O que o FIM e o INÍCIO de ano tem a ver com respirar?

Por Mario Reinert*, do Namaskara Estúdio de Yoga

O conceito de Prana, da energia vital que tudo permeia e que a tudo faz viver não se limita a entender a respiração como a entrada e saída de ar dos pulmões. Nem tão pouco com a troca de gases por meio do sistema circulatório. O Prana vai muito além, ele é o pulso da vida, expansão e retração.

Tudo o que existe está em movimento, talvez imperceptível do ponto de vista que estamos, como a terra que nos parece parada, mas que vista da Lua se movimenta no espaço e gira em seu próprio eixo. Podemos classificar os movimentos da vida em nosso universo em dois principais, a expansão e a retração. Movimentos de expansão podem ser vistos como inspiração e movimentos de retração como expiração. Segundo a ciência o universo inteiro está hoje em expansão e em algum momento irá se retrair. Possivelmente temos ainda múltiplos universos que se expandem e retraem com seu própio espaço e tempo criando multiversos. De maneira bem parecida foi representado o ciclo da vida pela mitologia indiana, cada dia do Deus Brahma (deus da criação na trilogia hindu) era uma formação e destruição do universo. Quando Brahma acordava novamente, um novo universo se formava de maneira cíclica. Haveria também uma infinidade de Brahmas formando multiversos.

Podemos dizer que tudo respira. A nossa respiração do ponto de vista biológico também é feita desta maneira. Quando expandimos nossa cavidade toráxica, diminuímos a pressão interna e o ar entra nos pulmões empurrado pela maior pressão externa, a pressão atmosférica. Quando retraímos a cavidade o ar sai pela mesma diferença de pressão, agora maior no interior expelindo-o para o exterior.

Seguindo esta mesma ideia, podemos dizer que o dia representa também uma inspiração, onde pela força da energia do sol tudo tende a se expandir. A noite representa uma expiração, onde nos recolhemos sob a a luz suave da lua e das estrelas. Podemos ver este mesmo ciclo em nossas semanas, ciclos lunares, meses e anos, onde cada início pode ser visto com um ato de renovação, de revitalização do ar entrando, se expandindo. Cada fim é uma expiração, é o velho saindo e dando chance para a renovação, para um recomeço.

No fim de um ano é provável que possamos sentir uma certa falta de ar ao fim da expiração, já que os ciclos, pessoais, naturais e mesmo astronômicos não são respeitados. Temos um calendário solar que nos obriga a cada quatro anos a fazer ajustes e que não respeita os ciclos lunares tão importantes nas marés, nas colheitas e possivelmente em nosso comportamento. De qualquer maneira, somos seres sociais, que formam, vilas, bairros, cidades, comunidades, países, povos etc… e assim, entramos mesmo sem querer neste grande fluxo do ano que respira, com início e fim de acordo com a região, país, religião ou cultura em que vivemos. E tem mais, no Brasil, o fim da expiração fica em retenção (kumbhaka a retenção dos pránáyámas) até o fim do carnaval. Haja fôlego!

Mas como o Yoga ajuda nestes ciclos?

Sendo uma ferramenta para o conhecimento de si mesmo, ele pode nos ajudar a compreender (nem sempre racionalmente) nossos próprios ciclos, nos fazendo perceber e ampliar conscientemente nossa respiração e assim compreender também os ciclos que nos rodeiam. Desta forma, podemos nos harmonizar melhor com a vida ao nosso redor, entender profundamente nosso comportamento e as forças que nos levam a navegar por diferentes mares.

Como diria Paulinho da Viola, “não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar”, mas se aceitarmos e compreendermos a natureza do mar, com suas correntes, profundezas e o céu que se mantém de guia, podemos navegar a nós mesmos e arriscar até contrariar aqui o mestre Fernando Pessoa que afirma – “Navegar é preciso, viver não”, referindo-se à navegação como algo preciso e o viver como impreciso – afirmando que, se o navegar tem seu grau de precisão, com sabedoria o viver também pode tê-lo.

Expire todo o ar neste ano e viva no próximo com consciência, Namastê!

*Mario busca ensinar o Yoga de maneira individual, respeitando os limites e características de cada aluno e com foco em uma prática de autoconsciência. No caminho do Yoga há mais de 15 anos, acredita que ao ensinar em pequenos grupos ao mesmo tempo em sala é possível dar atenção individual e ajudar no desenvolvimento da prática pessoal de cada aluno.

Arquiteto formado pela FAU-USP, sempre praticou atividades físicas, especialmente artes marciais, praticou diversos estilos(Muay Thay, Judô, Ju Jitsu, Boxe etc…) com destaque para o Aikido, no qual chegou a faixa prêta.

Seu primeiro contato com a prática do Yoga foi buscando a cura para uma tendinite por uso do computador(LER), encontrou a cura com a prática e desde então dedica-se ao estudo do Yoga. Fez seguidas viagens à Índia para estudar, lá praticou o método Ashtanga Vinyasa em seu local de origem, a cidade de Mysore no sul da Índia, Filosofia Indiana e a meditação Vipassana.

Fez também diversos cursos entre os quais, parte da formação de Iyengar Yoga com o professor Kalidas Nuyken em(SP), Pránáyámas com BNS Iyengar(Mysore, Índia), Filosofia Indiana com os Professores Nagaraj Rao e Gangadhara(Mysore, Índia), Bhagavadgita e Upanishads com DR. Satianarayana Das – (NJ- US), Fundamentos da Anatomia do Yoga e “Colocando princípios em prática” com Leslie Kaminof e Amy Matthews (NY, US), entre outros.

Hoje dedica-se a uma prática equilibrada, que inclui a prática de Ásanas de maneira consciente, estudos dos textos do Yoga, Sankhya, Vedanta e Sânscrito, além de Anatomia e outros campos que propiciem o desenvolvimento da consciência. Também dirije o Namaskara Estúdio de Yoga ao lado de sua esposa Renata Ventura.

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