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O que acontece quando você adota o Veganismo

O que acontece quando você adota o Veganismo

Nowmastê

Por Lucas Alvarenga*

cabeca-aberta-oficial

O que acontece quando você começa a incorporar o Veganismo?

A ideia do consenso geral sobre o Veganismo, infelizmente, ainda é equivocada. Ela vai muito além de uma dieta e até mesmo de hábitos de consumo em geral. Uma vez que se pratica o Veganismo, uma série de conceitos começa a desmoronar na sua cabeça e a sensação é a de se conseguir enxergar o mundo a partir de uma nova perspectiva, com uma facilidade maior de se colocar no lugar dos outros e de compreender suas dores e necessidades.

A grande ”virada de chave” ocorre quando os valores morais deixam de ter um único foco e passam a ter uma abrangência coletiva. Nossas simples ações podem ter consequências desastrosas e, por isso, temos responsabilidade moral com tudo que provocamos. O Veganismo expõe isso de forma clara, mostrando que se nossas ações tiverem motivações egocêntricas, inevitavelmente estaremos provocando sofrimento a outras pessoas e/ou animais e/ou até mesmo danos ao mundo e todo seu ecossistema. Nossas escolhas acabam influenciando, inclusive, as futuras gerações humanas e não humanas que devem habitar este planeta.

Em outras palavras, com o crescimento do Veganismo no mundo, podemos prever que, no futuro próximo, a educação primária ensinará as crianças a não priorizarem os fatores de sucesso pessoal, como tirar a maior nota ou chegar em primeiro lugar nas olimpíadas. Ao invés disso, elas aprenderão a ter uma responsabilidade e consciência moral coletiva e a entender a necessidade do bem estar de todos. Isso é mergulhar no Veganismo. Transcender a questão dos desejos pessoais por um bem maior e mais justo.

Começar a praticar o Veganismo significa naturalmente absorver as questões a seguir:

1 – Os animais são sencientes e possuem valores morais.
Elizabeth Mac Gregor, uma importante ativista brasileira, costuma perguntar ao público em suas palestras se eles acham que seus animais de estimação(cães e gatos) têm sentimentos. A resposta é sempre positiva e unânime, porém o mesmo não acontece quando a pergunta é sobre outros animais como frangos e suínos. O Veganismo nos faz expandir esta compreensão para todos os animais.

2 – Nós não precisamos consumir carne para viver e para ter uma saúde plena.
Há muitos mitos sobre a necessidade de alimentos de origem animal. Infelizmente esses mitos ainda estão entranhados em uma cultura de décadas de milênios que hoje não se sustenta mais ambiental, social e moralmente.

3 – Nossos ancestrais dependiam da caça para sobreviver em lugares onde não existia cultivo de alimentos. Hoje, felizmente, nós não temos mais este problema. É importante diferenciar o consumo de carne de hoje com o consumo de carne naqueles tempos também sob o aspecto da exploração. Diferente de todo animal carnívoro, o homem, além de não precisar de carne para viver, explora animais domesticados e os coloca em condições precárias durante todas suas vidas, desde o nascimento até o momento de suas mortes de forma extremamente covarde.

4 – Começamos a entender melhor o problema de grupos oprimidos.
Toda exploração se sustenta numa visão antropocêntrica de um determinado grupo opressor. Esta perspectiva fica muito mais clara a partir do Veganismo. A questão de Grupos opressores e Grupos oprimidos desmorona a partir do momento que cultivamos uma cultura de valores baseada no Altruísmo. O Veganismo, adotado com esta nova mentalidade, resolve todos os problemas de preconceito além do especismo.

5 – Comer carne não é o normal.
O consumo de carne é unicamente uma questão cultural, ultrapassada e sustentada por uma indústria bilionária. Nós já temos leis para maus tratos de animais de estimação, mas os animais de abate são excluídos dessas leis por interesses financeiros. O dinheiro não pode e não deve continuar acima de princípios morais que visam o bem estar coletivo.

6 – Comer carne não deve ser considerado uma escolha pessoal.
O termo ”escolha pessoal” só se aplica quando ela afeta exclusivamente a si mesmo. Portanto, uma escolha que afeta positiva ou negativamente outras pessoas ou estruturas não pode ser considerada uma prerrogativa pessoal. Nada que promova a violência deveria ser considerado como escolha pessoal. Nada que exija a exploração de algo ou alguém deveria ser considerado uma escolha pessoal, assim como explorar um escravo nunca deveria ter sido considerado uma escolha pessoal.

7 – O consumo de carne é o maior responsável pelos maiores problemas do planeta.
Os maiores problemas ambientais do mundo estão diretamente ligados ao consumo de carne. Falta d’água, poluição de rios, geração de lixo, processos de desertificação do solo, ineficácia de geração de alimento, desmatamento, extinção em massa de espécies, áreas mortas nos oceanos e aquecimento global. Essas informações vem como um tapa na cara para quem cresceu em uma estrutura que faz de tudo para esconder esses fatos.

8 – A paz passa pelo Veganismo.
Animais são sencientes, dotados de estruturas complexas de emoções e consciência. Enquanto tratarmos animais como objetos, não conseguiremos enxergar o caminho da paz. Enquanto praticarmos a violência, não conseguiremos praticar a compaixão. Os maiores problemas do homem, a corrupção e a guerra, são baseados em valores morais egocêntricos. Para agirmos na raiz desses problemas, precisamos mudar nossos valores de antropocêntricos para altruístas, e altruísmo e veganismo são inseparáveis.

Lucas Alvarenga
*Lucas Alvarenga é publicitário, parou de comer carne aos quinze anos e desde então vem estudando e se aprofundando sobre veganismo e sobre a forma como encaramos nossos problemas, principalmente sob a perspectiva budista. Fundador do Veggo, Lucas Alvarenga acredita na força que as ferramentas digitais têm para criar projetos que possam gerar grandes mudanças positivas no mundo e transformar padrões de valores de sociedades inteiras.

www.vego.com.br

https://www.facebook.com/veggobrasil/

O veganismo não é uma causa nossa. É uma causa dos animais, do planeta, das pessoas e suas futuras gerações”

Veja comentários (4)
  • Olá! No fim de semana, discutia com um grupo de amigos sobre o Veganismo e gostei de conhecer mais a fundo esses valores. Sobre a carne, compreendo bem. Mas e sobre os derivados de leite, ovo e mel? Imagino que há muitos locais que maltratam os animais, mas também espaços respeitosos para a extração desses recursos. Não consumir esses produtos não seria também uma forma de abalar a economia de pequenos produtores? Muito obrigada, adoro o portal! Abraços!

  • Olá, Flávia!
    Essa pergunta é muito interessante.

    Como você falou, esta produção em escala industrial é muito cruel não só pela vaca e pela galinha, mas também pelos bezerros e pintinhos que também ficam a ”mercê” desses processos e que não têm um destino nada bom.
    A questão da produção local é bastante diferente do ponto de vista dos processos e certamente o sofrimento é incomparavelmente menor. Mas do ponto de vista do veganismo, ele, ainda assim, não deve ser consumido.

    Vou falar do ponto de vista técnico, ok?
    Para a ideologia vegana, os animais não devem ser usados ou sequer explorados de qualquer forma pelos homens. Como eles têm senciência, eles têm valores morais e, portanto, não devem ser usados como alimento, vestimento, entretenimento ou pesquisa. Ou seja, eles devem ter seus direitos assegurados e não devem ser tratados como objetos.

    Do ponto de vista prático, isso é um pouco diferente, afinal, nós estamos domesticando cada vez mais animais (gatos, cachorros, papagaios, lagartos, etc) com o passar do tempo e isso não deixa de ser uma manipulação possessiva. As próprias galinhas que são resgatadas de maus tratos, elas continuam colocando ovos. O que quer que você faça com eles, não será uma atitude ”tecnicamente vegana”.
    Mas quanto aos produtores locais, é certamente inevitável que isso os abale financeiramente até que haja uma readequação da dinâmica da economia dos alimentos. Se é que é possível que se tenha um mundo 100% vegano. Isso talvez seja tão utópico quanto acabar com a fome. Mas progressivamente, é possível ir substituindo os tipos de produção dos produtores locais, talvez estimulando a formação de pequenas cooperativas que produzam outros tipos de alimento ou de atividade rentável e que possa substituir esses alimentos por outros de origem não animal.

    Esta sua pergunta envolve questões muito complexas e interdependentes. O importante é que, dentro de todo possível, nos esforcemos a promover a não violência e a cultura de paz. Isso naturalmente promoverá o Veganismo. :)

  • ola! parabéns pelo artigo! penso que o mundo precisa com urgência investir no consumo de alimentos de origem vegetal – e se é possível incrementar alimentos animais com vitaminas, etc como o leite e outros, porque não o fazer em alimentos vegetais, desenvolver condições de maior pureza, sem agrotóxicos. A alimentação mais importante é a do bebê e das crianças em 1ª infância, penso que os adultos comem demais, as vezes até sem ter fome ….aqueles que comem muito experimente diminuir o que se come interessante que a médio prazo surte bom efeito, experimente!! grata.

  • Excelente post, Lucas!

    “A paz passa pelo Veganismo.”
    Gostei dessa frase. Realmente, o mundo não violento que a maioria das pessoas almeja começa no próprio prato.

    “Comer carne não deve ser considerado uma escolha pessoal.”
    Eu nunca havia pensado nisso, mas você tem toda razão. Como posso dizer que é uma escolha pessoal se estou afetando, maltratando e tirando uma vida que não me pertence?

    A indústria bilionária da pecuária mostra animais teoricamente bem tratados de um lado. E do outro, pedaços desses mesmos animais em bandejas nos supermercados. As crianças pequenas de hoje nem sabem de onde vem aquelas coisas nas bandejas. E se soubessem, será que comeriam? Acho que não.
    Gostaria de te sugerir esse post do meu blog. É um vídeo emocionante:
    http://simplicidadeeharmonia.blogspot.com.br/2013/08/raciocinio-espetacular-de-uma-crianca.html

    “Os animais são sencientes e possuem valores morais.”
    É fácil mesmo mostrar que cães e gatos têm sentimentos, mas ninguém fala sobre o assunto em relação a porcos, vacas e galinhas. Por que?

    Não sei se já aconteceu com você, mas já ouvi muito: “mas o alface também sente dor”.

    Um video que não tem muito a ver com o assunto animais, mas com o desequilíbrio do planeta é esse:
    http://simplicidadeeharmonia.blogspot.com.br/2013/10/koyaanisqatsi-vida-fora-de-equilibrio.html

    Abraços,

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