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O poder do coletivo

O poder do coletivo

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Por Henrique Katahira*

As tecnologias de informação e comunicação permitem que nos organizemos em rede, de forma não centralizada. Cada vez mais, vemos grupos de pessoas que se organizam de forma orgânica e participativa em grupos de facebook ou de WhatsApp. Esta nova forma de se comunicar e organizar em rede vem ganhando velocidade e popularidade e enquanto as estruturas organizacionais continuam arcaicas e hierárquicas.

Para ilustrar este contexto, vou contar uma história fictícia inspirada em fatos reais.

Seu Antônio, aposentado, era síndico de um condomínio de classe média de São Paulo com 2 torres há mais 10 anos. Seu jeito de administrar era austero, de pulso firme e era tido como controlador e centralizador. Todos os avisos, comunicados e classificados tinham que passar pelo crivo do seu Antônio antes ser colocado no mural. Do agendamento da quadra poliesportiva às regras internas, tudo passava pelo controle do síndico. Isso acabou sobrecarregando-o, causando lentidão nas decisões, conflitos com condôminos e porteiros insatisfeitos.

Então, um grupo de condôminos começou a se organizar num grupo de WhatsApp aberto a todos os proprietários, moradores e até mesmo funcionários do condomínio. O desconforto, o stress e o despreparo frente ao novo foi tanto que ele resolveu renunciar.

O que você faria no lugar de seu Antônio? Em vez de renunciar, você estaria aberto para abraçar o novo e mudar a forma de gerir o condomínio? Que habilidades o novo síndico deve ter para fazer desta mudança uma grande oportunidade de crescimento? Você conseguiria deixar o centro para fazer parte do círculo?

Histórias como estas estão cada vez mais comuns. O poder centralizado não suporta a pressão, renuncia e o coletivo acaba assumindo a gestão. É um caminho sem volta.

Isto me faz pensar que um dia seremos capazes de fazer isso numa escala maior e o quanto o sistema atual de democracia direta é antiquado frente à cultura digital e às tecnologias que temos disponíveis. E se em vez de elegermos representantes (que não nos representam), pudéssemos participar diretamente de políticas públicas, dos orçamentos e dos processos de gestão de nossos bairros, cidades e estados? Se pudésssemos criar e votar em projetos de lei diretamente em um aplicativo de celular?

Tecnologias para a mudança já existem. A Democracia en red da Argentina é um dos muitos projetos no mundo trabalhando para que um novo sistema político possa emergir.

Assim como os condôminos que não aguentavam mais o estilo de gestão de Seu Antônio, precisamos nos organizar e nos empoderar para sermos os protagonistas do mundo que queremos ver.

*Henrique Katahira é cocriador da Academia da Natureza e cuidadoria. Fluxonomista, permacultor organizacional, instrutor de yoga e empreendedor holístico.

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