Não há segredos no BodyTalk

Por Nirvana Marinho*

                                                          Photo credit: timtak via Visualhunt.com / CC BY-NC

Tenho escrito neste fértil canal de auto conhecimento e próspera oportunidade para acharmo-nos na melhor marcha possível de enriquecer nosso viver, o que não só tem me trazido satisfação por divulgar o BodyTalk. Tem trazido, com muita clareza, reflexões, num mar de possibilidades, tanto no atendimento que realizo desta abordagem terapêutica, como na experiência de cliente, pois uma das responsabilidades como CBP – Certified BodyTalk Praticcionner – é continuar no processo singular de conhecimento de si. E hoje, gostaria de escrever sobre os entrelaçamentos, sincronias e espelhamentos que surgem nesta jornada.

Nesses anos que conheço, atuo e me disponho a escutar, uma escuta ativa e presente, as histórias de todos nós, tenho percebido como o BodyTalk assemelha-se, para meu olhar de artista, a dramaturgia (#dramaturgiadasaúde). Falo dela um pouco. A dramaturgia é a grafia da sensação, a organização do sentido que cada artista imprime no texto, no corpo, na voz, e todos envolvidos o fazem na iluminação, nos objetos de cena, no figurino, e assim se avoluma a tal obra de arte. Um conjunto de sensações sincrônicas que, seja diretor ou o coreógrafo ou o ator, percebem, realizam e tornam cena. Aqui defino dramaturgia sem muitos parentescos com este ou aquele dramaturgo (existe toda uma teoria da dramaturgia, tanto no teatro como na dança e nas artes da performance), mas escrevo com o pulso que a dramaturgia tem: uma auto-organização do sentido, do que faz sentido, do que se apresenta em cada ensaio, em cada cena improvisada, em cada possível interpretação que o artista da cena faz de um texto do mundo. É a tradução do que acontece para o que pode ser ficcionado. Assim a obra chega a você, leitor, espectador, fruidor da arte das histórias.

E sim, assistimos a melhor versão de todas as tentativas, nos emocionamos com a melhor performance, acreditamos estar diante da mais pura beleza do ator, do texto, daquela luz que nos emociona. Sou um profissional e amante eterna do palco, portanto, desculpe a intensa inspiração que isso aqui exprime. Mas, enfim, a dramaturgia é uma espécie de protocolo das infinitas possibilidades que a cena tem para contar-se. E, por algum motivo, ou ainda, em razão de todos os filtros dos quais aquelas cenas já percorreram, vimos no espetáculo o “melhor”, o mais refinado, supondo que os segredos estão escondidos. Ou mesmo nos enganamos em achar que o ator ou dançarino vive de passagem aquelas sensações, quando, na verdade, toda ficção acaba fazendo parte ou mesmo partindo da história do próprio artista. Não há segredos, em alguma medida.

Tenho percebido, e vivenciado, que no BodyTalk os segredos fazem parte de uma trama que envolve entrelaçamentos, sincronias e espelhamentos. Quando o olhar do terapeuta e também do cliente se especializa – sim, é um treino de presença, de escuta, um viver meditativo – acontece uma mágica em que uma sessão se entrelaça com outra, que se entrelaça com o estado de arte em que vivemos, que se entrelaça com uma história que ouvimos, que se entrelaça infinitamente, fazendo-nos parte de um todo. Esse todo, se leve, indistinto e consolidado em nós (difíceis adjetivos), evidencia as sincronias a que chamamos de coincidências. Tenho clientes que já chegam no consultório sorrindo e dizem: “meu atraso hoje não foi uma coincidência…” E o sorriso maroto, na verdade, entende que tudo faz sentido. E uma reticências se fazem… até a sessão começar.

Nela, na sessão, guia-se por uma Sabedoria Inata – uma consciência plena que habita a não dualidade e portanto aponta nosso caminho de reequilíbrio. Graças a ela, tornam-se transparentes as combinações, as cenas se mostram numa coerente associação, as relações mostram que as sincronias são o texto da vida, uma dramaturgia perfeita. Mas e os problemas? E as questões mais duras? E as dores? E o caos? E o “não sei o que fazer”?

Parece que vão ocupando, pouco a pouco, o lugar que lhe cabem: o caos que leva a uma provisória ordem, sucessivamente. Entender o “problema”, a “culpa”, o “medo” possibilita enxergar os segredos de si. Isso também acontece numa espécie de espelhamento, quando terapeuta e cliente se encontram numa mesma história, situação e, ao invés de temer as projeções (cuidado necessário inclusive este de não cair em qualquer tipo de projeção entre terapeuta e cliente), ambos se dão a oportunidade de olhar. Um olhar atento, afetuoso e paciente consigo próprio, cada um cuidando dos seus segredos.

Escutei essa frase – não há segredos no BodyTalk – recentemente, e talvez este texto pudesse ser até uma homenagem. Compreender que os segredos são revelações da nossa Sabedoria é um passo fundamental para aceitar nossas questões como fundamentais para nossa compreensão de onde estamos, quais são nossos enlaces com as jornadas dos outros – e portanto, nos sentimos menos sozinhos – e como as sincronias vão compondo a dramaturgia do nosso texto. Um texto que não escrevemos de punho próprio não (as vezes queremos crer que sim). Um texto que escrevemos com vários artistas. Ficções reais.

Conheça o BodyTalk escolhendo seu terapeuta pelo link oficial da IBA – Associação Internacional de BodyTalk.
www.bodytalksystem.com

*Nirvana Marinho (CBP, Certified BodyTalk Practitioner (CBP), Terapeuta certificada IBA International BodyTalk Association)

Para falar comigo envie um whatsapp para (11) 97672-8460
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