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Seguindo viagem na Guatemala

Seguindo viagem na Guatemala

Nowmastê

Por Carol Lefèvre*

Carol LefreveQuando saí da Yoga Farm, passei uma semana em San Marco Atitlán, a vila mais hippie do lago. É interessante ver como as realidades podem ser diferentes, lá, viagens astrais, sonhos lúcidos, medicinas sagradas são assuntos mais cotidianos como falar sobre o tempo, a inflação ou qualquer outra coisa.

Depois fui para Chemuc Shampec, uma sequência de quedas d’agua que normalmente são turquesa mas que como estava chovendo muito as águas azuis ficaram marrons e com muita, muita força. Mas tudo tem a sua beleza. Como nas nossas emoções, a gente gosta dos dias felizes, mas se olharmos mais profundamente tudo tem a sua beleza e o seu lugar. Sim como todas as paisagens e é bom apreciar as coisas assim como são.

O lugar seguinte foi Rio Dulce. Lá também tinha chovido muito e a água subido, mas pude andar de caiaque, nadar no lago. Esse lugar fica no lago Izabal e pequenos braços de rios com árvores fazem lembrar a Amazônia e os igarapés. No hostel conheci um alemão que era o gerente e que vive na Guatemala há muitos anos. Ele trabalhava numa multinacional alemã da indústria farmacêutica até que teve um “burn out” e largou a vida de executivo, viajou pelo mundo e decidiu se estabelecer na Guatemala. Como muitos gringos e europeus ele me falou como tem aprendido com os guatemaltecos, principalmente os indígenas, que vivem em grande pobreza material, mas que os laços de família e comunidade fazem com que sejam um povo feliz apesar da história de exploração e miséria.

Eu nas minhas andanças tenho pensado muito como cada povo e cada realidade tem tanto a ensinar uns aos outros. Eu tiro o chapéu para a capacidade de organização e comprometimento dos americanos, assim como para o carinho e acolhimento dos mexicanos e guatemaltecos. Me sinto muito grata por poder experimentar essas diferentes realidades e gostaria que no mundo, cada cultura pudesse aprender uma com a outra, e todos caminharem juntos. Talvez seja utopia, mas talvez a utopia seja como disse o mestre Eduardo Galeano, a lua no horizonte, cada passo ela está mais distante, mas ela existe para nos fazer caminhar. Que possamos seguir caminhando!

carol

*Carol Enguetsu Lefèvre é artista plástica, zen-budista, designer gráfica, professora de yoga e ilustradora.
Esteve por alguns meses entre 2014 e 2015 em San Francisco Zen Center, depois partiu para o México e agora está passando uma temporada no Brasil, sempre aberta para as oportunidades que surgem pelo caminho.

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