Os movimentos da força vital no corpo – os cinco vāyus

Por Tales Nunes* do blog Vida de Yoga

O termo “prāṇa“ é usado, em termos gerais, como sendo a força da fala, a vitalidade nos membros do corpo, o princípio do movimento, o alimento ou o Sol, que é a fonte material de energia de toda a vida na Terra. A energia é uma só, mas há diversos movimentos do prāṇa no corpo. Assim como a água é uma só, mas no mar há diferentes correntes. O próprio nome “prāṇa” é usado para definir um movimento específico.

Esses ares do corpo são:

Apāna vāyu é traduzido como “o ar que se move para fora”. O seu movimento predominante é descendente e exterior. Está localizado na região baixa do abdômen, do umbigo ao assoalho pélvico. Apāna é o aspecto da força vital que governa a capacidade de eliminar o que não é necessário ao corpo. Assim como na respiração exalamos após a inalação eliminando o que não é necessário ao corpo, apāna é a energia associada à eliminação.

Está associado à excreção e ao movimento centrífugo na matéria. No psiquismo é dveṣa, a aversão. O organismo se apropria do que gosta e expele ou repele o que não precisa. É composta por todos os tipos de expulsão e eliminação como urina, fezes, suor, excreção nasal, expulsão do sêmen e o parto. A mente é recebida no útero por prāṇa vāyu e é expelido como um bebê por apāna vāyu.

No plano macrocósmico da natureza vemos, por exemplo, seu movimento gerar a erupção de vulcânicas.

O funcionamento saudável de apāna vāyu é tão importante quanto de prana vāyu. Sem o bom funcionamento de apāna vāyu a pessoa perde energia e sente falta de determinação, preguiça, confusão mental.

A ação de mula bandha está intimamente associado ao movimento de apāna vāyu.

Prāṇa Vāyu é o “movimento que nos coloca adiante”. É o movimento centrípeto da matéria. Move-se internamente e é responsável por receber o alimento, a água, pela inalação e pela percepção. Está localizado na região do coração. É uma energia propulsora de Vida.

Prāṇa e Apāna vāyus se movem de forma complementares em direções opostas durante nossa inalação e exalação. Quando inalamos prāṇa vāyu se move para cima, do umbigo ao peito, enquanto apāna vāyu se move para baixo, do umbigo ao períneo. Na exalação, ambos se movem em sentido oposto. Ambos oscilam a partir do kanda, do centro do abdômen.

Poderíamos dividir o movimento da força vital, de forma geral, nessas duas características, prāṇa e apāna, mas há particularidades nas quais a força vital se manifesta, gerando mais três funções no corpo.

Vyāna vāyu quer dizer “movimento externo do ar”. Move-se do centro do corpo para a periferia. Ele permeia todo o corpo, é a energia que conecta e que coordena. Não tem local específico, mas coordena todas as capacidades, como os órgãos de percepção e flui por todas as nadis conectando todas as funções nervosas, venais, musculares, articulares e de circulação de nutrientes no corpo. É, em termos gerais, a função de distribuição. O que foi apropriado pelo prāṇa e que não foi rejeitado por apāna; o que foi assimilado por samāna é distribuído por vyāna.

Inclui o transporte do fluido sanguíneo produzido pela digestão do alimento, assim como os movimentos do corpo como um todo, como pular, caminhar. Suas funções estão associadas ao elemento água. Seu equilíbrio é fundamental para que a pessoa se sinta integrada. Governa as interações da pele com o meio ambiente. Está associado ao nosso senso de limite através do qual nós nos definimos enquanto pessoa.

Em desequilíbrio a pessoa pode perder o equilíbrio motor e se sentir desastrada. A coordenação entre mente e corpo pode ser comprometida. Desequilíbrio nesse vāyu pode causar também incapacidade de se ter prazer devido ao embotamento dos sentidos. Sua energia é ativada a partir de mūla bandha.

Samāna Vāyu é literalmente “o ar que equilibra”. Move-se na região do plexo. É o centro que controla o fogo digestivo, a função da digestão e o metabolismo. Essa força que seleciona ou rejeita o alimento, transforma-o através da digestão e então assimila. Está associado também à assimilação do oxigênio da respiração. Bem como a assimilação de experiências vivenciadas a partir de todos os sentidos. É a força que unifica as duas forças opostas, prāṇa e apāna. Está associado à área onde fazemos uddhiyāna bandha.

Quando samāna não funciona bem a pessoa pode reter toxinas no corpo, causando encurtamento da respiração e problemas gástricos.

Na mente é a força que separa e discerne entre o benéfico e o não benéfico. Ajuda-nos a assimilar informações para tomar decisões a partir de nosso discernimento. Quando há um desequilíbrio pode causar delírios. Por isso que na tradição do Yoga o poder da digestão está intimamente associado ao poder da mente de discriminar e de julgar.

Udāna Vāyu é “aquele que leva para cima”. Está associado à região da garganta e à cabeça. Regula a função muscular e a força nas extremidades, bem como a função sensorial dos olhos, orelhas e nariz. É considerada a força responsável por todo crescimento, nossa habilidade de ficar de pé, falar, fazer esforço, de entusiasmo e de vontade. Na cabeça está associada à expressão de ideias, às funções relacionadas à fala, ao canto, ao grito, utilizando, para isso, o ar inalado pelo prāṇa .

Desequilíbrios podem causar o encurtamento da respiração e outros problemas respiratórios, bem como falta de vigor nos membros e dificuldade de articular ideias.

Movimento dos Vāyus e os Chakras

Udāna – da garganta à cabeça – Viśudha Chakra – espaço
Prāṇa – da base da garganta ao umbigo e o contrário – Anāhata Chakra – ar
Samāna – da periferia do corpo ao centro – Maṇipūra Chakra – fogo
Vyāna – do centro à periferia de todo o corpo – Svādhisthāna Chakra – água
Apāna – do umbigo ao assoalho pélvico – Mūlādhāra Chakra – terra

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