O Yoga da respiração

Por Denis Karenkin*

Muitos professores de yoga irão concordar que a respiração consciente é um dos componentes mais importantes de uma prática de Yoga asana. No entanto, nos últimos anos, um novo termo foi cunhado – a “Yoga centrada na respiração”. Para as pessoas que ensinam e praticam Yoga, isto pode soar redundante – claro que estou respirando enquanto estou praticando… e se eu esquecer de respirar, meu instrutor é rápido em lembrar – respire, respire, respire … É verdade que normalmente respiramos consideravelmente mais durante uma boa prática de yoga, mas na maioria das aulas de yoga em grupo, a respiração tem valor secundário ao da asana. Historicamente, a prática do Yoga tem sido vista como uma sequência de simples exercícios para elaborar posições e exercícios corporais que devem ser gradualmente aprendidos e realizados a fim de atingir sua plena expressão. Em uma aula de yoga comum isso geralmente é feito pelo instrutor, incentivando o aluno a se esforçar um pouco mais para realizar uma postura, e apenas quando este consegue, é que é lembrado para trazer sua atenção de volta para a respiração. Esta abordagem para a prática de yoga funcionou – e provavelmente continuará a funcionar para alguns – até hoje. Não vou falar sobre desvantagens potenciais associadas a esse tipo de abordagem. O importante é entender que essa abordagem não foca na respiração, mas deixa que a respiração se adapte ao que estamos fazendo com o corpo.

Eu pratiquei e treinei em várias escolas de Yoga – Hatha, Kundalini, Yin, Ashtanga Vinyasa – mas só quando fiz minha primeira prática centrada na respiração – com meu amigo e professor J. Brown – que entendi a diferença e os benefícios potenciais desse tipo de prática. Para aprender a praticar dessa maneira, você pode levar o tempo de algumas aulas ou sessões particulares. Na verdade, praticantes de Yoga experientes podem ter mais dificuldade, já que muitas vezes precisam reprogramar o modo como foram condicionados a respirar durante a prática da asana. A maneira comum pela qual os praticantes respiram é pela respiração profunda com a barriga. O abdômen expande com a inspiração e contrai-se ao expirar. O instrutor pode dizer “respire com a barriga” quando, na verdade, não há ar entrando realmente. No entanto, na abordagem da prática de asana centrada na respiração, essa ordem é invertida: começamos inalando para dentro do peito e a caixa torácica, deixando essa área se expandir (mantendo a barriga relativamente imóvel) e quando os pulmões estão cheios, pausamos por um segundo e só depois começamos a expirar, relaxando a barriga enquanto o ar é liberado e depois contraindo os músculos do abdômen levemente para expelir completamente o ar. Você pode chamar de respiração de cima para baixo. Quando eu guio meus alunos, eu também posso dizer – inspire em cima e expire embaixo.

Outro aspecto importante da abordagem centrada na respiração (se não a mais importante) é que o movimento segue a respiração, em vez de a respiração ter que se adaptar ao movimento – o que é frequentemente o caso em uma aula de yoga em grupo. Começamos a inspirar, sentindo a caixa torácica começar a se expandir, e só então começamos o movimento (levantando os braços, por exemplo). Quando os pulmões estão cheios, paramos o movimento por um segundo – para sentir a plenitude da inspiração – então começamos a expirar e a sentir o abdômen relaxar e voltar-se para dentro, só então iniciamos o movimento (abaixando os braços, por exemplo). Nós não apenas sincronizamos a respiração e o movimento dessa maneira, tentamos fazer a respiração um pouco mais longa que o movimento. Esse modo de sincronizar a respiração com o movimento é chamado de “envelope de respiração”.

Ser capaz de respirar e se movimentar dessa maneira requer atenção e, portanto, ajuda a ficar mais concentrado durante a prática. Quando praticamos sinceramente assim, prestando atenção a cada inspiração e expiração, sentindo o movimento do nosso corpo em resposta à respiração, toda a experiência assume uma sensação meditativa – como uma meditação de tai-chi em movimento. Praticar assim – aliando nossa atenção, respiração e corpo – acalma a tagarelice da mente e nos ajuda a estar realmente presentes para o que está acontecendo no momento. No texto classico do Yoga, esse estado é chamado de “chitta-vritti-nirodha”.

Boas práticas!

*Denis Karenkin mora em Vitória, ES e além de dar aulas de Yoga e curso de Meditação Mindfulness, facilita sessões semanais de Banho de Gongo.

https://www.dkarenkinyoga.com/

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