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Onde vivem os monstros?

Onde vivem os monstros?

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Por Matheus Miranda, do blog SER e SÓ

imagem divulgação

O filme “Onde vivem os monstros” é um convite bem sutil para olharmos para dentro de nós mesmos e encarar nossos próprios monstros. Ele é inspirado numa história infantil de 1963 do escritor americano Maurice Sendak e conta a história de Max, um menino que se fantasia de lobo, se sente sozinho sem a atenção de sua irmã mais velha e com ciumes de sua mãe. Pelas suas malcriações é colocado de castigo, decide então fugir de casa. Ao fazer isso chega num lugar habitado por grandes monstros para os quais ele mente ter poderes e, assim, se torna o rei deles.

A princípio parece ser uma temática muito boba. De certa forma achamos apelativo filmes de crianças que fogem de casa e vivem uma grande aventura. Parece até filme de sessão da tarde e, por nos acharmos muito adultos, menosprezamos tudo o que classificamos como simples demais. Porém, quando tiramos de lado o preconceito bobo e olhamos o enredo dessa história com o coração aberto, percebemos quantas semelhanças carregamos em relação a esse garotinho. Aliás, passamos a ver nele nossa criança interior, como num espelho! Essa é a grande magia do cinema.

O lugar para onde o Max vai é uma criação de sua cabeça e de sua fértil imaginação. Porém, é literalmente nesse mesmo lugar onde vivem os monstros que ele e todos nós temos que lidar. Cada monstro, no meu entender, representa um aspecto da personalidade do garotinho. Cada um deles tem um comportamento, um temperamento e uma maneira de ver as situações da vida. Porém, estão todos interligados, tendo que conviver em conjunto para assim sobreviverem. Assim somos nós, habitados por monstros que interagem entre si e os quais insistimos em não querer ver. Acreditamos que fingir que eles não existem fará com que todos os problemas causado por eles se dissolvam no tempo. A vida não é assim! Como diria Rick Jarow, ou lidamos com nossos monstros ou eles nos devoram. Qualquer semelhança dessa estória com o nosso processo de autoconhecimento é pura coincidência, ou não!

Na história Max tentou lidar com os seus monstros os distraindo com jogos e brincadeiras. Pensava que dessa forma poderia adiar infinitamente os problemas criados por e entre eles. Até que tudo parece desabar e o fim estar próximo.

Porém, o que seria desse lugar, vulgo nossa vida, sem os nossos monstros? Eles fazem parte de nós e cada um quer sempre nos dizer alguma coisa. Foi exatamente no momento que o menino foi completamente sincero e deixou que cada coisa ficasse no seu lugar que as coisas se encaixaram cada uma em seu lugar.

Por medo ou condicionamento preferimos esconder todos os nossos monstros num lugar inóspito, alimentando-os ano após ano com nossos tesouros para que eles fiquem lá, jamais fujam e, assim, não tenhamos que encará-los.

Assistindo o filme como uma criança, com o coração aberto e sincero interesse foi que percebi o quanto, há muito tempo, deixei para trás a coragem de criança. Por medo ou condicionamento preferimos esconder todos os nossos monstros num lugar inóspito, alimentando-os ano após ano com nossos tesouros para que eles fiquem lá, jamais fujam e, assim, não tenhamos que encará-los. Pensando bem, talvez neles residam nosso maior tesouro, a nossa maior contribuição para o mundo. Só quando somos inteiros, quando integramos todas as nossas partes, inclusive as sombras e nossos monstros, é que entendemos qual é a nossa principal contribuição para o mundo.

Então, quero deixar o convite para vocês refletirem e se perguntarem: onde vivem os seus monstros?

Viva, descubra, integre e assim seja a contribuição que veio ser, permita-se SER e SÓ.

*Matheus Miranda é um vagalume que se propôs a ser ele mesmo, mesmo sabendo que a busca por si mesmo é sempre algo constante e mutável. Apaixonado pela escrita é membro idealizador do blog SER E SÓ, o qual surgiu da vontade de viver em um mundo mais leve, divertido e com amor!

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