Lendo agora
Nas beiradas da vida – Por Dani Leite

Nas beiradas da vida – Por Dani Leite

Nowmastê

Dani Leite

É difícil viver nas beiradas da vida, transitando entre o incrível e o horrível, sem se identificar com as alegrias e os dissabores de cada momento. Os extremos nos atraem. Quem não quer viver intensamente, saltar de paraquedas, viver paixões avassaladoras, defender fervorosamente uma ideia, tomar as dores de um amigo, lutar pela humanidade, correr como se não houvesse amanhã, dar tudo de si em todas as coisas?

Mas as beiradas são para poucos. Para os viciados nos picos e vales da vida, os corajosos. Conheço alguns, que levam a vida como um parque de diversões, como uma eterna montanha russa. Estes carregam consigo a responsabilidade do seu destino, os pesos e as conquistas da caminhada.

Pessoas que levam o seu espírito para o mundo, mostram sua cara, se focam em ser quem são, em viver conectadas com a sua verdade, sem se preocupar tanto com o que os outros vão achar, nem excessivamente virtuosos, tampouco moralistas, vivem o agora, como deve ser vivido.

Viver assim requer força, garra e controle da mente. É preciso ser senhor de si, assumindo as consequências das escolhas feitas. Pode causar euforia, ansiedade, depressão e medo, àqueles que não se conectam de fato ao momento presente, que não entregam e confiam, aceitando o que a vida lhes reservará mais adiante, uma vez que não está nas nossas mãos o controle de tudo.

Ao soltar as rédeas da vida, permitimos que o fluxo do destino se coloque.

Com mais ação e menos reação, permitimos que os caminhos se abram e que as questões se acomodem. É curioso, mas sem controlar, trazemos a energia necessária para que a melhor solução se apresente.

Dani

Como não reagir? Complicado não controlar nesse mundo condicionado pelo controle, por situações de dominação e poder! Desapegar, deixar ir, aceitar os erros, não se identificar tanto com os acertos é estranho e difícil, pois convivemos desde crianças com sistemas hierárquicos, com a cultura da escassez, necessidade de guardar para o futuro, de acumular, não gastar energia a toa. Poucos rompem, de fato, essa barreira. Recebem as mais diversas classificações da sociedade – são os santos, os altruístas, os lunáticos, visionários, loucos. Eu os chamo de guerreiros, sonhadores e designers de um mundo melhor.

Busco estar na companhia deles, pois assim a vida tem mais sentido, mais conexão. Aprendo com eles a ter foco, a ampliar a visão do mundo, a parar de imaginar que tudo está em minhas mãos. Deixo que o universo se encarregue de me guiar e mostrar os caminhos possíveis, acomodar as situações.

É muito bom perceber que tudo na vida é conexão e identificação. Se nos conectamos com a prosperidade, o bom da vida, as lembranças felizes, sob esse prisma veremos o mundo. Longe de mim ser “Poliana”, carneirinho de presépio, mas tendo foco nos momentos felizes, os atraímos para a nossa vida. É a famosa lei da física, ação e reação. Da mesma forma que, ao nos identificarmos com os problemas, com tudo aquilo que é complicado, assim o mundo se mostrará para nós.

Nas beiradas, está o real sabor da vida! Entender que a vida é feita de erros e acertos e aceitar, seguindo o fluxo, buscando melhorar sempre, mas não se martirizando pelas escolhas, é a melhor de todas as decisões.

Dani Leite

*Dani Leite, pesquisadora de sensações, sempre em busca de algo que conecte à natureza, à alma humana e ao infinito.
insta: @dleite.
FB: Daniela Alvares Leite

 

Veja comentários

Deixe uma resposta

Vá para cima