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Qual é o seu animal de poder?

Qual é o seu animal de poder?

Juliana Marinho Pires

Por Juliana Marinho*

Há muitos anos atrás viajei de mochila pela Bolívia com duas amigas, tudo era novo, uma aventura. Num dia, num passeio por uma espécie de zoológico mais ao natural, cruzei meu olhar com o de um puma. Conexão imediata. Um felino preto, altivo, dono de si com aquele olhar penetrante, profundo e verde. Anos depois, de férias na Guatemala, cruzei meu olhar novamente com um jaguar, valente, negro, soberano. Outra vez meu coração disparou. Naquele momento, não sabia o que queria dizer tudo aquilo, mas estas experiências ficaram registradas na alma.

Tempos depois, explorando o caminho vermelho, que se relaciona ao xamanismo, tive contato pela primeira com a expressão “animais de poder”. São animais não domesticados – que mantêm seu aspecto selvagem – cujas características podem refletir no seu espírito. Cada pessoa tem um animal de poder com quem ela pode contar, pedir ajuda, força, um anjo da guarda em forma animal. É interessante estudar o seu animal, saber os seus hábitos, o que ele come, o que faz. Isso te ajuda a se entender melhor e sentir a presença dele dentro de você.

Eu tinha a forte intuição de que meu animal de poder era, pois, um felino. Mas precisava ter certeza. Então, embarquei em uma viagem xamânica com essa intenção. A viagem é uma meditação guiada, nesse caso, por um líder de cerimônias xamânicas, como a Tenda do Suor – o relato sobre a tenda fica para outro dia – da tradição Cheyenne (índios norte-americanos). Tudo isso ao som do tambor que te transporta diretamente para outro plano.

Me vi descendo um túnel rumo ao centro da Terra. Lá, tudo era destruição, como o fim de uma batalha: feridos, fumaça, mortos, abandono. Eu, sentada no chão de pernas cruzadas, olhava tudo aquilo com pavor, desânimo e falta de perspectiva.Era como se não conseguisse me mexer, sair dali. De repente, atrás de mim, com passos firmes e um olhar esverdeado penetrante e seguro, surge um felino negro, robusto. Imediatamente esse ser me chamou para a presença, ao olhar frente a frente toda aquela devastação com sobriedade, propósito e perspicácia, avaliando os estragos para recomeçar, sem medo. Quanta força ele me transmitiu naquele momento! Me recompus da letargia de imediato. Voltei quilômetros e quilômetros pelo mesmo túnel até sentir meu corpo físico e me perceber deitada numa casa linda, na Gávea (Rio de Janeiro). Eu, mais inteira e empoderada, soube ali que a partir de agora quando estiver empacada e o medo me dominar, minha pantera negra sempre estará ao meu lado. Sim, a pantera negra!

pantera negra
Descubra seu animal de poder fazendo uma viagem xamânica

Alguns outros felinos – onças pintadas e afins – emergiram entre os animais de poder dos meus companheiros de jornada xamânica, mas também baleias, macacos, águias, raposas, corujas. Cada um com suas características, e para conhecê-las de um modo geral uma boa dica é consultar o site Animal Spirit Guides Shamanism (http://www.animalspirits.com), em inglês. O próximo passo é pintar a pantera no meu tambor de cura.

Juliana Marinho

Meu nome é Juliana Marinho Pires. Sou jornalista e publicitária formada pela UnB, já morei na Alemanha, Espanha e Chile estudando e trabalhando. Por aqui já fui, entre outras coisas, diretora e produtora de documentários, professora universitária, assessora de comunicação, tradutora e até atriz. Viajante e curiosa compulsiva, me empreendi recentemente em um período sabático pela Ásia e África. Ao voltar, mergulhei de cabeça no universo da espiritualidade e atualmente também sou leitora de aura, pratico tantra yoga e bioenergética, além de experimentar nos campos do xamanismo, do sagrado feminino e visitar comunidades de diferentes grupos e filosofias de vida.

 

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