Os 7 obstáculos mais comuns para os iniciantes na meditação e como superá-los

Por Bodhipaksa via Denis Karenkin Yoga

Recentemente me pediram para escrever um ou dois parágrafos sobre as principais frustrações para quem está começando a meditar e como superá-las. Mas como dois parágrafos não são suficientes, resolvi fazer a coisa completa e preparar uma lista com todos os principais obstáculos. Aqui está:

1) Esperar resultados instantâneos

Muitas pessoas buscam uma solução rápida, mas meditar é sobre trabalhar com nossas mentes e isso leva tempo. Ao longo de anos, construímos hábitos como pensar demais, reagir, julgar, entre tantos outros. Trazemos tais hábitos para a nossa prática de meditação e devemos, antes de tudo, aprender a identificar esses hábitos e, então, trabalhá-los. Leva tempo para desaprender velhos hábitos. Leva tempo para desenvolver hábitos novos e construtivos.

A solução: Entender que meditar é como um exercício. Você não vai à academia e instantaneamente entra em forma. É algo que você precisa fazer regularmente para perceber os resultados.

2) Perceber que a mente está agitada

É muito comum sentarmos para meditar e percebermos que nossa mente está à mil por hora e os pensamentos não param. Às vezes chamamos isso de “mente de macaco”, em referência à imagem de um macaco pulando de galho em galho. Quando estamos começando, frequentemente não é apenas difícil encontrar alguma tranquilidade, é de fato impossível.

A solução: A ceitar que a mente está agitada. Mesmo pessoas que estão meditando há anos ocasionalmente tem momentos em que suas mentes estão pensando quase sem parar. A diferença é que elas não se incomodam com isso. Elas não vêem tal situação como um sinal de que algo está errado. Elas sabem aceitar que, às vezes, a mente é assim. Então, elas não se frustram quando surgem diversos pensamentos. Elas simplesmente se desprendem desses pensamentos, repetidas vezes, e voltam à prática da meditação.

3) Desconforto físico

No início, pode ser que não saibamos como sentar confortavelmente para meditar. Isso pode acontecer quando nos forçamos a sentar com as pernas cruzadas e não temos flexibilidade suficiente para fazê-lo. Ou pode ser que não tenhamos o material adequado, e nos sentemos em almofadas macias demais, que não suportam nosso peso. Ou ainda, mesmo que tenhamos uma boa postura e um bom material, pode ser que apenas não estejamos acostumados a nos sentarmos naquela posição por muito tempo. O desconforto que sentimos por estarmos sentados em uma postura que não funciona para nós pode transformar a prática de meditação em uma sessão de tortura.

A solução: Experimente diferentes posições e diferentes materiais para encontrar aquele que é apropriado para você. Algumas pessoas precisam usar cadeiras ou bancos específicos para meditação em vez de tentar se sentar em almofadas. Quando você tiver resolvido essa parte, seu corpo vai aprender a relaxar e você conseguirá ficar sentado por mais tempo sem desconforto.

4) Ficar entediado

Tédio é um problema comum para aqueles que estão iniciando a prática da meditação. O tédio surge quando começamos a acalmar a mente, mas ainda não aprendemos a apreciar a beleza singela dessa experiência. Muitos de nós estamos sempre imersos em nossos próprios pensamentos: passamos tanto tempo pensando que esquecemos de sentir nosso corpo. Então, quando nossos pensamentos começam a desacelerar, não nos sobra muito o que fazer. E é difícil permanecer motivado a fazer algo que achamos entediante, então acabamos desistindo.

A solução: A longo prazo, interocepção (a habilidade de sentir o que está acontecendo em nosso corpo) é algo que aperfeiçoamos com a prática. Ao continuarmos meditando, percebemos que nossa experiência com nosso corpo se torna mais rica, mais detalhada e mais prazerosa. Eventualmente, o corpo pode ser uma fonte de prazer em cada momento que passamos despertos. Se apenas persistirmos, isso irá acontecer.

No percurso, é útil desapegarmos da ideia de prestar atenção na respiração e, em vez disso, estarmos atento ao respirar. Isso abre caminho para uma experiência de meditação mais rica, completa e prazerosa. O respirar envolve o corpo inteiro numa dança de sensações entrelaçadas. Quando começamos a experimentar o respirar desse modo, não ficamos mais entediados e percebemos que nossa capacidade de interocepção melhora rapidamente, para que tenhamos uma experiência mais completa e satisfatória com nosso corpo.

5) Não perceber progresso

É natural querer que sua prática de meditação lhe proporcione algo, tragá-lhe benefícios. E você se pergunta quando isso vai começar a acontecer. “Por que minha mente ainda está cheia de pensamentos?” – você pode se perguntar. O problema é que estar demasiadamente preocupado com aonde você espera que a meditação possa te levar, na verdade, interfere na sua habilidade de experimentar e aproveitar o momento presente.

Frequentemente as pessoas não conseguem realmente perceber o quanto elas estão mudando – as outras pessoas podem observar que estão mais calmas e felizes, mas elas mesmas não o percebem. Por quê? Porque estamos tão próximos de nós mesmos que não nos vemos claramente.

A solução: Você fará mais progresso se não estiver tão preocupado com o progresso. Só esteja presente. É como uma família em uma longa viagem de carro: as crianças no banco de trás estão constantemente perguntando quanto falta para que cheguem ao destino, enquanto os adultos conseguem relaxar mais facilmente durante a jornada, sem o desejo de estar em outro lugar.

6) Acreditar nas suas dúvidas

Confiar demais nos pensamentos que a mente cria é algo que afeta tanto aqueles que são experientes na prática da meditação quanto aqueles que estão iniciando. Esses pensamentos podem ser aquela vozinha que nos diz coisas como “você não é muito bom nisso. Outras pessoas são, mas não você. Você não foi feito para meditação. Na verdade, você é péssimo nisso. É melhor desistir mesmo”. Se acreditamos nessas vozes, pode ser muito trabalhoso continuarmos com nossa prática.

A solução: É difícil perceber que não precisamos acreditar em nossos pensamentos. Pensamentos são apenas histórias. Às vezes eles são histórias sensatas e úteis, mas às vezes são apenas racionalizações dos nossos medos. Pode haver partes de nós que tenham medo de mudar positivamente. E essas partes de nós podem tentar nos desviar da nossa prática nos dizendo que somos ruins nela. Então aprenda a parar um momento e tratar seu narrador interno com ceticismo. Esses tipos de monólogo interior são o que chamamos de bloqueio de dúvida. Quando aprendemos a identificar esse bloqueio, ficamos menos propensos a sermos dominados por ele.

7. Estabelecer uma prática regular

Pode ser realmente trabalhoso estabelecer uma prática de meditação diária. Isso é verdade, mesmo quando a prática de meditação está indo bem e estamos gostando dela. Pode ser que estejamos muito ocupados ou que exista alguma resistência mesmo que tenhamos o tempo para nos sentarmos. Às vezes, isso faz com que as pessoas gradualmente desistam da meditação. Elas não se sentam para meditar por alguns dias, até que passam algumas semanas, e elas se esquecem até de tentar.

A solução: Primeiro, comprometa-se a se sentar, mesmo que seja por apenas cinco minutos por dia. É melhor meditar por um curto período diariamente do que se sentar por períodos mais longos, mas “pular” dias. É muito melhor fazer alguma meditação do que nenhuma. Depois, tente esse mantra: “eu medito todo dia. É o que eu faço. É uma parte de quem eu sou”.

Boa sorte!

Artigo original: https://www.wildmind.org/blogs/on-practice/the-seven-top-frustrations-for-beginning-meditators-and-how-to-overcome-them

Tradução: Sarah Hora

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