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Pensamentos e Significados na Prática de Mindfulness

Pensamentos e Significados na Prática de Mindfulness

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Um dos muitos benefícios da prática de Mindfulness e, talvez, aquele que é o mais transformador é quando começamos a perceber o trabalho interno da nossa mente. Com o tempo, percebemos que nossa mente é uma “máquina de fazer sentido”, parecida com um computador, que monitora constantemente as informações que chegam através dos cinco sentidos, aplicando rapidamente alguns filtros. Por exemplo, comparando-as às experiências passadas, crenças, aspirações, gostos, necessidades e desejos, para encontrar a melhor explicação (significado) para as novas experiências, mesmo quando a informação disponível é apenas parcial. O objetivo da mente é tornar nossa vida mais fácil e preservar nossas energias. Esta é uma característica da nossa evolução e este processo, como você já deve saber, é automático.

Essa hábito de criar significados está relacionado a nossa sobrevivência e satisfação das nossas necessidades físicas e emocionais.

Esse hábito de criar significados está relacionado a nossa sobrevivência e satisfação das nossas necessidades físicas e emocionais. Você deve estar se perguntando, o que há de errado nisso. A princípio, não há nada errado. A coisa só começa a preocupar quando esse comportamento de “eu sei tudo” domina completamente nossa vida, nos tornando escravos dos pensamentos e comportamentos habituais, especialmente daqueles que não nos servem.

Vejamos um exemplo. Imagine que você conhece alguém de quem gosta muito. No dia seguinte você telefona para essa pessoa, mas ela não atende. Você tenta mais algumas vezes e nada. Neste momento a idéia/pensamento de que essa pessoa não está interessada em você surge na sua cabeça (do contrário ela teria atendido o telefone, certo?). Esse pensamento parece real e te traz um sentimento de rejeição e tristeza. Você fica chateado(a), decide que não vai mais ligar para ela e apaga o seu telefone dos contatos. No dia seguinte, ela te liga e explica que estava sem acesso ao telefone no dia anterior. Você fica aliviado(a) e se sente até culpado(a) pela sua reação no dia anterior.

Você entende o que estou tentando dizer? Nossa mente, em seu estado condicionado, automaticamente impõe nossas experiências passadas e nossa maneira de entender o mundo, criando um significado para as novas experiências que seja baseado naquilo que já vivemos e no nosso entendimento do mundo e de nós mesmos.

Com o mindfulness nós começamos a perceber que esse processo tem duas etapas: a experiência em si (pensamento, visão ou sensação) e o significado dado pela nossa mente.

Com o mindfulness nós começamos a perceber que esse processo tem duas etapas: a experiência em si (pensamento, visão ou sensação) e o significado dado pela nossa mente. Quando percebemos isso, aprendemos também que é possível ficar mais presente com a experiência do momento, atrasando (ou até evitando) a definição de um significado. No treinamento de mindfulness isso é chamado de ‘naked experience’, experiência nua.

Ainda observando essa tendência podemos perceber a qualidade predominante nos significados e classificações que nossa mente cria para as experiências: são positivos ou negativos. Se somos muito negativos, podemos nos nos questionar com curiosidade e gentileza. E podemos fazer o mesmo quando nos damos conta de um positivismo excessivo ou de uma falta de cuidado na nossa visão de nós mesmos e do mundo. 

Quando percebemos e questionamos os significados que nossa mente costuma dar a nossos pensamentos e experiências, começamos um processo de dissolução daquela velha e habitual forma de pensar e agir, nos tornando mais conscientes e abertos a experiência em si e de todo potencial escondido nela. 

Como um famoso mestre Zen diz:

Na mente dos experts as opções são poucas, mas na mente dos iniciantes elas são infinitas.

Tenhamos sempre a mente dos iniciantes.

Com você na prática,

Denis Karenkin

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