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Para florescer é preciso superar o frio

Para florescer é preciso superar o frio

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Por Matheus Miranda, do blog SER e SÓ

“Quando nenhuma folha restar talvez entendamos.

Muito se fala do desejo de ser grande, de ser reconhecido ou de ser importante. Todo mundo quer ser lembrado por alguma coisa. Todo mundo quer atenção por algo que tenha feito, ou até mesmo por algo que tenha (grande tolice). Esse trabalho nos é imposto muito antes de termos a capacidade de sabermos o que está acontecendo conosco, de sabermos quem somos na verdade. e passamos a chamar toda essa encenação de vida. Você ainda lembra como era o mundo antes de você ter adquirido a primeira responsabilidade?

Lembro-me, com apenas cinco anos, questionando qual era o sentido de ir para a escola. Por mais que meus pais e outros adultos elaborassem listas de justificativas para tamanha sacanagem – sim, eu achava uma tremenda sacanagem tirar uma criança de sua anti-rotina para ter que aprender sobre um mundo que ela nem estava interessada em conhecer – tudo o que precisava para encarar o mundo e seus desafios já estavam em mim… acreditava. A minha imaginação era capaz de derrotar qualquer monstro, minha inteligência era capaz de criar qualquer engenhoca e aquilo que estava longe do meu saber era facilmente subordinada à minha intuição. O mundo era um quintal gigante, com aventuras, amigos e uma porção de coisas boas que eu sabia que um dia descobriria de forma mágica.

“A minha imaginação era capaz de derrotar qualquer monstro, minha inteligência era capaz de criar qualquer engenhoca e aquilo que estava longe do meu saber era facilmente subordinada à minha intuição. O mundo era um quintal gigante, com aventuras, amigos e uma porção de coisas boas que eu sabia que um dia descobriria de forma mágica.”

Porém, dia após dia a rotina foi posta em minhas costas como uma salvação. Durante anos foi condicionado a pensar que só seria alguém na vida se tivesse muito estudo e, com isso, conseguisse um bom emprego. Aí sim, eu seria o super herói dos meus pais, tios e demais parentes. Deixei de questionar o mundo, de procurar entender as pessoas, já não queria saber mais os porquês. A vida foi se reduzindo a um fazer sem sentido, sem propósito. Nessa corrida, sem ao menos saber por que, fui desaparecendo. Em meu lugar foi surgindo alguém completamente novo, estranho e até cruel. O pior de tudo é que este ser era cruel até comigo mesmo. E assim eu apaguei.

Eu apaguei para a vida. No lugar meu novo eu, uma pessoa competente, estudiosa, dedicada foi surgindo e com seu olhar gelado trouxe pouco a pouco o inverno. No início até me iludi. Acreditei que esse era o caminho que tantos outros homens de sucesso trilharam. Já tinha lido sobre os filósofos e grandes homens que dedicaram a sua vida ao nosso “bem-estar”. Mas não esse inverno que convida a vida à adormecer e ressurgir mais bela, e sim como um inverno que tudo mata e sufoca. Eu já não conhecia mais outras estações e suas maravilhosas. Eu me tornei esse frio.

Mas, por mais rigoroso que seja o frio, por mais intensa que seja a escuridão, lá no fundo, bem no fundinho da alma sempre vai existir uma luz. Basta fechar os olhos, mergulhar-se em si sem medo, sem culpa, sem cobrança e até mesmo sem fé que tudo o que você já foi um dia estará lá. Dentro dessa casca grossa que você se tornou ainda existe aquele menino ou menina que nada quer, nada cobra e nada promete, somente é. Por mais longe que essa centelha possa estar, nesse mergulho, quando você quebrar toda essa barreira que você construiu e chama de vida, a sua vida, esse ser estará lá e, mais uma vez, ao menos por um eterno segundo, você saberá o que é o amor.

Permita-se SER e SÓ.

*Matheus Miranda é um vagalume que se propôs a ser ele mesmo, mesmo sabendo que a busca por si mesmo é sempre algo constante e mutável. Apaixonado pela escrita é membro idealizador do blog SER E SÓ, o qual surgiu da vontade de viver em um mundo mais leve, divertido e com amor!

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