativa de meditar fica dissociada e pode até ser perigosa.

A prática física diz respeito essencialmente a livre participação na respiração. Permanecer na respiração é permanecer com aquile que respira. O corpo fica suave e estruturado ao redor do movimento da respiração e a anatomia do movimento serve ao processo de respirar. O movimento do corpo é o movimento da respiração e vice-versa.  A mente naturalmente participa desse processo e isto está claro, pois ela se conecta com todo o corpo, a inteligência da vida. Isso pode ser um desafio, mas não uma dificuldade. Tal desafio está dentro dos limites da respiração, não na musculatura.

*Mark Whitwell é neozelandês, autor de vários livros sobre Yoga e professor do Heart of Yoga. Mais sobre ele está você encontra no perfil do Instagram ou no site Heart of Yoga.

Este texto foi traduzido pelo Nowmastê, qualquer sugestão é bem aceita. ;-)

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