O meu lugar

Por Elisa De André Motta*, do Projeto Querido Desconhecido

Foto: Erol Ahmed

Querido Desconhecido (a),

Este ano eu encontrei o meu lugar.

Ele estava escondidinho debaixo de alguns escombros vindo de milhares de tentativas e construções mal sucedidas.
Todas elas nascidas de movimentos ansiosos, e principalmente, fugas.

Eu não queria construir nada. Eu queria ser construída. Entreguei ao outro meu poder de colocar tijolos. De escolher as cores. De decisão.

Deixei para lá minha sabedoria nata, meus instintos e segui por anos o que estavam dizendo do lado de fora baseado em crenças limitantes.

Até que eu parei.
Chorei todo o meu passado.
Aceitei minhas condições.
Me desfiz de velhas malas.
E escolhi.

Escolhi cada tempero, recebi cada objeto, comprei detalhes e coloquei de pé o que sempre sonhei. Realizei minha conquista internamente para então contemplá-la.

E em cada cantinho desta obra eu me reconheço.
De forma crescente e concreta minha busca por mim mesma se encontra.
Une os pedaços com cola amorosa e vai criando uma coisa nova por dia sem perder a essência.

Passos dados a favor da missão que escolhi e aceitei.

Em 2017 chutei os baldes que me condicionavam para pintar as paredes que me sustentam.

Que seja bem vindo 2018.
Colorido.
Radiante.
Romântico.
Concreto.

Real.

Desejo que este novo ciclo te preencha tão e completamente que seu único desejo seja: TRANSBORDAR.

Com amor,

Elisa.

*Elisa De André Motta

Escritora de Cartas e Reescritora de Histórias. Mãe da Olívia, apaixonada por brigadeiro e pão de queijo. Inspirada por meu avô Hildebrando Affonso de André, as palavras são expressão, autoconhecimento e aprendizado, nelas encontro a minha cura. Busco em cada escrita um caminho que conecte pessoas e convoque emoção.
https://isamottabr.wixsite.com/isamotta

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