O Milagre Feminino

Por Vanise Januario*

Um texto baseado nas conversações silenciosas com meu útero

vaniseNight and Day da artista Tristan Elwell

Talvez eu esteja errada sobre todas as coisas que acredito. Talvez minha percepção esteja equivocada, mas eu acredito em milagres. Não falo dos que vem dos céus, falo dos milagres que acontecem todos os dias, aqui e agora. Dos milagres que nós mesmas criamos. Das muitas vezes em que decidimos mudar algo em nossas vidas e o fazemos, sem pensar duas vezes. Milagres que às vezes, levam outros nomes: coragem, confiança,trabalho, mudança, revolução, sonho.

“Nada pode realmente ser considerado um “milagre” , exceto no sentido profundo que tudo é um milagre. Que cada um de nós é envolto em um corpo complexamente organizado, e que estamos sobre uma terra que gira através do espaço entre as estrelas — isso é algo que está mais para o comum ou para o milagroso?”. Paramahansa Yogananda

Todas nós temos dificuldades em aceitar as coisas como são. Somos rápidas para julgar e classificar as coisas e as pessoas. Somos mestras em separar e rotular as situações. Gostamos de brincar de Deus. Ou melhor, da ideia que temos de Deus. Um homem (claro, pois Deus não poderia ser uma mulher, certo? Errado …) que lá de cima assiste essa tragicomédia, decidindo quem vai e quem fica, quem é bom e quem é ruim. Por que nos contentamos em ter esse Deus tão cruel e malvado?

Talvez eu esteja errada sobre as coisas que acredito. Pra mim Deus é uma mulher. Uma senhora cheia de sabedoria, que deu à luz a todas as coisas na face da terra. Uma divindade feminina que sabe corrigir sem amaldiçoar, que sabe acolher seus filhos com um coração cheio de amor e luz. Uma mãe-avó que espalha pelo universo seu sorriso brilhante, que quando chora prepara o solo para a nova plantação, que merece de suas filhas e filhos, todo amor e devoção.

Minha mãe é Pacha, minha mãe é Marlene, minha mãe é Isabel e Idalina. Mulheres que nesse mundo receberam a importante missão de representar a Grande Mãe.

Ao me olhar no espelho, vejo todas essas mulheres que me olham nos olhos e que pedem amor. Mais amor, por favor! Todas elas, de alguma forma, buscaram e buscam a felicidade. Mas muitas vezes, na ilusão de que são responsáveis pela felicidade de seus filhos, acabaram tomando decisões que violaram seus mais profundos desejos e aspirações.

Que sementinha de sonho guardava minha avó em seu coração? Que sementes dentro de minha mãe nunca brotaram e floresceram? Quais são as sementes que não germinarão em mim e que morrerão comigo um dia?

Aceitar a dor da morte é aceitar a inconstância da vida. Mas lutar para que cada semente de sonho germine e dê frutos é a própria definição da vida. Quem somos nós senão semeadores de sonhos, agricultores dessa terra tão fértil, onde todas as coisas podem crescer?

Que atenção estamos dando aos nossos sonhos e quanto tempo dedicamos a pensar em situações e coisas que não queremos em nossa vida? Por que seguimos semeando as ideias de violência, guerra, destruição e intolerância?

É muito provável que eu não saiba nada sobre os mistérios da vida. Não é à toa que são chamados mistérios. Mas nessa neblina de ignorância e dúvidas, existe uma luz dentro de mim que ainda acredita em milagres. Minto, existe uma luz dentro de mim que é o próprio milagre no qual acredito.

Quantas vezes você já ouviu que uma determinada situação só mudará por milagre? E quantas vezes você se deu conta que você é o próprio milagre que tanto almeja?

vanise januario
*Vanise Januario é filha da Pacha. Poetisa que sussura versos ao vento. Passarinha & Semente. Aprendiz. Yogini do Novo Mundo. Peregrina por paixão e profissão. www.yoganoperu.com

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