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Reintegração com a natureza, dentro e fora de nós

Reintegração com a natureza, dentro e fora de nós

Cristina Medeiros

Nós somos natureza. Mas não percebemos isso. Para permitir Ser quem somos é necessário deixar ir. Deixar ir quem queremos ser. Deixar ir quem pensamos que somos. Deixar ir o desejo e a necessidade de aprovação. Tudo é obra divina.

Tudo é criação no todo. Interconectado. Cada parte de mim é parte de outro. De onde vem a força para quebrar os padrões? De onde vem a força pra quebrar o que nos limita? Quando nos sentimos pequenos e incapazes.  De onde vem a força pra sair da pequenez que a separação traz? A ilusão de que estamos sozinhos.

Nosso maior desejo e necessidade é de amor e pertencimento, cada um de nós quer se sentir amado e pertencente a algo.

É preciso se abrir, estar vulnerável ao desconhecido. A ser quem não sabemos. A dizer que não sabemos. A assumir que somos crianças neste planeta terra, aprendendo a viver e a lidar com nossas emoções, pensamentos, sentimentos, relações.

Somo seres espirituais vivendo uma experiência humana. Aprendendo a sermos humanos. E o que é ser humano?

No decorrer da vida, aprendemos que estamos no controle, no topo da pirâmide. Que somos maiores que as outras espécies. Que a terra está aqui para nos servir e por isso nos sentimos desconectados. Vazios. Sozinhos e infelizes. Procuramos curar este vazio e falta de significado com coisas externas, consumindo, buscando relações e senso de pertencimento nas pessoas a nossa volta. Na carreira. Nos bens materiais. Mas esta não é nossa verdadeira natureza.

Nossa verdadeira natureza é completa, é essência divina, é amor. Paz, alegria de viver.
Mas não percebemos isso. Estamos distraídos demais  buscando fora, o que está bem perto, dentro de nos, dentro de nossos corações.

Se nos aquietamos. Se abrirmos espaço em nossa vida para escutar a voz interna, a sabedoria que vem do todo, podemos perceber o que é invisível aos olhos. Deixando as distrações da mente de lado. A mente que limita. Julga. Sistematiza. É necessário conhecê-la para que possamos direcioná-la.

Não há problema nenhum com nosso ego. Ele é nossa identidade no mundo, nossa individualidade, a manifestação de nossas ações. Mas não podemos deixá-lo no comando, pois ele não tem maturidade. Está sempre na defensiva e se sente separado.

A mente e o ego são importantes e valiosos quando guiados pelo coração. Pelo espírito, pela alma, por nosso verdadeiro Ser.

Dentro de nós está nossa verdadeira natureza.  Ela é autêntica, bonita, ela é amorosa, ela é única. Para se conectar com ela é preciso estar em paz, presente no agora.
Sem projeções de como deveria ser. Sem expectativas ou controle. Observando e se rendendo. A ação na inação.

Relaxando a cada respiração.

A natureza, nossa mãe terra: Gaia, ela nos ensina. Ela é o maior exemplo de doação, paciência, generosidade, abundância e amor. Para que possamos nos reconhecer e ser esta natureza é preciso se conectar. Estar ao ar livre. Nos conectar com os elementos:

Espaço (éter), vazio, expansão.

Ar, vento, respiração, movimento, música, comunicação.

Água, rio, mar cachoeira, lágrimas, fluidez, emoção. 

Fogo, transmutação, força, espírito, ação, materialização.

Terra, suporte, aterramento, estrutura, nutrição.

Observar os ciclos internos e externos. Como eu me sinto? O que eu necessito? Não o que eu quero, ou desejo, mas sim o que preciso.

O que as estações nos trazem? O que a lua nos traz? Introspecção na lua nova, abertura na lua cheia. Outono, primavera, verão, inverno. Chuva, tempestade, frio, calor. O que isso me ensina?

A natureza não se compara. Uma árvore não se compara com a outra. Não tem ciúmes, inveja, não tenta ser diferente ou provar algo. A perfeição na imperfeição. O reino natural apenas é.  Cada um segue seu ciclo, seu ritmo.

Para nós, nos resta integrar. Aceitação é parte desta integração. Aceitar quem somos. Reconhecer quem somos. Olhar nossos julgamentos, observar os limites. Assumir responsabilidades e compromisso pelo caminho que escolhemos.

A cada dia, a cada respiração, conscientemente deixar ir o que não faz bem. Deixar de sermos tão rígidos com a nós mesmos e com os outros. Deixar de lado as cobranças e intencionar a compaixão. Aceitar a vida e as pessoas como elas são. Perdoar o outro e a nós mesmos. Somo todos espelhos e estamos todos aprendendo, sem exceção.

Nosso propósito nesta vida é ser luz. Ser amor. Encontrar nossos limites, saber o que faz bem e fazer novas escolhas. Nos iluminar. Desconstruir as sombras através do amor. Esta é a nossa verdadeira natureza.

Independentemente de religiões ou crenças. Todos os caminhos nos levam a unicidade.
Não importa em que estágio da evolução estamos. Nada nem ninguém irá nos separar de nós mesmos. De quem somos verdadeiramente.

A natureza nos chama. Nos pede sua atenção. Não para salvá-la. Ela nao precisa de nossa salvação. Ela nos pede apenas para a gente se olhar. Olhar pra dentro, explorar e reconhecer nossa beleza interna. 

Quando encontramos este lugar, quando tocamos a semente de nossa essência, seu germinar é fluido e natural. Através da nossa existência tocamos o outro. Tocamos o todo. Então, hoje, este é o meu convite para você.

Eu te desafio a transformação, a desconstrução de tudo o que a mente criou, para que possamos todos experimentar o ser ilimitado que somos. Sentir é curar. Se permita sentir.

Se permita desapegar de quem você pensa que é ou de quem você quer se tornar.
Porque na verdade nós somos tudo o que ser precisamos neste exato momento.

Reconhecendo nossa humanidade, florescemos nossa divindade.

Somos um.

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