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Regeneração: morte e vida

Regeneração: morte e vida

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Por Henrique Katahira*

Em julho de 2017 tive a oportunidade de participar do módulo econômico do curso de Design para Sustentabilidade do Gaia Education na ecovila de Terra Una como participante e educador convidado.

Numa das vivências de ecologia profunda que consiste em observar a natureza sozinho e em silêncio por cerca de uma hora, comecei a observar a mata no caminho para a cachoeira. Aparentemente era uma floresta em recuperação que fora um pasto num passado não muito distante devido ao capim ainda presente e dos arbustos não tão altos. Percebi muitas samambaias secas no solo devido ao período de estiagem e muitos brotos de samambaia nascendo no mesmo local onde as samambaias secas estavam. Então, percebi que o processo de regeneração da mata passa por um ciclo onde a morte e a vida fazem parte da equação.

Seres simples e de ciclo curto como samambaia começam a dominar o cenário e morrem para que sirvam de adubo e enriquecendo o solo, dando espaço a mais samambaias e seres cada vez mais complexos até que a floresta se regenere com arbustos, árvores de porte médio, frutíferas e árvores de porte alto. A diversidade vai aumentando atraindo bactérias, fungos, insetos e animais e quanto maior a diversidade, maior a resiliência do sistema.

A palavra “regenerar” no dicionário significa gerar ou produzir novamente; dar nova vida a; e para gerar nova vida, é preciso morrer o antigo e integrá-lo ao novo numa espiral de positiva de nascimento, desenvolvimento, morte, integração e renascimento.

Como tudo é fractal, tudo que se aplica à natureza também se aplica ao ser humano. Da mesma forma que as samambaias morrem para dar lugar a seres mais complexos, temos que permitir que partes de nós morram para que possamos evoluir.

Permitir morrer não é simplesmente um ato de desapego de comportamentos ou identificações indesejados mas de integrá-lo ao nosso ser como conhecimento aprendido para finalmente renascer. O mesmo vale para os nossos relacionamentos e às organizações das quais fazemos parte.

Assim como uma floresta em regeneração, precisamos permitir que a nossa regeneração ocorra de forma consciente, integrando o velho ao novo, confiando no fluxo da natureza e no tempo das estações.

*Henrique Katahira é cocriador da Academia da Natureza e cuidadoria. Fluxonomista, permacultor organizacional, instrutor de yoga e empreendedor holístico.

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