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O ki do Aikido – por Mirla Fernandes

O ki do Aikido – por Mirla Fernandes

Nowmastê

Ki é uma palavrinha curta e simpática que muita gente já ouviu falar e não sabe definir muito bem o que é. Ki, para os japoneses, ou chi, para os chineses é a energia vital que circula em nosso corpo. Existe também um ki universal. Descobrir como sintonizar nosso próprio ki para entrar em fluxo com o ki universal é o que se pesquisa em práticas corporais tais como o Reiki e o Aikido.

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Para entendermos o que é o ki, é preciso partir do pressuposto de que o corpo físico é apenas um de nossos corpos. O ki transita tanto pelo corpo físico quanto pelo corpo espiritual. Diferentes culturas reconhecem a existência da força vital: Jesus a chamou de luz, os Hindus preferem chamá-la de prana, Reich pesquisou o orgone e textos alquimistas se referem ao ki como fluido vital.

No caso da prática de Reiki, o indivíduo deve preparar-se no sentido de se libertar de seus pensamentos, esvaziar a mente e concentrar-se, para então ser capaz de intermediar o fluxo energético do ki universal. Os olhos se fecham para facilitar a concentração, silêncio e quietude de movimentos propiciam as condições para que se inicie a transmissão de energia de um corpo para outro. As mãos começam a se aquecer e os dois corpos (o de quem recebe e o de quem intermedia) entram em harmonia para permitir o fluxo de ki. Dessa experiência começam a nascer novas consciências para ambos, desenvolvem-se novas sensibilidades e transformações pessoais.

O Aikido, por sua vez, é uma outra forma de pesquisar o fluxo de ki, porém com o corpo em movimento. Deve-se alcançar um estado de concentração de olhos abertos e em contato físico com o outro. O Aikido estabelece o grande desafio de entender a presença e toque do outro como possibilidade de soma de energias. Nesse encontro sente-se a quebra de certezas, ao perceber que o estado de plena concentração e autodomínio devem ser dinâmicos. Aprendemos a aproveitar esse input, que acontece com o toque para escolher a expansão em detrimento do medo, do encolhimento, ou até mesmo do rechaço do contato. Isto significa deixar o ki universal entrar e fluir pelo corpo, saindo pelas mãos com a intensão de expansão e assim conduzir o outro num movimento circular e harmônico, de energias somadas.

Aikido Corpo & Ki,  particularmente, traduz-se por práticas corporais que visam o desenvolvimento desta consciência do ki circulante no corpo a partir de movimentos em relação a outros corpos. O outro está lá como veículo para despertar a consciência do ki e, como consequência, de um maior autoconhecimento. Nessa prática, nossa sensibilidade postural1 é continuamente trabalhada e torna-se fundamental para a construção do conhecimento não apenas do nosso corpo, mas da nossa relação com o outro.

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Mirla Fernandes pesquisa o ki desde 2002, pelo Reiki e desde 2004, pelo Aikido. É instrutora de aikido (shodan Aikikai, Japão, 2012) do Tatamito e afiliada à ONG Aiki Extensions. É também mestra em Poéticas Visuais (Unicamp, 2013, bolsa da CAPES/CNPQ), graduada em Bioquímica (Universidade de São Paulo, 1991) e em Educação Artística (Fundação Armando Álvares Penteado, 1998).

 

1 É curioso notar que nosso modelo postural se relaciona e está interligado com o dos outros. As experiências em patologia, por exemplo, confirmam que quando nós perdemos a orientação direita/esquerda em nosso corpo, também a perdemos em relação ao corpo do outro. (SCHILDER, 1981)

 

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