Sobre fortalezas e sutilezas

Por Paula Zogbi*

Para que você entenda o porquê destas ciências serem tão fundamentais na minha vida hoje, talvez seja preciso eu contar um pouquinho da minha história de vida, para você saber como cheguei até elas.

Muito cedo passei por perdas profundas e, ao invés de desabar, me cerquei de uma fortaleza para sobreviver. Meu confessionário eram as palavras. Aos doze anos comecei a escrever tudo o que escondia de todos em um pequeno caderno.

Não fui uma pessoa que fez a escolha de ir em busca da verdade, da expansão da consciência, do autoconhecimento.  Aos dezessete anos, toda essa fortaleza/esconderijo deu vazão à uma forte e profunda crise do pânico e depressão que, por consequência, me puseram nesse caminho. Eu fui literalmente carregada.

Quando me dei conta estava diante de terapeutas, neurologistas, centros espíritas, benzedeiras, padres, psiquiatras sem, nem de longe, saber que todo este arsenal existia até então.

Mesmo não tendo optado por me “descobrir”, hoje eu observo: uma vez colocado o pé no caminho de ir ao encontro de sua essência, não há retorno.

Você nunca mais se contenta ou acredita nas ilusões criadas pelo seu ego.

Você quer ir além, você quer mais.

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Passei por muitos tratamentos e atividades físicas para tentar aplacar minha ansiedade. E, mesmo depois de curado o pânico, continuava uma pessoa extremamente ansiosa, sempre em ebulição.

Quando conheci meu namorado (hoje, marido), não estava atravessando uma fase, digamos, sadia. Foi então que ele veio com uma nova palavrinha para o meu recheado acervo: yoga!

Adivinha? Dei gargalhadas. Todo o mal-estar quase se foi ali mesmo de tanto que desopilei o fígado.

Justo eu, uma pessoa agitadérrima, complicada, nada zen? O que faria no meio de pessoas levitando? Como conseguiria ficar parada em uma postura? Afinal de contas, ele não estava entendendo que eu precisava de qualquer treino de boxe não de yoga!

Difícil me convencer. Mas o que o amor não faz com a gente?

Lá fui eu, totalmente contrariada.

Apostei que não suportaria ficar naquela chatice nem por cinco minutos.

Não sei o que aconteceu. Não sei se foi o tal lugar certo na hora certa.

Só sei que aquela primeira aula logo de cara abriu uma porta para um sossego que estava buscando em mim há muito tempo.

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Logo na primeira vez alguns preconceitos foram por água abaixo.

Yoga não tem nada de parada. Ela trabalha com um dos maiores movimentos que você pode fazer por todo o seu corpo: a respiração. Veja bem: não é  aquela respiração curta e apressada para manter-se vivo. É como disse, com o tempo você leva o ar e oxigena partes do corpo que jamais conseguiria imaginar, e isso gera um movimento e uma circulação danada.

Segundo preconceito desmantelado: manter-se nas posturas (asanas) é muito mais desafiante do que fazer repetições.  Você realmente precisa ir estruturando todo seu corpo, coluna e musculatura para manter-se em determinadas posições.

E terceiro, e talvez um dos mais equivocados preconceitos que também foi para o ralo: não todo mundo, mas grande parte das pessoas que buscam yoga, a procuram não porque nasceram zen. Justamente porque são agitadas, estressadas, desequilibradas em alguma questão de suas vidas (pelo menos no início) e precisam aprender a relaxar.

Ao contrário do que imaginava, ninguém vai lá pra levitar, sair do real, viajar.

Vai pra se manter aceso,  ficar o mais próximo de si possível, elevar-se. (o que é bem diferente de sair voando em um tapetinho). E,  para isso,  é preciso, além da mente quieta e da espinha ereta, saber manter os pés bem firmes no chão e a consciência clara e alerta.

2 Comentários

  1. Yoga e meditação nos levam a uma viagem interior sem volta! Como disse Jung, quem olha pra fora sonha, quem olha pra dentro desperta!!

    • Novaes, yoga também mexe com o corpo, mas o yoga, em sua origem, trabalha a mente através do corpo e vice-versa. Somente flexibilizamos um quando se torna possível flexibilizar o outro. Por isso, como você mesmo citou, o yoga promove um despertar de um sono profundo.

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