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Os ciclos e a impermanência

Os ciclos e a impermanência

Ana Cristina Koda

Por Ana Cristina Koda*

Ciclos e impemanência

Outro dia uma amiga comentou que ela andava observando que as pessoas que nunca quiseram casar estavam querendo muito casar, quem já foi casado não queria nem ouvir a palavra casamento; quem nunca se preocupou com dinheiro estava economizando e quem sempre se preocupou demais estava gastando mais; quem nunca ligou para aparência ou com a saúde estava se cuidando mais e vice-versa. Fato!

Mas o que está acontecendo? As pessoas estão em crise de personalidade, enlouquecendo? Não!!! Simplesmente esgotaram ciclos e querem iniciar outros, ter novas experiência de vida, aqui e agora. E só esgotaram ciclos porque viveram intensamente o papel que lhes cabia antes.

Por isso, também tem muita gente querendo começar novas carreiras, mudar o estilo de vida, buscar novos horizontes, pois é para isso que estamos aqui nesta experiência terrena. Experimentar possibilidades. Sem a impermanência da vida, ficaríamos para sempre congelados e limitados.

Um dia estava assistindo uma palestra do Roberto Otsu sobre Taoísmo e ele foi questionado sobre o motivo da China, com toda aquela sabedoria ancestral, estar abandonando muito da sua filosofia de vida com ações tão capitalistas. O Roberto respondeu que era porque a China estava mudando de ciclo. Países também finalizam e iniciam ciclos, e a impermanência é um conceito que o próprio Taoísmo muitas outras filosofias pregam.

Falando em oriente, no Tibet, país que tem a base da sua cultura na religião budista, tem se rendido ao consumo. Para os tibetanos, muita coisa que para nós é trivial, para eles é novidade, e todos somos atraídos pelo que nunca tivemos ou vivemos. Faz parte da vida termos contato com novidades e aprendermos com ela.

Mesmo se considerarmos a invasão da China no Tibet, por mais triste que tenha sido, iniciou um novo ciclo para o budismo, que tem se espalhado no ocidente trazendo um conhecimento antes restrito a poucos. De qualquer maneira, em tudo existe um processo de aprendizado, seja individual ou coletivo, que leva a uma evolução de consciência.

Da mesma forma, eu diria que os nossos sucessos levantam a nossa autoestima e os nossos fracassos desenvolvem a nossa humildade, nos ajudando a nos tornarmos seres com uma compreensão maior de nós mesmos, da nossa grandeza e fragilidade, em todos os momentos. Os ciclos e a impermanência nos ajudam a “realizar” o sentido da vida, que só tem sentido se vivida.

No budismo é dito que é preciso estudar muito (os monges precisam decorar os ensinamentos para começar a poder discutir um assunto), depois meditar sobre o tema para, um dia, quem sabe, ter um insight, a “a ficha irá cair”, e a pessoa irá “realizar” ou realmente terá aprendido o que foi estudado. Só passando por estas três etapas é que se adquire a compreensão necessária de um ensinamento.

Tenho percebido que tudo na vida é assim. Mesmo que não venha na forma de textos e livros, precisamos conhecer muito bem uma situação, às vezes vivendo e revivendo as mesmas muitas vezes, refletir muito sobre o resultado destas, para depois compreendermos o seu significado em nossas vidas. Talvez o aprendizado seja um processo de apreensão através dos ciclos, que se torna base para uma abertura de consciência, novas ideias e atitudes. Cada ciclo é uma porta que se fecha para que uma janela se abra e, desta forma, possamos enxergar o céu e imaginar o infinito.

Ana Cristina Koda

*Ana Cristina Koda

Humana em evolução. Ser interestelar voltando para casa. Assistente da vida para a criação de um novo mundo, aqui e agora. Auxilia as pessoas no mesmo caminho.

Contato pelo email: [email protected]

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