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Respirar não é nada fácil

Respirar não é nada fácil

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Alguma vez alguém te ensinou a respirar? Simplesmente, quando você nasceu seus pulmões começaram a fazer a troca gasosa através do nariz, traquéia e brônquios, ato que anteriormente –quando feto- era realizado através da placenta.

Ainda criança, a respiração é rápida e curta, atingindo em torno de 60 repetições por minuto. Isso ocorre pelo tamanho dos órgãos que, ainda pequenos na caixa torácica, não atingem total desempenho, além do incompleto desenvolvimento dos alvéolos e da disposição das costelas.

Por isso, a respiração da criança é abdominal, ou chamada respiração diafragmática. Ela recebe esse nome pois é realizada preferencialmente pelo diafragma. O diafragma é um músculo que se situa abaixo dos pulmões. Durante a inalação, o ar entra na cavidade nasal e passa para os pulmões, o diagrama se contrai e move-se para baixo, facilitando a troca gasosa. Na exalação, o diafragma volta ao normal e move-se para cima, ajudando a expelir o ar.

Ao longo dos anos, as alterações anatômicas propiciam a respiração e a média de respirações por minuto diminui, atingindo cerca de 18. Entretanto, esta torna-se mais apical, pulmonar, realizada pela parte superior dos pulmões.

Faça essa experiência: recoste-se na cadeira, coloque a mão esquerda no peito e a direita em sua barriga. Inspire e expire. Inspire e expire. Faça isso algumas vezes e repare: Qual mão mexe mais? A da barriga ou a do peito? A maioria das pessoas vai responder a do peito, representando uma respiração com predominância na parte superior do tórax. Os ombros podem até se elevar durante a inspiração devido o movimento da clavícula e da musculatura do pescoço. Entretanto, esses músculos não deveriam ser os primários no ato da respiração. Eles têm papel secundário, deveriam ser somente acessórios. Os músculos primários são o diafragma e os intercostais. E sabe qual é o músculo principal da expiração? Nenhum! Isso mesmo! A expiração natural não tem esforço!

Monges budistas conseguem atingir somente 6 respirações por minuto por conseguirem usar de forma plena o diafragma. As técnicas respiratórias utilizadas por eles alteram o movimento do diafragma 3 a 4 centímetros abaixo do normal durante a respiração profunda, aumentando significativamente a capacidade do tórax. Além dos benefícios fisiológicos, os estudos mostram que exercícios respiratórios podem promover alterações psicológicas, como melhora na qualidade de vida, vitalidade, na qualidade do sono e até na percepção de dor em pacientes com fibromialgia. Os orientais acreditam que a respiração fazem parte da energia vital, chamada de ‘Qi, Chi (para os chineses) Ki (para os japoneses) ou Prana (para os indianos)’. Assim, doenças físicas e psicológicas alteram a energia Qi dos órgãos, sendo necessárias técnicas respiratórias e práticas que equilibram essa energia como o taichi, Qigong, Reiki e pranayamas.

Portanto, motivos não faltam para respirar, ‘dar um tempo’ e respirar fundo. Vamos começar? Inspire por três segundos, segure o ar por três segundos e expire por 6 segundos…. Repita mais 6 vezes. Faça esse simples exercício no início do seu dia, bem devagar, e mantenha esse ritmo pelo resto das horas do seu dia. Controlar a respiração, dita o controle de suas emoções durante os eventos adversos do dia. Mantenha o controle. Inspire e expire….

*Helena Moraes é professora de Educação Física, mestre e doutora em Saúde Mental, pós doutora em Educação Física e esportes, professora do Programa de Pós Graduação em Psiquiatria e Saúde Mental da UFRJ e pesquisadora do Laboratório de Neurociência do Exercício – UFRJ
 
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