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Pequenos atos de generosidade e a neurociência da gratidão

Pequenos atos de generosidade e a neurociência da gratidão

Nowmastê

Imagens do cérebro mapeiam o mecanismo neural da gratidão ativado pela generosidade.

Por Christopher Bergland, The Athete’s Way, Via Psychology Today

Source: KonstantinChristian/Shutterstock
Source: KonstantinChristian/Shutterstock

Gratidão define-se por: “a qualidade de ser agradecido, prontidão em reconhecer e retribuir gentilezas”. Quase 2 milênios atrás, Cícero proclamou que a gratidão era a “mãe de todas as virtudes”. Seneca falou da gratidão como sendo uma força motivacional fundamental na construção das relações interpessoais.

Estudos recentes mostraram que generosidade e gratidão andam lado a lado nos níveis psicológicos e neurobiológicos. Generosidade e gratidão são os lados distintos de uma mesma moeda. E são simbióticos. Felizmente, cada um de nós tem a autonomia de iniciar o espiral neurobiológico positivo de bem-estar que é disparado pelos pequenos atos de generosidade e gratidão a cada dia de nossas vidas. Por que não praticar um pequeno ato de generosidade hoje?

Gratidão, generosidade e a “sobrevivência do mais forte”

Em um post anterior do Psychology Today, “The Evolutionary Biology of Altruism”, eu escrevi sobre a variedade de estudos interdisciplinares que identificam as raízes do porquê a compaixão, a cooperação, o fazer parte de uma comunidade são aspectos centrais para a nossa sobrevivência individual e coletiva. Em última análise, parece que amorosidade e gentileza superam o modus operandi maquiavélico do “cada um por si”, mesmo quando o assunto é a sobrevivência do mais forte.

Em estudo realizado na University of Southern California (USC), pesquisadores usaram imagens de ressonância magnética do cérebro para mapear as correlações neurobiológicas da gratidão. O objetivo do estudo era examinar uma variedade de experiências de gratidão e identificar correlações neurais.

O estudo de outubro de 2015, “Neural Correlates of Gratitude”, foi publicado no jornal Frontiers in Psychology. O autor, Antônio Damásio, é o diretor do Brain and Creativity Institute (BCI) e do Domsife Neuroimaging Institute na USC e professor de psicologia e neurologia. Damásio é mundialmente conhecido por suas pesquisas neurocientíficas sobre como as emoções tem um papel central nas nossas cognições sociais e nos processos decisórios.

O circuito cerebral da gratidão

Source: James Steidl/Shutterstock
Source: James Steidl/Shutterstock

Gratidão é fio fundamental que segura junto toda a malha do nosso tecido social. Sentimentos de gratidão alimentam nossa saúde mental individual e fortalecem nossos vínculos com as outras pessoas. Os benefícios pessoais e interpessoais da gratidão acontecem no nível psicológico e neurobiológico.

Nos estudos mais recentes sobre gratidão, o autor Glenn R. Fox, PhD, do Brain and Criativity Institute da USC, colaborou com a fundação Shoah da USC, criada em 1994, por Steven Spilberg para ser uma organização sem fins lucrativos para registrar em vídeo os depoimentos dos sobreviventes e testemunhas do Holocausto e de outros genocídios para fins educativos. Fox descreve o estudo recente dizendo:

“Nós partimos da hipótese de que os níveis de gratidão fossem estar correlacionados com as atividades nas regiões de cognição moral do cérebro. Os estímulos utilizados para obter gratidão foram tirados das histórias dos sobreviventes do Holocausto, pois muitos deles relatavam terem sido abrigados por estranhos ou recebido comida e roupas e tinham um forte sentimento de gratidão por esses presentes. Pedimos aos participantes que se colocassem no contexto do Holocausto e imaginassem como seriam suas próprias experiências e sentimentos ao receberem tais presentes. A cada presente eles avaliavam sua gratidão.

O resultado revelou que a avaliação da gratidão está correlacionada com a atividade cerebral no córtex cingulado anterior e no córtex medial pré-frontal, validando nossa hipótese. Os resultados nos mostraram uma janela para o circuito cognitivo moral do cérebro e das emoção positiva que acompanham as experiências de nos beneficiarmos da boa vontade de outras pessoas.”

Fox disse que eles e seus colegas descobriram que quando o cérebro sente gratidão, ele ativa áreas responsáveis pelos sentimentos de recompensa, cognição moral, julgamentos subjetivos de valor, equidade, processos decisórios econômicos e auto-referência.

Além das descobertas científicas, as pessoas estudadas também relataram outro benefício do estudo sobre gratidão… Os participantes adquiriram uma melhor percepção sobre o holocausto e uma maior empatia pelos sobreviventes. Em um comunicado a imprensa o diretor executivo da Fundação Shoah, Stephen Smith, disse:

“Em seus testemunhos, muitos dos sobreviventes do Holocausto disseram que eles tinham motivos para serem gratos, seja pela oferta de um pouco de comida de um desconhecido ou de abrigo para se esconder de um vizinho. Estes pequenos atos de generosidade os ajudaram a manter suas humanidades. Que Glenn tenha sido capaz de usar esses testemunhos em sua incrível pesquisa sobre gratidão mostra por que é tão importante preservar as vozes de pessoas que viveram em tempos tão sombrios.”

Conclusão: Neurobiologia acredita nos benefícios de viver pela regra de ouro

Em comunicado a imprensa, Damásio concluiu sobre seus estudos: “Gratidão recompensa generosidade e mantém o ciclo do comportamento social saudável”. Como essa pesquisa mostra, generosidade e gratidão trabalham juntas de forma que beneficiam ambos: quem dá e quem recebe. Temos a esperança de que essa pesquisa irá inspirar cada um de nós a incluir pequenos atos de generosidade em nossas interações diárias com os outros e a retribuir essa boa vontade com gratidão.

Tradução: Nowmastê.

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