Por que temos necessidade de controle?

Via Gemini Astrologia*

Quanto de sua vida você tenta controlar? E de suas relações? Você tem conseguido se entregar às incertezas da vida ou vive buscando uma maneira de controlar tudo?

De fato, muitos aspectos de nossas vidas estão sob o nosso controle, porém, inúmeros outros correm à nossa revelia. Saber diferenciar o quinhão que nos compete daquele que está sob a gestão da providência é indispensável não apenas à paz interior, mas para que sejamos inteiros.

Vivemos em um mundo onde reina o livre arbítrio, nosso e dos outros. Dessa forma, nosso quinhão de controle diz respeito exclusivamente ao que podemos escolher, e nada além disso.

Aquilo que não está sob o domínio do livre arbítrio não nos cabe controlar, pertence à providência. Nesses casos, recai sob o nosso livre arbítrio a decisão sobre como lidar com o que foi escolhido por terceiros, no uso de seus respectivos livre arbítrios.

E é aí que as confusões, dramas e toda sorte de sentimentos ruins nascem. Queremos controlar o outro e terminamos julgando e condenando e, sem perceber, ficamos prisioneiros de sentimentos criados por nós mesmos e que nos levam a lugares de angústia, solidão, raiva, medo, insegurança.

Furtamos, a todo instante, o quinhão do livre arbítrio dos outros e, com isso, nos esquecemos de utilizar nosso próprio quinhão desse latifúndio. Ao focar em controlar as ações e palavras alheias, deixamos de fazer uso de nosso livre arbítrio, o que nos permitiria encontrar alternativas saudáveis e produtivas para lidar com aquilo que não depende de nós. Contudo, ao invés de nos preocuparmos com a forma como vamos transformar a nosso favor algo que não era de nosso desejo, damos murro em ponta de faca tentando, sob a forma de reclamações, indignações, críticas e julgamentos, controlar o que não nos compete decidir. É quase uma insanidade, não acham?

Ao fazermos isso, deixamos de ser tudo o que podemos ser, damos as costas à nossa inteireza e passamos a tentar viver algo que pertence ao outro. Quem perde nessa história toda somos nós mesmos e não o outro cujas escolhas, atitudes ou palavras trouxeram desafetos. Esse outro fez uso de seu livre arbítrio, ainda que tenha errado; já quem se furta de suas próprias escolhas e vive com o olhar nas escolhas alheias, nem o risco de fazer más escolhas corre, furta-se do livre arbítrio e, consequentemente, da vida.

Essa necessidade de controle advém de uma negação de nossa vulnerabilidade e da ilusão de que somos donos da verdade. Visando a nos proteger de toda sorte de sofrimento, sofremos ainda mais, pois nos furtamos de ser tudo o que podemos ser e passamos uma vida olhando para fora e não para dentro.

Somos, em essência, vulneráveis e parte de um todo, razão pela qual nada nos deixa imunes aos efeitos da providência, a não ser o desenvolvimento de uma força interna capaz de aceitar essa condição vulnerável e construir uma estrutura psíquica apta a lidar com o que quer que a vida nos traga.

Brigar e tentar controlar aquilo que não pertence ao nosso quinhão de escolha é deliberadamente cair no precipício do sofrimento, tanto pelo fato de o foco estar voltado para algo que não nos compete, como pelo fato de, ao fazermos isso, deixarmos de olhar para nós mesmos, isto é, deixamos nossa inteireza de lado e passamos a querer viver a vida do outro.

Não há nenhuma garantia de estabilidade ou alegria em relacionamentos; não há vida eterna nem garantia de saúde inabalável; não há garantia de prosperidade financeira permanente; enfim, não há garantia de qualquer sorte de estabilidade na vida. Viver buscando formas de controlar isso é viver numa prisão de ilusão e, pior: é deixar de viver.

Melhor mesmo é aceitar a nossa vulnerabilidade e correr o risco de viver, que implica em escolhas erradas, fracassos de toda sorte, doenças e morte. Mas, no meio disso tudo, está a plenitude de sermos tudo o que podemos ser, estão as alegrias, conquistas, amores, riquezas, que também são intermitentes e, justamente por isso, têm tanto valor!

É a finitude da vida e de tudo que a permeia que nos possibilita momentos de júbilo, é sabermos vulneráveis que nos permite a possibilidade de nos sentirmos parte de um todo. Sem isso, jamais teremos a sensação de pertencimento que tanto buscamos. Sem essa consciência da vulnerabilidade e aceitação dos riscos da vida, viveremos na ilusão de sermos deuses e de estarmos fora de uma roda que gira em ciclos e perderemos a própria chance de viver e passaremos apenas a existir.

Melhor correr riscos, fazer escolhas (ainda que erradas) e viver, não acham?

*Mia Vilela é advogada e astróloga e está por detrás do site Gemini Astrologia – Astrologia como Ferramenta para o Autoconhecimento.

2 Comentários

  1. alittlebirdinthecity diz:

    Concordo!

  2. Gostei muito do artigo, Mia. O controle é uma prisão, é a raiz de tantos problemas. E como é difícil se libertar dele não é? Abrir mão da necessidade de controle exige muita coragem e força de vontade, é um exercício diário. Um forte abraço

Deixe uma resposta

Por uma vida mais consciente

Você quer receber as novidades e promoções do Nowmastê no seu e-mail?