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O Processo Presente por Ton Bil

O Processo Presente por Ton Bil

Nowmastê

Por Ton Bil*, tradução Nowmastê

Photo by Andrew Spencer on Unsplash

Eu finalmente me vi no fim do poço de um mar de sofrimento. Três anos antes, eu e minha esposa nos divorciamos. De lá prá cá eu surfei nas ondas da velha e da nova espiritualidade, experimentando vários métodos. Mas mesmo assim aquele conteúdo subconsciente – ainda escondido em mim – conseguia me tirar do equilíbrio em um piscar de olhos. Até julho passado eu ainda era facilmente inundado por uma tristeza recorrente, momentos de depressão e instabilidade emocional.

Um amigo de confiança me falou sobre o Presence Process** (Processo Presente), livro do sul-africano Michael Brown. Encontrei nele um programa de 10 semanas que propunha que eu meditasse, entoasse mantras e fizesse exercícios de meditação duas vezes por dia, por 15 minutos, durante 10 semanas. Além disso, eu deveria me abster de bebidas alcoólicas durante o mesmo período.

Em seu livro, Brown explica como as cargas emocionais das experiências da infância continuam a incomodar uma pessoa ao longo da vida de várias formas. Quando algo (qualquer coisa mesmo) acontece e dispara uma memória dolorosa, isso inicia um espiral de emoções desagradáveis. Eu não vou tentar resumir a parte mais espiritual do trabalho de Brown, mas eu consegui perceber que as suas ideias estavam baseadas nos ensinamentos budistas sobre o funcionamento da mente. E isso me fez acreditar que o Processo Presente iria funcionar pra mim. Ao invés de ler mais um livro sobre espiritualidade até meus olhos ficarem vermelhos eu resolvi FAZER algo.

Meditação, respiração, exercícios corporais, qigong, dança e todo outro tipo de vivência espiritual foca na experiência… algo precisa SER FEITO. É preciso que seja EXPERIENCIADO por inteiro para que possa FAZER bem. E isso requer foco, esforço, prática e consistência.

Uma respiração consciente e conectada ativa o corpo por algumas razões óbvias: mais oxigênio e menos dióxido de carbono no meu sangue; o foco mental e físico ininterrupto na respiração; e por aí vai. Nos tecidos do corpo, novas e desconhecidas sensações começam a surgir. É aí que entra o mantra, acalmando a mente com as palavras “estou aqui, agora, presente nisso”. Recitar este mantra na minha cabeça me ajuda a abraçar os sentimentos que surgem. Eu não vou resisti-los, mesmo quando eles são desconfortáveis e acionam minhas memórias. É em momentos como este que minha mente não deve – como de costume – encontrar desculpas para parar o exercício. Eu preciso acreditar que nada errado acontecerá. Eu preciso continuar. Para que consigamos responder de forma consciente às emoções, Brown nos indica um mantra novo por semana. Gradualmente eu sento como se, respiração após respiração, sem pausa, semana após semana, aquela velha carga emocional de solidão durante a infância, de estar sem minha mãe quando criança ia gradualmente se integrando ao meu ser.

Um dia, quase no final das 10 semanas -, recebi uma mensagem banal que disparou um sentimento de tristeza em mim. Desta vez eu reconheci esse sentimento corporal e respondi de forma tranquila sem exacerbar as emoções. Integrar descargas emocionais disparadas por incidentes aparentemente desimportantes e esquecidos da infância – esse é o resumo do que é o Processo Presente. Suas técnicas são simples e qualquer um pode fazê-las sozinhos. A experiência diária da minha vida se tornou mais significativa e eu agora experimento sentimentos profundos, alguns que eu nem sabia que era capaz de sentir. Fazer o Processo Presente me tornou mais alegre e relaxado no dia-a-dia.

Foto: Marco Reeuwijk

*Ton Bil é holandês e trabalha como coach do amor, www.lovebybreakup.com

**Ainda não encontramos versão em português de Presence Process. A versão em inglês você encontra aqui.

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