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Sentir o que se sente

Sentir o que se sente

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Foto por Margit Ikeda – Git Ikeda Fotografia

Manhã cedinho e uma mulher de 30 e poucos anos vai ao trabalho dirigindo o carrão que ganhou da empresa. Por qualquer ângulo que se olhe, ela é considerada bem sucedida. Mas naquela manhã, parada no trânsito, uma música diferente tocou no rádio. E foi como se uma vibração estranha começasse a chegar de longe, muito longe… atravessando o caos ao redor, o som das buzinas, a poeira do ar seco de São Paulo, as portas do carro… e sem usar palavras, esta vibração começou a trazer lembranças… lembranças de quem ela era antes de se cobrir de máscaras e mais máscaras para tentar disfarçar sua essência e esconder as coisas em que realmente acredita… pois, em sua ilusão, o único jeito de ser aceita e amada era sendo igual aos outros, seguindo a cartilha da “normalidade”.

Esta vibração a lembrou de que, por mais que tivesse tentado – por anos a fio – matar certos questionamentos para conseguir se acomodar à sua vida de sucesso, as perguntas ainda estavam ali. Bem vivas. ELA estava viva. Viva? Peraí, é isso mesmo? SIM! UAU! Há quanto tempo não se dava conta disso. Ok, “all we need is love!” e a beleza disso precisaria de um livro inteiro para ser descrita. Mas estava valendo a pena matar sua alma em nome de uma pseudo admiração e reconhecimento externos? Não, definitivamente sua alma valia muito mais!

Pela primeira vez em anos, se deu conta de que por baixo daquelas camadas e camadas de disfarces, ainda existia ali algo pulsando, uma luzinha que se negou a se apagar. Um lado seu corajoso e até ingênuo, que sempre acreditou ter algo importante para fazer desta vida. “Que saudades desta pessoa. Eu AINDA SOU esta pessoa! UAU!”

A música chamava, bem de longe, para um despertar. Foi o início de um longo, tortuoso e lindo caminho. Em que o que mudou foi, naquele momento, apenas permitir-se sentir o que sentia e trazer isso para fora, como se nada mais importasse. Foi um grito pela própria sobrevivência. E a partir de então, começou uma revolução…

Ouvir o coração não significa dizer que todos os seus problemas estarão resolvidos e que a vida será um passeio no bosque. Pelo contrário, ela fica muito mais parecida com um passeio na montanha russa! Mas o que eu aprendi, pela minha experiência e a de outros que estão virando esta chave é que, ao escolher este caminho, ninguém jamais se arrependeu. ;)

Ontem mesmo lembrei de tudo isso ao me perguntar se tenho escutado meu coração com esta mesma entrega. Se for preciso mudar novamente, teria a coragem que tive naquele momento? Às vezes fechamos os ouvidos para o que o coração nos diz, e então perdemos o foco, temos medo, ficamos confusos. Queremos agir mas nos obrigamos a esperar. Ou queremos esperar, mas somos forçados a agir. Tudo na vida segue ciclos. Enquanto vamos buscando nosso caminho, o importante é lembrar que, mesmo no mais escuro inverno, a luzinha de quem somos continua viva ali dentro, pulsando baixinho, mas sempre acesa. :)

PS – a música que abriu as rachaduras na represa é Midnight, do Coldplay. A música que fez a represa vir abaixo é uma outra, que brinco que foi um “telefonema de Deus” para mim. :) Quem sabe você também receba uma ligação destas hoje?

*Michele Colombo pratica Yoga desde 2006. Em 2014 decidiu deixar a carreira como executiva de multinacional para se dedicar ao Yoga. Fez formação em Hatha Yoga na ilha de Creta, na Grécia, com certificação internacional pelo Yoga Alliance. Atualmente está fazendo formações em Yoga Dance com Fernanda Cunha e em Yoga para Crianças, Adolescentes e no Ensino, pelo Instituto Pequenos Yogis. Além de dar aulas e praticar Yoga quase todos os dias, escreve sobre autoconhecimento em sua página @merakiyogabrasil no Facebook.

Contatos: [email protected]

Crédito de imagem: Margit Ikeda – Git Ikeda Fotografia

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