Se vivermos apenas uma parte do que há em nós para onde vai todo o resto?

Por Ana Paula Fantin*

O questionamento sobre isso é o que faz toda a diferença, porque a realidade é que não há um lugarzinho específico e único para onde vão esses outros sonhos, essas outras coisas que trazemos conosco. Não há um espaço reservado para guardá-los e vivê-los em outra vida, mesmo que você acredite em reencarnação. Porque essa vida que estamos vivendo agora, é uma só.

Ao invés de ir para algum lugar, esses sonhos ficam soltos, espalhados pelo mundo perdido das ideias que, talvez, “eram grandes demais para arriscar”, ou seja lá qual for a sua justificativa.

Sinto, com pesar, pela nossa alma que lá no fundo, sabe o que queremos, mas muitas vezes não tem abertura para transbordar.

Todo o resto do que queremos e não vivemos fica também dentro de nós, fazendo rodeio na nossa cabeça, impedindo noites plenas de sono e/ou quem sabe se manifestando em nós através de incômodos diários.

Especialistas no assunto da psicossomática dizem que certas repressões em nós podem criar até mesmo doenças, distúrbios no corpo e na mente.

Não é justo passarmos por essa vida assim.

Sonhos pela metade. Sentimentos reprimidos. Ideias abandonadas. Uma infinidade de desculpas esfarrapadas para algo único que viemos aqui viver – a nossa missão.

Esses dias eu ouvi alguém dizer que, para cada sonho que corremos atrás, um anjinho lá no céu se alegra. Explicação doce, mas a outra realidade também pode ser dura.

Há pouco tempo tive a experiência de conversar com uma pessoa já muito idosa, limitada de certos movimentos, que se dizia amargurada por não ter vivido tudo que gostaria de ter feito. Era de doer o coração, perceber uma pessoa que se via como sem opções. Sem poder voltar atrás e que tentava, no seu dia a dia, reencontrar motivos para acreditar.

Não são poucos os filmes de drama/romance que assistimos na TV, onde são retratadas histórias da vida real. Histórias de amores mal resolvidos, mal vividos, mal interpretados, deixados de lado e oprimidos, porque se viveu apenas uma parte do que se poderia viver com eles.

Eu compreendo que em alguns casos é inevitável e necessário, porque, afinal, também faz parte do nosso aprendizado. Mas para onde vai essa parte que não existiu também?

Fica na nuvem da vida?

São muitas perguntas, na maioria delas, sem respostas.

Por isso o tema desse texto é tão relevante. Porque ainda há tempo, ainda estamos no caminho. Ainda podemos viver e buscar nossos sonhos. Não importa quantos anos você tenha. Não é tarde demais! E até um dia antes de morrermos, não será.

Que a gente não queira se arriscar a passar pela incerteza dessas perguntas e respostas sobre para onde foram e vão as coisas. Que a gente não queira ter a sensação de não poder tocar mais a realidade das coisas que deixamos de fazer.

A vida é breve e as nossas escolhas decidem os rumos que iremos seguir. Além do óbvio, nossas escolhas decidem, também, que tipo de reflexão teremos em momentos de repensar a vida.

Ainda é tempo!
*Sou viajante, escritora, praticante de yoga, amante da natureza, reikiana iniciada e apaixonada por tudo que envolva desenvolvimento pessoal e espiritualidade.

Uma vida baseada em uma frase: Conhece-te a ti mesmo.

“Parti em busca de um refúgio espiritual através de retiros, cursos, livros, terapias e meditação. No fim das contas, surpreendentemente, eu descobri que existia um refúgio no divino que habita dentro de mim.”

Instagram: fantinanapaula

E-mail: [email protected]

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