O fascínio das posturas invertidas

Por Priscila D’addio*

Que fascínio (ou seria medo?) que as posturas invertidas tem? Fazer invertida sobre a cabeça ou sobre os ombros … qual é o desafio?

As posturas invertidas são as que mais aparecem nas fotos das mídias sociais e são muito desejadas por aqueles que iniciam a prática do Yoga.

Mas o que representam as posturas invertidas? Ao nos posicionarmos de cabeça para baixo ou quando a cabeça se encontra abaixo do coração, podemos ter a visão das coisas de um ponto de vista diferente e isso proporciona muitas vezes uma mudança na nossa forma de ver as coisas da vida, as situações que nos rodeiam. A experiência de colocar o corpo de uma forma diferente daquela que passamos praticamente toda a vida – e que fomos originalmente criados para (ficar em pé) – desloca o nosso ponto de vista e estimula uma ressignificação de percepções, nos tornando mais flexíveis e adaptáveis às mudanças e às situações adversas. Existem estudos que comprovam que as práticas de Yoga com invertidas podem melhorar o humor e reduzir os sintomas da depressão. A normalização dos níveis de hormônios de estresse – cortisol e endorfinas – ajudam os praticantes a lidar melhor com situações de tristeza e ansiedade.

No aspecto físico as posturas invertidas trazem melhoria da circulação linfática e venosa, atuando também no coração e sistema imunológico. O aumento de sangue nas glândulas endócrinas ajuda a equilibrar os níveis hormonais. A maior oxigenação do cérebro favorece o bom funcionamento das funções cognitivas: concentração, memória, raciocínio e processamento de informações. Essa dose maior de sangue na cabeça também beneficia nossos órgãos dos sentidos, visão, audição, paladar e até mesmo a pele e músculos da face.

Mas qualquer um pode fazer invertidas? Não.

Primeiramente recomenda-se que você já tenha pelo menos uns 2 anos de prática e tenha bastante consciência corporal e um certo preparo da musculatura das costas, ombros, abdômen e cervical, além de um trabalho de controle dos chamados bandhas – fechos de energia. Se você é hipertenso, cardiopata, tem hérnia de hiato, glaucoma, deslocamento da retina, e está nos primeiros dias do período menstrual, não se recomenda fazer invertidas sem uma orientação personalizada.

O que eu realmente gosto de salientar aos meus alunos é o caminho para se chegar até lá. Da mesma forma que uma criança demora quase 1 ano para andar – e na vida dela relativamente esse tempo é uma boa parte da sua vida, nos também devemos lembrar de construir a nossa invertida. De chegar com segurança e consciência, preparados para tal. E quando chegar lá…. o trabalho não termina. Quando você executar bem as suas invertidas, o que você fará com isso? Vai simplesmente deixar seu Ego envaidecido pela conquista e sair postando fotos por ai? Bem, essa não seria a melhor atitude. As invertidas tem a importante função de nos fazer olhar as coisas de outro ponto de vista. De aceitar alguns fatos as vezes sob o ponto de vista de outra pessoa. De sermos mais resilientes, flexíveis e adaptáveis as situações adversas da vida. Inverta-se sim mas buscando esse novo olhar sobre si e sobre a vida.

*Priscila D’Addio – Instrutora de Yoga, Formada em Educação Física USP (CREF 142.775-G/SP) e Instrutora de Yoga pelo YoginApp e finalizando Formação em Vinyasa Flow com Lygia Lima e Anita Carvalho. Atualmente conduz práticas no Estúdio Anacã de Dança e Academia Bio Club Fitness, além de Personal Yoga Teacher. @priscilayogateacher

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