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Por que existem tão poucos seres iluminados?

Por que existem tão poucos seres iluminados?

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Por Henrique Katahira*

Foto de Sayan Nath (Unsplash)

Estamos num momento de transição econômica, passando da era industrial para a era da informação. Uma era onde todo o conhecimento já produzido pela humanidade, ancestral e moderno, pode ser acessado através de um aparelho que cabe no bolso e pode ser compartilhado para milhares de pessoas em questão de segundos.

Há duas décadas atrás, teríamos que viajar para muito longe para ter acesso a um satsang (palestra) de um mestre iluminado, viver num monastério em uma montanha isolada no Himalaia e meditar até chegar a iluminação.

Hoje, muitos mestres iluminados falam inglês, escrevem blogs, têm canal no Youtube e podcasts com milhares de seguidores que traduzem voluntariamente seus ensinamentos para todos os idiomas possíveis.

Além disso, temos acesso a várias tecnologias de cura, terapias, plantas enteóginas, mantras, orações, técnicas de meditação e yoga e até mesmo a ciência pode nos ajudar a expandir a nossa consciência.

Mas mesmo com tanto acesso à informação e tecnologia, por que há tão poucos seres iluminados no mundo?

Na minha opinião é porque poucas pessoas realmente queiram se iluminar. Ou porque acham que a iluminação é algo impossível ou porque acham que a iluminação é algo chato do tipo morar numa caverna, vestir roupas estranhas, parar de comer carne, beber vinho e fazer sexo e virar um santo ou um guru.

Vamos começar desmistificando a segunda hipótese. Um ser iluminado não precisa necessariamente ser um guru. Ele poderá se tornar um guru se este for o seu chamado. Um ser iluminado pode sim fazer sexo, comer carne e beber vinho se quiser. A diferença é que ele não permite que prazeres mundanos se transformem em obsessão.

Segundo o budismo, a iluminação é um estado de felicidade plena, de união com o divino. É viver num oceano de paz, totalmente no fluxo e conectado no presente, sem se preocupar com o futuro e sem se apegar ao passado. É libertar-se de todos os medos, condicionamentos e julgamentos e poder expressar sua essência verdadeira.

Estou longe de chegar no estado de iluminação mas quero realmente experimentar viver num oceano de paz. E não acho que seja impossível (apesar de achar muito desafiador em algumas situações).

Acredito que graças aos avanços da tecnologia e o acesso à informação a humanidade passa por um momento onde vários seres se iluminarão numa curva exponencial. E, sim, quero fazer parte desse grupo!

Aproveito para reafirmar aqui os meus votos de bodhisattva de buscar a iluminação própria e a de todos os seres.

Gasshô.

*Henrique Katahira é cocriador da Academia da Natureza e cuidadoria. Fluxonomista, permacultor organizacional, instrutor de yoga e empreendedor holístico.

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