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Saudosa maloca

Saudosa maloca

Nowmastê

Por Renata Piazzon*

Maloca: tipo de cabana comunitária utilizada por nativos na região amazônica. Viva: ato de existir, viver, exclamação de aplauso, alegria. E foi assim o meu carnaval na Maloca Viva, em Alter do Chão, na margem do Rio Tapajós, no Pará. Uma expressão de vivência em comunidade, em uma casa sem paredes, com muita alegria.

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Maloca Viva

(Aqui, um parênteses. Estuda-se construir 7 usinas no Rio Tapajós. A avaliação das usinas foi inicialmente feita de forma isolada, sem contar o conjunto dos impactos que, juntas, produziriam na bacia e sem que a comunidade ribeirinha fosse ouvida. É preciso ficar de olho e exigir uma visão global dos impactos socioeconômicos, ambientais e de infraestrutura na região).

Voltando à saudosa Maloca, o meu carnaval foi uma viagem ao que realmente importa. Não sei se pelo fato de todos dormirem em rede. De não termos paredes ou espelho. Da aula de agrofloresta e de horta em espiral. Da simplicidade em ser feliz. Dos banhos gelados ao ar livre. Dos biocosméticos. Do céu estrelado. Da comida da Betânia. Dos passeios pelo Rio Tapajós. Das aulas de yoga tibetana (com “ar”, “água”, “espaço”, “terra”, “fogo” e tudo o que tem direito). Do alimento que vem direto da mata. Das pessoas incríveis que conheci. Do projeto que ganhei para deixar a minha casa mais verde. Ou de todos os fatores juntos. Mas algo bateu forte em mim e foi muito difícil deixar a floresta, o açaí, o pajurá e o cupuaçu.

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Alter do Chão

Fiquei alguns dias me perguntando: por que foi tão difícil? A resposta mais óbvia seria: São Paulo é uma selva de pedras. Mas a verdade é que foi difícil deixar a maloca de entusiastas da vida, de buscadores de autoconhecimento, de apaixonados pelo que fazem. A Maloca de sorriso fácil, abraços verdadeiros, roda de música, do melhor brigadeiro de colher feito a 4 mãos e da melhor pizza de forno feita a 10 mãos – só quem comeu sabe o que é! :).

A conclusão da viagem? A Amazônia não é só o pulmão do mundo, mas o coração do mundo. A floresta tem tudo o que a gente precisa. Alter é cheio de gente leve e feliz, que leva a vida em um outro ritmo. E uma viagem dessas tira a gente da ilusão da cidade grande e nos coloca ainda mais em contato com a gente mesmo.

O que fica? Uma luta para manter essa conexão em uma cidade como São Paulo. E muita gratidão à Maloca, ao Marcelo Cwerner, ao Bruno Riberti, aos maloqueiros e à Alter do Chão por proporcionarem essa vivência!

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Laranja, o barqueiro

“Para que dinheiro se eu vivo em um paraíso desses?” Laranja, barqueiro.

“Leve a floresta com você”. Nil, o mago da Amazônia.

Renata Soares Piazzon - "Seja a mudança que você quer ver no mundo.", Gandhi
Renata Soares Piazzon – “Seja a mudança que você quer ver no mundo.”, Gandhi

 

*Renata é advogada ambiental e buscadora! Suas ideias estão no Nowmastê e no blog Caminho Verde

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