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O que te define, te aprisiona

O que te define, te aprisiona

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Por Daniela Vianello*

Há uns anos, estive em um workshop sobre sustentabilidade e, durante a tradicional apresentação no começo do encontro – “fale um pouco sobre quem é você” – me deu um negócio, um incômodo… Para mim, aquele foi o grande momento do evento. Pois é. Vou explicar o porquê.

Eu sei que essa é uma dinâmica comum em eventos, faz parte, claro! Mas uma luzinha acendeu e a sensação que me deu foi de aprisionamento. Comecei a refletir sobre essa coisa de definições, de a gente se rotular o tempo todo para poder fazer parte de um “ibopão”, para poder criar uma sensação, ainda que falsa, de pertencimento… e de o quanto agir assim nos coloca em caixinhas, enclausurados nas limitações de cada definição.

Quando digo que SOU tal coisa, ou quando alguém me diz que SOU de tal jeito, é como se as infinitas possibilidades de me experimentar fossem abafadas. Não quero definições, nem minhas, nem dos outros. Não preciso que me compreendam. Isso é uma grande cilada. Quero experimentar uma escolha hoje e depois outra e mais outra. Sem funções ou papéis posso SER, e aí sim, SER, uma presença consciente. SER o espírito em uma jornada humana, como falam.

Acho que nessas horas, como a do evento, prefiro o verbo estar, “hoje estou coach”, amanhã posso estar escritora”, hoje estou chata, amanhã posso estar leve, etc… O ESTAR é mais livre, como se deixasse a porta aberta para eu sair e fazer novas escolhas. Ganho VIDA!

E aí, na mesma semana do evento, em total sincronicidade com minhas reflexões, recebi esse trecho do livro “O Louco” de Khalil Gibran que me encheu de emoção e calma, e que compartilho com vocês aqui:

“Perguntais-me como me tornei louco. Aconteceu assim: Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente, gritando: “Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”

Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo.

E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou: “É um louco! ”. Olhei para cima, para vê-lo. O sol beijou pela primeira vez minha face nua.

Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras. E, como num transe, gritei: “Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!”.

Assim me tornei louco. E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós”. Wow!

É isso… ando treinando, desde então, esse desapego. E termino, com uma frase que resume um pouco tudo isso… “Se você se define, nunca saberá que de verdade é“, Tao Te Ching.

*Daniela é buscadora. Coach de Saúde Integrativa pela IIN/NY, pratica Yoga, estudou Metafísica e Física Quântica, Alimentação Consciente, Mandalas, Leitura de Cartas e é Reikiana. Adora escrever e explorar o universo do comportamento humano. Contato: [email protected]

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