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Reescrevendo a própria história

Reescrevendo a própria história

Monika von Koss

Por Monika Von Koss*

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Todos nós iniciamos nossa jornada terrena como uma criança, criança essa que é a semente a partir da qual nos desenvolvemos. Para muitas pessoas, a vida presente é apenas uma, em uma longa sequência de vidas que fazem a nossa história. Outras acreditam que esta é a única que vivemos. De um modo ou de outro, a vida sempre começa como uma criança, seja dando continuidade à nossa história pregressa, seja escrevendo uma história pela primeira vez.

E assim como toda árvore cresce a partir de uma semente igual a tantas outras, tornando-se única em resposta às condições ambientais, também nós nos desenvolvemos a partir de uma centelha divina, para nos tornarmos cada qual um ser único, devido às nossas experiências de vida.

Cada um de nós tem uma história mais ou menos longa, mais ou menos elaborada, mais ou menos feliz, mais ou menos realizada. Há pessoas excepcionais, cuja criança interior desenvolveu plenamente suas potencialidades. São os bodhisattvas, avatares e santos das diferentes religiões.

A maioria de nós, contudo, possui uma criança ferida. De formas as mais variadas e pelos mais diversos motivos, fomos impedidos de desenvolver plenamente nossas potenticalidades. Nossos impulsos ou desejos que foram desqualificados, denegridos, negados, bloqueados, distorcidos, deixam marcas, assim como o corte de um galho deixa uma marca na árvore.

Já podemos ter sanado, curado, superado ou reprimido muitas das nossas feridas. Mas, como o fazem velhas feridas, elas podem se manifestar em situações específicas, pois são pontos vulneráveis de nosso ser. E sempre tropeçamos nelas, quando uma situação de vida nos lança de volta para onde começamos: a criança interior.

O fato de retornarmos à criança ferida diante de uma situação desafiadora pode parecer ruim. Na verdade, é uma bênção podermos fazer isto, pois isto nos possibilita reescrever nossa história e realizar uma das lições de vida listadas pela jornalista americana Regina Brett: “nunca é tarde demais para viver uma infância feliz.”

Para reescrevermos nossa história, precisamos retornar à criança em nós, experienciar suas feridas e vulnerabilidades, aprender com elas um modo diferente de lidar com uma situação. A isto chamamos de amadurecer e viver. É uma trajetória que não tem fim. Fim é algo que acontece apenas ao corpo físico, que vem do pó e ao pó retorna.

A criança em nós é nossa essência, aquilo que permanece e se perpetua ao longo das encarnações. E por ser nossa essência, é criativa e capaz de reescrever sua própria história, quantas vezes for necessário.

Nos últimos meses, estive lidando com uma crise aguda de alergia, que me mantinha acordada de madrugada, quando a coceira atingia seu ápice, e que testou todos os meus limites de paciência, pela irritação constante que o eczema provocava durante as 24 horas do dia (com algums períodos de descanso, proporcionadas por um cuidado amoroso de alguém com mãos de anjo!).

Nos momentos mais críticos, regredia à minha criança ferida, sem saber o que fazer para lidar com o desconforto absurdo que uma troca de pele implica. Impulsionada pelo desconforto e sem outra alternativa, reescrevi parte da minha história.

E assim, fui capaz de reescrever parte de minha história, promovendo a cura e transformação de minha criança ferida. Continuo atenta para não recair nos velhos padrões, mas me dou conta que já está muito mais natural e espontâneo pedir ajuda, mesmo que não haja uma necessidade premente, ou uma incapacidade minha de fazê-lo por mim mesma.

Aprecio a capacidade de cuidar de mim, que a vida me ensinou, mas também posso contar com a ajuda das pessoas que me acompanham nesta jornada terrena. A vida parece mais fácil e fluída assim. A criança está mais livre e confiante em si mesma e no universo. Há mais espaço interno para brincar e vadiar, sem que isto signifique menos rigor e competência nas coisas que escolho realizar na vida.

Experimente você também reescrever a história de sua criança. E que todos possamos ter uma infância feliz, não importa qual nossa idade cronológica.

MonikaKoss1

*Monika é psicoterapeuta de abordagem energética transpessoal, com longa experiência em atendimento clínico, complementou sua graduação em Psicologia com especialização em Psicanálise e diversos estudos adicionais em técnicas corporais e energéticas, Xamanismo e Budismo Tibetano. Suas pesquisas do Feminino e da Deusa resultaram em cursos, workshops e rituais realizados no Espaço Caldeirão, além de textos e livros publicados. Atualmente encontra-se em Formação para Praticante de Fractologia – a Ciência da Cura, ancorando no Brasil o trabalho desenvolvido pela Dra. Catherine Wilkins da Austrália.

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