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O movimento corporal no contexto do medo

O movimento corporal no contexto do medo

Nowmastê

Por Martha Blanco*

O corpo e o movimento estão imersos dentro de um sistema universal e representarão sempre uma mudança dentro do espaço-tempo, inserida ou escolhida através de peculiaridades individuais.

O movimento, com suas características e ritmos próprios, penetra no corpo através da percepção e entendimento do mesmo, bem como a partir da liberação de fatores inibidores, dentre os quais, se destaca o MEDO.

O medo, enquanto sentimento associado a um estado de progressiva insegurança e angústia, além de inibidor de movimentos, atua com um limitador de possibilidades, podendo aparecer sob diversas formas na aparência e no comportamento físico dos indivíduos.

Entretanto, não existe limite!!!!

Martha Blanco

Somos nós que os colocamos em nossas vidas como expressões corporais inibidoras construídas para a nossa sobrevivência. Essas, por sua vez, sempre terão uma causa primeira, encoberta por aquilo que chamamos de “couraça” ou personalidade escolhida para defesa e caminhar de vida.

Assim, ao escolhermos uma forma de nos movermos, como a Dança/Alongamento, começamos a nos deparar com esses pontos de resistência, quer sejam físicos e/ou emocionais, que se tornarão responsáveis por um movimento, movimento este que expressa o entendimento interno naquele momento.

Nessa hora, com certeza, aparecerão dores e sofrimentos que poderão ajudar, ou não, na evolução proposta. Esse seria o ponto mais importante, onde o indivíduo precisa abrir-se à escolha de ultrapassar esse “limite”. Ou seja, lidar com o “novo”.

No entanto, para que tudo isso aconteça, o corpo precisa se disponibilizar ao movimento, de modo que haja afinidade necessária para se tornarem uno. Consequentemente, acontecerá uma liberdade infinita.

Nesta perspectiva, podemos dizer que o movimento, em si, torna-se um caminho terapêutico para libertar as causas primeiras do medo e de suas consequências corporais vitais.

martha

*Pós-graduada em pscicomotricidade. Bacharel em História Geral e do Brasil pela Universidade Católica Santa Úrsula/RJ. Frequentou diversos cursos, tais como, dança de salão e tango com Jayme Aroxa; técnica de Martha Graham e Lest Horton; leitura corporal; ginástica corretiva, shiatsu; atualização de dança pela Universidade Federal Fluminense; formação para professores organizado pelo Royal Ballet. 

Iniciou seus trabalhos como professora e coreógrafa, a partir de 1964, realizando shows de patinação artística no Clube de Regatas do Flamengo. Desde então, formou diversos grupos de dança (ballet clássico e moderno), apresentando-se em teatros e festivais pelo Brasil. Paralelamente, desenvolveu trabalhos com grandes nomes da dança, como Dallal Achar, Tatiana Leskova, Consuelo Rios, Angel Viana, Klaus Viana, Nina Verchinina, Lourdes Bastos, Sissi Frank e Renee Simon.

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