Lendo agora
Onde estava minha energia vital?

Onde estava minha energia vital?

Juliana Marinho Pires

Por Juliana Marinho Pires*

Essa frase do livro Filho de Deus me caiu como uma luva quando li: “enfrenta cada novo dia com uma disposição salutar, sabendo-te útil na obra de Deus, que te concede ilimitados recursos para o triunfo ao teu alcance, desde que te libertes dessa postura enferma, a que dás o nome de cansaço”.

Há algum tempo, durante determinados momentos na semana, me sentia cansada, cabeça pesada e a ideia de que precisava descansar muito. Sempre bocejava e me sentia mal por isso. De onde vinha essa baixa de energia? Por que meu corpo se comportava assim, numa luta interna contra tanta vontade de viver e fazer as coisas? Era contraditório. Em algum estágio de reflexão decidi aceitar e entender que meu metabolismo era assim. Eu era uma pessoa cansada. O mais divertido é que eu realmente fazia mil coisas, não era o tipo prostrada em cima de uma cama. Eu era o tipo cansada de tanto pensar.

Percebi que não eram as milhões de atividades que eu realizava que me cansavam, e que o corpo físico não tinha nada a ver com isso. Descobri que o que me deixava exausta era pensar muito e regurgitar ideias, lembranças do passado, preocupações com o futuro. Esse contingente desnecessário de fluxo mental drenava a minha energia vital.

Mais ou menos na época desses insights, fui convidada para uma sessão experimental de bioenergética. Já tinha escutado sobre essa terapia, e sabia que era a liberação de traumas e bloqueios por meio de exercícios com o corpo coordenados com a respiração, mas não tinha a menor ideia de como isso era na prática. Fui lá, claro, como ser curioso que sou. Durante a sessão, chorei como uma criança por alguns minutos, de soluçar e engasgar. Os exercícios me fizeram conectar com algo travado dentro de mim, que não sabia o que era, e também não importava. Só sei que tirei uma tonelada das costas. Não me lembro da última vez que fiz aquilo.

Aceitei o desafio de fazer bioenergética regularmente, em sessões individuais e em grupo. A cada encontro uma nova percepção, um outro tapa na cara,frustações expostas, feridas escancaradas, às vezes vontade de celebrar as conquistas e a vida, ativação da libido e boas risadas de doer a mandíbula.Lembro de momentos em que não consigo externalizar minha raiva guardada e enquanto alguns gritam, uivam, eu dou conta de dizer um “ai, que droga”. Outros momentos brado como leão, choro como criança e pulo como se estivesse numa rave sob efeito de entorpecentes. Tudo isso está dentro de mim, para ser trabalhado, observado, reconstruído ou criado. O nosso material interno é tão vasto! É muito mágico!

Sessão em grupo de bioenergética. Foto: arquivo Centro Namastê
Sessão em grupo de bioenergética. Foto: arquivo Centro Namastê

E a minha energia vital? Vem melhorando a cada dia. Hoje já não bocejo fora de hora. Não me preocupo em dormir rigidamente pelo menos oito horas por dia nem me coloco na posição de um “ser eternamente cansado”. Percebi que eu deixava essa carapuça ser vestida em mim e quanto mais eu vestia, mais achava que ela era eu.

O Centro Namastê do Rio, que me acolheu, oferece numa casa antiga bem aconchegante, além de bioenergética, a escola de meditação, com meditações ativas que te conectam com a tua energia interior e seu poder pessoal. Além disso, o propósito é o de soltar várias amarras adquiridas durante a vida, por meio da educação que tivemos, das influências religiosas, de crenças limitantes, da repressão sexual e profissional, enfim, tantos e tantos vícios destrutivos adquiridos com o tempo. O Centro também existe em Porto Alegre, onde foi fundado em 1983, e Lisboa, em Portugal.

Nos arredores de Porto Alegre e atrelada ao Namastê também está a Osho Rachana Commune Meditation Center, certificada pelo ashram do Osho na Índia, comunidade onde muitas pessoas largaram suas vidas na cidade para viver. Lá são oferecidos retiros mais longos e imersões de bioenergética onde você pode trabalhar profundamente as suas questões com pai e mãe e sua sexualidade, inclusive adolescentes e crianças.

Para saber mais acesse https://www.facebook.com/namaste.rio/?fref=photo

Juliana Marinho

Meu nome é Juliana Marinho Pires. Sou jornalista e publicitária formada pela UnB, já morei na Alemanha, Espanha e Chile estudando e trabalhando. Por aqui já fui, entre outras coisas, diretora e produtora de documentários, professora universitária, assessora de comunicação, tradutora e até atriz. Viajante e curiosa compulsiva, me empreendi recentemente em um período sabático pela Ásia e África. Ao voltar, mergulhei de cabeça no universo da espiritualidade e atualmente também sou leitora de aura, pratico tantra yoga e bioenergética, além de experimentar nos campos do xamanismo, do sagrado feminino e visitar comunidades de diferentes grupos e filosofias de vida.

No momento estou em Fernando de Noronha!! Estou trabalhando aqui em um programa por 3 meses no Instituto Chico Mendes de Biodiversidade – ICM Bio),

Veja comentários (2)
  • Adorei o depoimento! Me sinto exatamente assim – num turbilhão de coisas para fazer, uma vontade enorme de viver mais e mais (sabe o pensamento de que o dia tivesse 48 horas?) mas um cansaço que vai além de mim, do meu corpo, está impregnado na mente como uma tatuagem… Vou ver se acho algum local de bioenergética! Adoro os textos de vocês! Obrigada!

Deixe uma resposta

Vá para cima