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“Salvem minha mão” – A história de força e superação de Fernanda Nogueira e o poder da intenção positiva

“Salvem minha mão” – A história de força e superação de Fernanda Nogueira e o poder da intenção positiva

Nowmastê

Fernanda Nogueira já faz parte da família Nowmastê. Uma das idealizadoras do Bazar da Praça, ela sempre acreditou em incentivar aquilo que é feito com amor, artesanalmente, com as próprias mãos. E olha só que ironia: ela quase perdeu sua mão direita em um acidente feio, na cidade de Salvador.

“Estava com amigos, indo para a Lavagem do Bonfim, quando um carro nos atingiu no cruzamento. O carro capotou algumas vezes e arrastou pelo asfalto, estraçalhando completamente minha mão direita.”, conta ela.

Graças a um taxista ágil, ela e o namorado (hoje marido) chegaram em minutos ao hospital. “A dor era muito intensa, mas mantive o tempo todo a consciência e os olhos abertos e só dizia: salvem minha mão, salvem minha mão! Aquela primeira radiografia que fiz jamais esquecerei”, diz Fernanda.

Ainda na emergência, cogitou-se a amputação. Mesmo os especialistas não foram lá muito animadores, dizendo que a mão direita de Fernanda seria apenas auxiliar, sem todos os movimentos e que teria de sofrer muitos enxertos. Mas isso não abalou a sua fé: “Mas minha mão ainda estava lá e haveria de ter um jeito! 

 

 

Por sorte, ou destino, a família do marido tinha proximidade com o maior especialista em mãos do Brasil, o Dr. Pistelli e, por telefone, ele participou da primeira cirurgia, orientando a equipe em Salvador. “Por maior sorte ainda, seria ele o doutor que cuidaria de mim de forma humana e minuciosa, fazendo 45 cirurgias e tratando de uma mega infecção depois”, relembra ela.

O processo todo durou quase três anos, sendo dois meses de hospital, três meses de cateter, extensivas sessões de fisioterapia, cirurgia, internação,  gesso, e imobilidade. Sem contar a dor, que continuava presente e muito forte.

Mas a melhor coisa é ouvir a Fê falar de tudo isso com leveza. Nas palavras dela: “Foi um ciclo, um extremo, um aprendizado gigante. Uma oportunidade.”

O clima foi reforçado pela postura do médico que também incentivava uma atitude mental positiva. “Porque quando sofremos o sistema imunológico funciona pior e, quando aceitamos, nosso corpo reage melhor também!” observa ela.

Fernanda conta ainda que o período de repouso em casa, de  alguns meses, a incentivou a escrever. “À la Frida Kahlo, a escrita me ajudou a sublimar aquela dor, a solidão, a imobilidade. Escrever me aliviava, me distraía, ajudou a dar sentido para aquilo tudo. O resultado foi o livro Busca Vida, que Fernanda vai lançar ainda esse ano, em São Paulo.

Embora tenha cicatrizes, Fernanda prefere definir a sua mão como especial e única e, além de seu médico, agradece a todas as pessoas que estiveram ao seu lado durante o processo.  E se dividir essa história inspiradora é uma forma de compartilhar, a forma de fazer a publicação também vai levar em conta o poder da união e da amizade – será por meio de crowdfunding, ou seja, financiamento coletivo. “Acredito em práticas sustentáveis e  esse sistema me remete a um coletivo saudoso e saudável. Fico honrada de poder convidar minha rede a fazer parte desse projeto”, diz ela.

Para finalizar, perguntamos para a Fê quais foram os maiores aprendizados e desafios de toda essa história e ela nos fez um resumo que conta muito sobre a sua personalidade. Veja só:

“Pratico ioga quase diariamente, e a mão que me acompanha está a léguas de ser uma mão auxiliar. A mão reconstruída e o pulso que não articula inteiramente são capazes de fazer quase tudo. Vivi essa experiência como uma oportunidade,  como parte do nosso desafio de sermos humanos. Uma das preciosidades que colecionei foi um caderno onde dividia as páginas e escrevia as coisas boas de um lado e as ruins do outro. Ali eu tinha motivo de sobra pra querer me afundar no fundo da lama daquele poço. Agradeço por ter entendido que do chão não se passa, e que a direção seria ladeira acima. Com isso, pude receber e apreciar tantas  demonstrações de amor, carinho, cuidado, cura, oração. O sofrimento também tinha lugar e veja, o lugar era reservado, pulsava deliberadamente. O maior aprendizado foi o valor da aceitação, Quando aceitamos, deixamos de viver lutando, em conflito, e também não ficamos resignados, frustrados. Então arregaçamos as mangas e procuramos conquistar o equilíbrio com as próprias mãos”.

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