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O bonzinho que não faz nada além de ser bonzinho

O bonzinho que não faz nada além de ser bonzinho

Ana Paula Bet

Por Ana Paula Bet*

Muitas vezes já “me vitimizei” dizendo palavras sem compromisso por aí. Sempre bastante coerente, mas pouco construtiva, me pegava saudando a minha bondosa escassez, em pensamentos do tipo: Sou uma pessoa do bem, mas “isso ainda não é pra mim” ou “talvez não seja o momento para esta parceria” ou ainda “não sei se de fato é uma boa ideia investir nisso”. Sentia que, a cada impulso ocasional interessante, faltava no fundo em mim, aquela energia realizadora, um senso de confiança alinhado, em querer acima de tudo, “fazer acontecer”, promovendo de fato a abundância e até mesmo a prosperidade. E geralmente então, a boa ideia comungada ou não, continuava sempre assim: apenas uma ideia.

As pessoas boas, muitas vezes se boicotam e não vão lá “muito bem” para além da esquina de sua “bondade”. Algumas até “estão bem” ou “mais abundantes”, mas não necessariamente, “fizeram acontecer”, no sentido de terem feito algo que realmente é de se fazer admirar. De fato, são poucos os “eu te admiro” sinceros do nosso cotidiano bonzinho, fora aqueles escritos a esmo em cartões de aniversário.

Vejo muitas pessoas boas a minha volta, a maioria inclusive, porém poucas, com outras características construtivas mais, que as transformem em abundantes, independentes e inspiradoras. ADMIRÁVEIS, ÍNTEGRAS e PLENAS também. Vejo na verdade, muitos bonzinhos só, que não fazem nada, além de serem bonzinhos! Assim como eu (ainda?!).

É preciso encarar um fato sobre nós, os bons: somos a maioria sim, mas também, cada qual a sua medida, temos um lado “ruim” bem usual: geralmente somos ainda sem coragem e enrolados. Falamos bonito, mas nosso agir é meio feio. É preciso que demos um salto de força, do bom para o melhor, para o admirável. Uma pessoa admirável é uma bússola viva. Alguém que arrasta a quem quiser vir, pelo seu exemplo, bem mais ou tanto quanto suas palavras boazinhas!

Agora, sendo nós bons já, por que é tão difícil afinal esse salto? Por que há tanta culpa e julgamento entre e para com nós mesmos, pessoas boas, em nos tornarmos melhores? Por que tamanha desistência? O que há de tão ruim em querer ser melhor, mais abundante, próspero e pleno, que nos gera tanto medo da atitude persistente (ainda que travestido em preguiça, procrastinação ou cansaço)?

Acredito que nós pessoas boas tememos no fundo ficar “como os ruins”, se quisermos ser melhores. Essa é nossa pior parte. Porém, dessa forma, talvez não sejamos tão bons assim. Nem tanto quanto os ruins o são. São piores nossas crenças internas do que aqueles que julgamos fora.

Aproveitando esse lampejo, estou já a admirar mais quem, mesmo inconscientemente, julgava ser apenas “ruim” na minha vida. Começo a observar que há sim algo de bom em cada um deles. Principalmente naqueles que apesar de “serem assim”, vão prosperamente em muitos aspectos em que eu e muitos bons, não vão. Muitas vezes quanto a responsabilização e ação! Quero ser mais um ser total e para isso não posso mais negar ou ser só o que não tenho. Eu posso sim admirar alguém “ruim” pelo filtro dos meus bons olhos e transmutar o que vejo em uma atitude minha melhor.

O bom precisa também ser humilde. Olhar para dentro e assumir que nem sempre aceita para si aquela máxima que diz que em tudo de ruim há sim algo de bom e em tudo de bom há também algo ruim.
A síntese milenar do Yin e Yang, posta à prova para aplicarmos em nós mesmos, e no próximo, se possível, bem próximo (aquele supostamente insuportável, egoísta, interesseiro, egocêntrico, preconceituoso, bem chato). O que há dele em você? O que há dele que deveria haver em você? Assumamos. Aceitemos.

Talvez se eu admirar mais os ruins à minha volta, veja mais o que de ruim há em mim mesmo também e eu não quero ver. Dessa maneira eu poderei começar a criar ferramentas para me tornar melhor e mais completo. Pelo exemplo observado, absorvido e filtrado, me inspirar. E assim transformar, converter, atrair, conectar. Repensando o que penso, de mim e de pessoas improváveis, parcerias admiráveis podem surgir, virando uma realidade melhor do que jamais imaginaria o meu bom imaginar.

Integridade e plenitude eu te saúdo, tal qual minha bondade

 

*Ana Paula Bet é fascinada por observar e absorver. Escrever é uma paixão desde jovem, a qual hoje está canalizando para compartilhar mais.

Nômade digital, está hoje Designer Gráfico e Comunicadora Digital no APBet Design, Social Media em Startup de Homefit e membro idealizadora do Blog Ser e Só. Gosta de bom humor, natureza, empatia, atitude, praia, livros, fotos, músicas, cozinhar, comer, amar e rezar.

Se encanta com ideias construtivas e conexões inusitadas, mas se encanta ainda mais com as infinitas possibilidades da vida, como aquela de a cada dia podermos nos tornar um pouco mais quem realmente somos.


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